Artrose (Osteoartrite) – Causas, Sintomas, Tratamento, Diagnóstico e Prevenção

A artrose é hoje em dia uma das doenças de reumatologia mais faladas em todo o mundo, sendo também muitas vezes apresentada como osteoartrite (OA), artrite degenerativa ou até doença generativa das articulações, tornando-se assim muito mais fácil para a maioria das pessoas entender rapidamente de que se trata esta doença.

Apesar de todos os avanços da tecnologia, principalmente a aplicada aos tratamentos médicos, ainda são poucos os tratamentos 100% eficazes para este problema, principalmente porque se trata de uma doença crónica, centrada essencialmente nas articulações e que afecta bastante o movimento das mesmas.

Apesar de parecer uma doença mais rara do que o normal, a verdade é que é uma das doenças de articulações mais comum em todo o mundo, afectando principalmente aqueles que têm uma actividade profissionais mais rígida e física do que a maioria, os diabéticos, as pessoas com excesso de peso e ainda pessoas com mais de 40 anos, sendo também possível surgir antes dessa idade, mas com menos frequência. Infelizmente, para as mulheres, esta doença afecta menos os homens, pois as suas características esqueléticas permitem muito mais esforço do que às mulheres.

O que é?

Esta doença, que também pode ser apresentada como doença degenerativa, para facilitar a informação, tornou-se um dos principais problemas reumatológicos dos dias de hoje, sendo bastante comum na sociedade de hoje em dia, principalmente pelo tipo de necessidades que o corpo necessita e também do estilo de vida que a grande maioria adopta.

Esta doença é caracterizada pela instalação de uma dor crónica, extremamente difícil de controlar, levando assim ao absentismo ao trabalho ou até uma possível invalidez, algo que nos dias de hoje se torna ainda mais difícil de suportar.

A artrose propriamente dita provoca uma espécie de lesão directa na cartilagem das articulações que suportam a grande maioria do peso de todo o corpo, ou então aquelas que têm um excesso de movimento em comparação às restantes, incidindo principalmente nas articulações dos joelhos, ancas, mãos, pés e até na coluna, onde causa as dores mais complicadas de controlar.

O que este problema faz é diminuir a quantidade e, principalmente, qualidade da cartilagem em si, nomeadamente a nível de espessura, podendo até chegar a desaparecer, fazendo assim com que os ossos cheguem a roçar uns nos outros, a cada movimento feito, causando dores extremamente difíceis de suportar. Esta degradação pode ser mais acelerada ou lenta, dependendo de várias variáveis e essencialmente do estado físico de cada um, do estilo de vida e até do movimento feito diariamente.

Causas

Geralmente, se nada levar a situações contrárias, as articulações têm um tipo de fricção e o seu nível é tão pequeno que nunca se desgastam, por isso, se tal acontece, geralmente é porque existem outros factores associados que permitem tal situação.

Existem algumas possíveis causas para o surgimento da artrose, contudo, nem todas elas se manifestam da mesma forma, dependendo exclusivamente do esqueleto e de uma série de factores em conjunto que podem remeter a um desgaste excessivo das articulações e com isso apresentar variantes desta doença.

Entre as causas mais importantes, que se destacam pela sua frequência, está o estilo de vida, daí que adoptar uma vida movimentada pode ser o mais indicado, contudo sempre com acompanhamento profissional para garantir que nada corre mal e que não está antes a fazer pior.

Envelhecimento

O envelhecimento progressivo é a causa de muitos problemas físicos, sendo que a cartilagem é a mais afectada, fazendo assim com que o próprio organismo deixe de ter a capacidade de a regenerar, causado o tão indesejado desgaste progressivo.

Genética

A regeneração das articulações deve-se essencialmente ao cologénio, por isso, quando este falta é muito comum que os problemas reumatológicos comecem a surgir. Assim, existem algumas famílias que têm um determinado problemas nos genes que são responsáveis pela produção desse mesmo colagénio, aumentando as probabilidades dos elementos padecerem da doença.

Obesidade

A obesidade, ou simplesmente o excesso de peso, leva a que grande parte do esqueleto tenha que fazer um esforço acrescido para se movimentar, por isso, a pressão sobre as articulações é maior, chegando até a poder chegar à ruptura propriamente dita. Assim, a obesidade aumenta o risco da doença surgir, especialmente nos joelhos e nas ancas, já que são as zonas do corpo mais afectadas.

Esforço Intenso

Em alguns trabalhos ou até mesmo em algumas ocupações de tempos livres, o excesso de esforço em determinadas articulações podem levar a que a artrose surja mais facilmente. Contudo, para que aconteça, é necessário que haja uma sobrecarga repetida de forma mecânica em determinadas articulações, não sendo comum que surja em pessoas que têm uma prática desportiva activa, desde que controlada.

Lesões

Algumas lesões, nomeadamente quedas ou pancadas, podem levar a pequenas alterações nas cartilagens afectadas, com isso aumentando o risco da doença surgir.

Género

Mesmo que não haja certezas absolutas que são as mulheres as mais afectadas, no caso dos doentes com mais de 50 anos, a grande maioria são mulheres, porém nos doentes com idades inferiores a percentagem é muito semelhante.

Exames de Diagnóstico

A maioria dos doentes que padecem desta doença iniciam o seu alerta com dores continuas em determinadas articulações em particular, recorrendo posteriormente ao seu médico de família para a elaboração de vários tipos de exames. Esta doença pode ser diagnosticada de duas formas específicas: história clínica e radiografia.

Isto é, se a história clínica é importante para conhecer o estilo de vida e as alterações feitas a nesse campo, é igualmente importante comparar as alterações radiográficas que possam existir. Podem ainda existir alguns casos específicos que requerem um exame físico, para mostrar o tipo de movimentos que as articulações fazem sem apresentar alterações significativas, detectar possíveis inchaços das articulações, uma amplitude de movimento reduzida, comparativamente ao apresentado anteriormente e a tão indesejada, mas bastante comum nestes casos, dor constante que surge sem qualquer tipo de pressão exercida.

Não é necessário realizar qualquer tipo de exames de sangue para diagnosticar a artrose, pelo que a radiografia é o exame mais comum e que apresenta mais eficácia no diagnóstico da doença.

Sinais e Sintomas

Apesar da maioria dos doentes procurar ajuda apenas quando há uma dor constante em determinada articulação do seu corpo, existem ainda outros sinais e sintomas que devem, de forma a prevenir ao máximo o avanço da doença, ser levados em consideração.

Dor Mecânica

Mesmo que na artrose a dor seja crónica, ou seja, existe e dificilmente será controlada, geralmente esta surge mais fluentemente depois de movimentações ou sobrecargas nas articulações, fazendo assim com que a dor não apareça quando está em repouso. A maioria dos doentes afirma que passa muito bem as noites, mas é logo pelas primeiras horas da manhã que as dores começam a surgir.

Rigidez

As articulações servem, principalmente, para permitir que o esqueleto se movimente com alguma fluidez, contudo, um dos principais sinais e sintomas desta doença é a sensação de rigidez destas, impedindo até de fazer certos movimentos, mas com a persistência e com o decorrer da actividade acaba por melhorar.

Nódulos

O aparecimento de nódulos é muito comum apenas nos dedos das mãos ou dos pés, principalmente pela exposição que as articulações têm à sensação humana, ao contrário do que acontece em outras zonas do corpo se torna mais complicado de detectar.

Sons

É muito natural que uma pessoa que sofra de artrose sinta alguns sons vindos directamente das articulações, como se fossem simples estalidos ou um ranger, dando assim a sensação que os ossos estão a tocar um no outro, não existindo as articulações para controlar esses movimentos.

É ainda importante referir que alguns doentes não têm qualquer tipo de sinais ou sintomas desta doença, principalmente numa primeira fase da mesma, contudo os exames feitos, nomeadamente as radiografias, mostram alterações significativas e que podem alertar os médicos para a situação.

Prevalência

De forma a compreender melhor esta doença, foram feitos vários tipos de estudos e estatísticas em todo o mundo, percebendo assim qual era a proporção de casos existentes em todo o mundo, durante um período de tempo, especialmente para tentar perceber também quais são os factores mais influentes no surgimento da doença.

A artrose é muito mais problemática na Europa oriental, África e Ásia, principalmente pelo excesso de horas de trabalho físico nessas zonas. Actualmente há no mundo cerca de 4% da população, ou seja perto de 250 milhões, que sofrem de artrose nos joelhos, sendo que destes apenas 5% têm idade inferior a 30 anos, 20% têm idade superior a 50 anos e a grande maioria dos doentes, perto de 80% têm mais de 65 anos, sendo predominante naqueles que têm idade superior a 80 anos.

No que diz respeito ao género, é também necessário destacar que é mais comum nas mulheres, que se encontram num momento de pós-menopausa, não esquecendo também os diabéticos e a grande maioria dos obesos em tratamento.

Tratamentos

Sendo um dos problemas reumatológicos mais comuns no momento, é também natural que vão surgindo todo o tipo de tratamentos, muitas vezes baseando-se apenas em algumas alterações no dia-a-dia, que visam aliviar a dor e diminuir significativamente as manifestações clínicas, sendo extremamente raro os casos de cura significativa.

Existem vários tipos de tratamentos, nomeadamente os fármacos, as pequenas alterações de estilo de vida, a fisioterapia e uso de próteses, os tratamentos alternativos e até a cirurgia, sendo que para compreender cada um deles, serão abordados de seguida.

Medicamentos

Não é o tratamento mais comum, contudo as pomadas são bastante eficientes para um alivio imediato da dor, nomeadamente aquelas que têm capsaicina na sua composição, apesar de estas poderem levar a pequenas irritações na pele. Os analgésicos em forma de pomada são também muito recomendados por médicos, contudo apenas para uso em dor aguda.

No que diz respeito a fármacos para via oral, o sulfato de glucosamina é o mais comum, tendo benefícios comprovados por uma grande percentagem de doentes. Os anti-inflamatórios, como aspirina, ibuprofeno e naproxeno são também recomendados para os momentos em que a dor persistir.

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Mudanças no Estilo de Vida

O sedentarismo é uma das principais causas para o surgimento de artrose, pois apesar de o excesso de esforço levar ao possível desgaste das articulações, quando o movimento deixa de existir é também um factor em consideração.

Assim, é aconselhável que realize uma espécie de rotina de exercícios diariamente, desde que estes sejam recomendados por especialistas. A maioria dos profissionais aconselham sempre os exercícios aquáticos, seja a hidro-ginástica ou mesmo a natação.

O excesso de peso é outra das causas principais para o surgimento da doença, por isso é aconselhável que tenha uma dieta balanceada e saudável, pois além de perder peso e ajudar na doença, está a ajudar todo o restante organismo. É imperativo que tenha uma boa dose de descanso diário e no caso de ter um trabalho demasiado físico, tentar proteger as articulações, alterando até alguns tipos de movimentos que faz diariamente, é igualmente importante.

Fisioterapia

É provavelmente o tratamento mais aconselhado pelos médicos de hoje em dia, pois através de especialistas comprovados, os músculos são reforçados e ainda as movimentações das articulações afectadas são controladas de forma a tentar aliviar a dor e quem sabe tratar eficazmente o problema.

Contudo, este é um tipo de tratamento que deverá apresentar resultados em apenas 6 a 8 semanas, pelo que se o problema persistir ao fim desse tempo, é provável que não seja uma solução possível para o seu caso.

Órteses

Apesar de muitas pessoas acreditarem tratar-se da mesma coisa, as órteses servem essencialmente para estabilizar as alterações articulares de algumas zonas do corpo, nomeadamente as joelheiras (existindo várias opções no mercado actualmente), as tornozeleiras (usadas muitas vezes após um entorse, servem para auxiliar alguns movimentos e proteger as articulações sensíveis desta zona do corpo) e ainda as palminhas (que têm como função principal diminuir a pressão sobre o calcanhar, ideal para quem faz muitas caminhadas diariamente).

Cirurgia

As cirurgias, no tratamento da artrose, são aconselhadas apenas em último recurso, após o paciente ter já experimentado outros tipos de tratamento, sem resultados notados. Existem, nos dias de hoje, várias cirurgias indicadas para este caso, sendo que cada uma deve ser usada apenas para uma função.

Artroscopia – esta cirurgia serve essencialmente para corrigir algumas lesões parciais que existam na zona do menisco, no joelho, ou para retirar corpos livros que estejam dentro das articulações a dificultar o movimento.

Osteotomia – aconselhada por médicos que diagnosticam um desvio de eixos articulares aos pacientes ou para aqueles que têm uma tendência a colocar uma carga numa zona do corpo específica.

Artroplastia – não é muito comum, mas em alguns casos é possível reparar as articulações que estão afectadas, através de tecnologia especializada.

Tratamentos Alternativos e Outros

Existem ainda alguns médicos especialistas que aconselham alguns dos seus pacientes, dependendo do tipo de diagnóstico apresentado, tratamentos alternativos, como é o caso da acupuntura, um tratamento baseado na medicina chinesa, sendo que existem já relatos de alívio de dor em pacientes tratados assim.

Mesmo que não haja relatos de eficiência, as terapias manuais são também muitas vezes tentadas, contudo não aconselhadas por médicos especialistas.

Complicações

O organismo humano, apesar de ter a mesma estrutura, difere de pessoa para pessoa, pelo que as reacções de cada tratamento podem também ser diferentes, nomeadamente a nível de resultados e possíveis efeitos colaterais.

No que diz respeito às alterações no estilo de vida e à fisioterapia, são poucas as complicações que podem surgir, para não dizer nulas, pois a nível de efeitos secundários todos eles serão positivos para a sua saúde. Por outro lado, a administração de fármacos e as cirurgias podem trazer algumas complicações, nomeadamente as reacções aos medicamentos, ou até as chamadas complicações cirúrgicas, contudo com o acompanhamento médico especializado, rapidamente podem ultrapassar esses momentos.

Além disso, o surgimento da doença apresenta também complicações para o dia-a-dia dos pacientes, nomeadamente uma redução significativa das suas capacidades físicas, na realização de tarefa que outrora eram comuns e acessíveis, assim como a redução de capacidade de andar ou correr.

Como Prevenir

Não há tratamento mais assertivo e eficaz do que a prevenção, por isso, sendo esta uma das doenças mais comuns nos dias de hoje, principalmente na sociedade desenvolvida, existem algumas formas de prevenir o surgimento destas ou pelo menos atrasar o seu surgimento.

Tendo em conta que o peso é um dos factores mais importantes para o aparecimento desta doença, tratar a obesidade é fundamental para evitar que a artrose apareça, mais tarde ou mais cedo. Para isso, é essencial que inicie uma alimentação equilibrada e se possível combinar com a prática de exercício físico, desde que adequado. Além disso, existem alguns hábitos que se vão ganhando ao longo dos anos, que funcionam como desvios axiais ou dismetrias dos membros, que para as articulações é crucial para o aparecimento de problemas.

A protecção das articulações é a forma mais eficaz de prevenir a artrose, isto é, é aconselhado que fortaleça os quadricípetes, os músculos da coxa, para evitar que a zona dos joelhos seja demasiada afectada com alguns movimentos feitos. Para além disso, a sobrecarga articular ou os exercícios físicos demasiado puxados devem ser eliminados da sua rotina diária, nomeadamente o caso da elevação de pesos, sem acompanhamento e com uma progressão demasiado elevada, não dando tempo para que as próprias articulações se habituem.

O sedentarismo, algo muito comum nas faixas etárias mais elevadas, é uma das principais causas da artrose, contudo, para prevenir que tal não acontece, aconselhamos sempre que tenha ajuda profissional e acompanhamento diário, evitando piorar a situação com a prática de exercícios errados ou esforços exagerados.

articulação com artrose