Antidepressivos – Escitalopram, Citalopram, Fluoxetina, Sertralina…

Os antidepressivos são uma das classes de medicamentos mais utilizadas no mundo inteiro, sendo usados para depressões ou quadros clínicos que indiquem a evolução para uma depressão. Neste artigo iremos explicar o que são antidepressivos, como funcionam, os vários tipos de antidepressivos, e quais as suas indicações. Por fim, apresentaremos ainda os efeitos secundários mais comuns na toma destes medicamentos. Contudo, antes de abordarmos os antidepressivos, será importante perceber o que é uma depressão.

O que é uma depressão?

A depressão é uma alteração persistente de humor, que tem sérias implicações no dia-a-dia e na relação com outras pessoas, seja dentro da família, círculo de amigos, ou ainda, na esfera profissional. Esta doença tem diversos sintomas mentais, mas também físicos, que irão influenciar negativamente as relações pessoais, a produtividade no trabalho (ou na escola), podendo em casos limites levar ao suicídio. Entre os seus sintomas, destacamos os seguintes:

– Tristeza permanente ou humor depressivo;
– Fadiga;
– Alterações no apetite (ganho ou perda de peso);
– Dificuldade em raciocinar e em concentrar-se;
– Ausência de prazer ou interesse;
– Sensação de desânimo e de falta de esperança.
– Perda de interesse de cariz sexual.

Esta doença atinge aproximadamente 10% dos homens, e 20% das mulheres, com especial incidência em idades entre os 25 e os 44 anos. Contudo, a depressão pode ocorrer em qualquer fase da vida, desde crianças de tenra idade, até pessoas muito idosas.

Antidepressivos – o que são e como funcionam

As causas da depressão são ainda pouco conhecidas, mas vários estudos levam a crer que ela é provocada pelo desequilíbrio de várias substâncias químicas, de seu nome neurotransmissores. Os neurotransmissores com maior influência nas zonas do cérebro responsáveis pelo controlo das emoções e do humor (tronco cerebral e sistema límbico) são a dopamina, mas principalmente a norepinefrina e a serotonina.

Quando estas substâncias se apresentam em quantidades insuficientes, ou se existe um desequilíbrio entre ambas, ocorre um distúrbio nervoso que leva ao desenvolvimento de uma depressão. Assim, os antidepressivos irão responder a estes desequilíbrios, aumentando os níveis dos neurotransmissores, regulando e reequilibrando esses níveis.

Para alcançarem esse objetivo, estes medicamentos foram desenvolvidos de forma a conseguir bloquear algumas configurações da transmissão sináptica nos neurónios onde estão inseridos os neurotransmissores referidos atrás, aumentando dessa forma os seus níveis. Ao elevarem-se para níveis normais, o sistema fica novamente equilibrado, e as emoções e o humor estabilizam. (Leia Também: Como Funcionam os Antidepressivos).

Os Antidepressivos São Eficazes?

Pesquisas recentes mostram que os antidepressivos podem não ser tão eficazes como se pensava anteriormente, especialmente em casos de depressão leve.

O Royal College of Psychiatry (Faculdade Real de Psiquiatria do Reino Unido), estima que entre 50 a 65% das pessoas tratadas com antidepressivos para a depressão são beneficiadas. No entanto devem ser obedecidas algumas regras: para alcançarem os efeitos pretendidos os antidepressivos devem ser tomados durante pelo menos três semanas (sem perder uma única dose), antes de começar a sentir os seus benefícios. Se por acaso tomar um antidepressivo durante um período de seis semanas e não sentir qualquer benefício o melhor é considerar outros tratamentos.

Dosagem

Os antidepressivos são geralmente tomados em forma de comprimidos. Um curso de tratamento dura geralmente seis meses, e em alguns casos pode ser recomendado um curso de tratamento de dois anos em pessoas com história prévia de depressão.

Tipos de antidepressivos

Existem diversos tipos de antidepressivos, sendo classificados consoante os neurotransmissores que eles são afetar, bem como o processo usado. De seguida iremos então apresentar os vários tipos de antidepressivos.

Inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS)

Estes são os antidepressivos mais utilizados. A sua ação consiste em impedir que a serotonina seja transportada de volta à célula pré-sináptica. Isto fará com que os níveis deste neurotransmissor na fenda sináptica se elevem, estimulando dessa forma as células pré-sinápticas. Os ISRS são geralmente os antidepressivos de eleição, porque causam menos efeitos colaterais. A fluoxetina é provavelmente o ISRS mais conhecido (vendido sob a marca Prozac). Fazem parte desta classe de antidepressivos os seguintes medicamentos:

Fluvoxamina (Luvox, Dumyrox)
– Fluoxetina (Prozac, Daforin, Prozen, Psipax)
– Paroxetina (Seroxat, Dropax, Paxil, Benepax, Pondera, Parox)
– Citalopram (Celexa, Cipramil, Cipram,  Città, Procimax)
– Escitalopram (Cipralex, Lexapro)
Sertralina (Zoloft,  Assert, Serpax)

Os ISRS são usados não só em casos de depressão leve, como também no tratamento de ataques de ansiedade, ataques de pânico, distúrbio bipolar e tensão pré-mestrual (TPM).

Inibidores de recaptura/antagonistas da serotonina-2

Estes antidepressivos têm várias funções, entre as quais melhorar o processo de neurotransmissão de serotonina, e ainda, bloquear os efeitos negativos provocados pela produção da serotonina e da norepinefrina por parte da célula sináptica. Esta última ação irá ajudar a elevar os níveis destes neurotransmissores da fenda sináptica. Fazem parte desta classe de antidepressivos os seguintes medicamentos:

Nefazodona (Serzone)
Mianserina (Bolvidion, Tolvon)
Trazodona (Desyrel, Donaren, Triticum)
Mirtazapina (Remeron ou Zispin, Avanza, Norset, Remergil, Remeron Soltab, Menelat, Razapina)

Antidepressivos tricíclicos e inibidores seletivos de recaptação de norepinefrina

A ação destes antidepressivos consiste em bloquear a recaptação da norepinefrina por parte da célula pré-sináptica, aumentando por isso os seus níveis na fenda sináptica. Fazem parte desta classe de antidepressivos os seguintes medicamentos:

Imipramina (Tofranil, Elepsin, Depramina, Imipra, Melipramine, Praminan, Pryleugan, Milipramin, Antidep, Depsonil, Primonil, Talpramin, Ethipramine, Celamine, Sermonil, Topramine, Tofranil-PM)
Maprotilina (Ludiomil, Deprilept Psymion)
Desipramina (Norpramin, Pertofrane)
Nortriptilina (Sensoval, Aventyl, Pamelor, Norpress, Allegron, Noritren, Nortrilen)
Amitriptilina (Adepril, ADT, Amineurin, Amioxid, Amitrip, Amytril, Cloridrato de Amitriptilina (Brasil), Deprelio, Elatrol, Elatrolet, Elavil, Endep, Equilibrin, Klotriptyl, Laroxyl, Lentizol, Maxivalet, Novoprotect, Polytanol, Protanol, Redomex, Saroten, Sarotena, Sarotex, Stelminal, Syneudon, Teperin, Trepiline, Tripsol, Tripsyline, Tripta, Triptyl, Triptyline, Tryptal, Tryptanol, Tryptizol, Tryptomer, Uxen)
Clomipramina (Anafranil, Clomipran, Fenatil)

Inibidores de recaptação de serotonina e norepinefrina (ISRSN ou SNRI)

Este medicamento caracteriza-se por impedir a recaptação da norepinefrina e da serotonina por parte da célula pré-sináptica. Os ISRN são aprovados para o tratamento da depressão nervosa (transtorno depressivo maior), transtorno de ansiedade generalizada, transtorno ansioso social (fobia social ou sociofobia), transtorno do pânico (síndrome do pânico), dor neuropática (dor crônica, resultado de uma lesão ou disfunção do sistema nervoso), fibromialgia, e dor músculo-esquelética crônica. Fazem parte desta classe de antidepressivos os seguintes medicamentos:

Venlafaxina (Efexor XR, Alenthus XR, Venlift OD, Venlaxin, Alenthus)
Bupropiona (Wellbutrin, Zyban (substância conhecida como amfebutamona em Portugal)
Duloxetina (Cymbalta, Xeristar, Yentreve, Ariclaim, Velija)
Desvenlafaxine (Pristiq)
Milnacipran (Dalcipran, Ixel, Savella)
Levomilnacipran (Fetzima, F2695)
Sibutramina (Meridia, Reductil
Bicifadine (DOV-220,075)
SEP-227162 – Um SNRI em desenvolvimento pela Sunovion Pharmaceuticals, Inc. (Antiga Sepracor Inc).

Inibidores da monoamino-oxidase (IMAO)

Estes antidepressivos impedem uma enzima denominada de monoamino-oxidase, que tem a capacidade de degradar a norepinefrina e a serotonina, tanto na célula pré-sináptica, como na fenda sináptica, de realizar essa degradação. Dessa forma, ao bloquear-se o processo de degradação, os níveis de norepinefrina e de serotonina irão aumentar. Devido aos seus efeitos colaterais, apenas são utilizados se os restantes não forem eficazes. Fazem parte desta classe de antidepressivos os seguintes medicamentos:

Moclobemida (Manerix, Aurorix)
Tranilcipromina (Parnate, Stelapar)
Selegilina (Eldepryl, Selegilin, Selegilina, Selegiline HCL, Zelapar)
Fenelzina (Nardil)
Isocarboxazid (Enerzer, Marplan, Marplon)

Uma das grandes desvantagens dos IMAO é a necessidade do paciente ter de evitar certos alimentos e bebidas, tais como o vinho tinto e os peixes em conserva, que contêm uma proteína chamada tiramina. Consumir tiramina  em conjunto com este fármaco pode causar um aumento repentino da pressão arterial (hipertensão).

Efeitos Secundários ou Colaterais dos Antidepressivos

Apesar dos seus efeitos benéficos para a saúde e equilíbrio do sistema nervoso, os antidepressivos têm também alguns efeitos secundários ou colaterais. De seguida listamos alguns dos efeitos secundários mais comuns provocados pela toma destes medicamentos.

– Disfunção sexual, disfunção erétil;
– Perda de peso;
– Ganho de peso;
– Vômitos, enjoos;
– Náusea;
– Diarreia;
– Flatulência;
– Dispepsia (dificuldade de digestão);
– Cefaleias
– Ansiedade;
– Insónias;
– Distúrbios eletrolíticos e da glicose;
– Reações endócrinas e alérgicas
– Boca seca
– Sudorese excessiva

Alternativas aos antidepressivos

Os tratamentos alternativos para tratar a depressão incluem terapias, como a Terapia cognitivo-comportamental (TCC) (uma forma de psicoterapia). O exercício físico regular também demonstra ser bastante útil em pacientes com depressão ligeira. (Leia mais sobre alguns tratamentos alternativos).

foto de antidepressivos