Chato – Pediculose pubiana (piolho pubiano)

A pediculose pubiana é o nome médico utilizado para designar quando uma pessoa está infestada com o piolho pubiano (Pthirus púbis), também conhecido como chato, piolho da púbis ou piolho caranguejo.

A pediculose pubiana também é conhecida como pitiríase, ftiríase, pitirose ou fitirose. O piolho pubiano é um inseto ectoparasita dos seres humanos. É geralmente encontrado nos pêlos pubianos, mas também pode viver em outras áreas onde o cabelo seja mais grosso, incluindo os cílios como pode ver na foto abaixo.

piolhos pubianos

Este ectoparasita tal como muitos outros alimenta-se exclusivamente de sangue. E nós, seres humanos, somos os únicos hospedeiros conhecidos deste parasita, embora exista uma espécie estreitamente relacionada, a Pthirus gorillae, que infecta as populações de gorilas.

Esta infestação pelo piolho-da-púbis é mais frequente em zonas de maior densidade capilar, mas qualquer zona do corpo pode ser infestada. No caso deste ectoparasita ele dá preferência aos pelos da zona genital (genitália) e da região perianal. Nos homens, principalmente, os chatos e os ovos também podem ser encontrados nos pelos das axilas, abdômen, na barba e no bigode. Este problema, devido às picadas dos piolhos, causa um grande prurido na pele, provocando coceira.

Os organismos responsáveis pela pediculose são os piolhos. No homem a infestação é causada pelo Pediculus humanus (uma espécie de piolhos que infecta os seres humanos, composta por duas subespécies que podem ser encontradas no cabelo e couro cabeludo (Pediculus humanus capitis) e no corpo (Pediculus humanus humanus ou Pediculus humanus corporis), e pelo Pthirus pubis que causa a pitiríase (pediculose pubiana).

A pediculose é também muito comum nos animais, sendo causada por uma grande variedade de espécies específicas.

Estes são insetos parasitas, sem asas, também denominados de ápteros, de pequena dimensão. Por essa razão, são de difícil visibilidade. A infestação por chatos é facilmente transmissível para outras pessoas, bastando o contacto direto ou o uso partilhado de objetos pessoais relacionados com as zonas afetadas. Por exemplo, o uso do chapéu de alguém contaminado com piolhos responsáveis pela pediculose no cabelo (Pediculus humanus capitis).

Apesar de qualquer pediculose ter como responsável um piolho, na realidade há vários tipos de piolhos, sendo que aquele que afeta a cabeça irá ser diferente daquele que afeta a região púbica. Assim, existem três tipos de piolhos, sendo cada um deles uma espécie diferente.

Tipos de piolhos

– Pediculus humanus humanus (este piolho é o responsável pela pediculose que ataca os pelos do corpo);
– Pediculus humanus capitis (este piolho é o responsável pela infestação no cabelo e no couro cabeludo);
– Pthirus pubis (este piolho é o responsável pela pediculose pubiana (chato)).

Cada uma destas espécies tem características próprias, que os distinguem uns dos outros. Assim, e relativamente ao piolho responsável pela pediculose pubiana (Pthirus pubis), estes são mais pequenos, mas no entanto, mais largos. O Pthirus pubis terá um tamanho aproximado de 1-3 mm de comprimento, e terá uma aparência muito idêntica à de um caranguejo. Por essa razão, o piolho pubiano, além de ser conhecido como “chato”, tem também o apelido de piolho-caranguejo. Outra das suas características é que é de difícil observação, visto ser transluzente. No entanto, depois de se alimentar, já será mais fácil de ser identificado, pois estará cheio de sangue. A fêmea põe cerca de três ovos por dia. Os ovos demoram cerca de 6-8 dias a terminar o período de incubação, e o ciclo de vida total do ovo é de 16-25 dias. Os adultos vivem cerca de 22 dias (machos) e 17 dias (fêmeas) e alimentam-se exclusivamente de sangue, 4 a 5 vezes ao dia.

Pediculose pubiana

A pediculose pubiana, também conhecida como “chatos”, será então uma infestação dos parasitas Pthirus pubis na zona púbica. Esta doença é altamente contagiosa, e dada a região afetada, a forma habitual de transmissão é o contacto íntimo e sexual. Contudo, existem outras formas de contágio, através do uso partilhado de roupas ou objetos usados nessa área, tais como roupa interior, toalhas e até roupa da cama.

Sintomas da pediculose púbica

Geralmente, a pediculose púbica apenas se manifesta ao fim de uma a duas semanas de contágio. Se não for a primeira infestação de Pthirus pubis na zona genital, então é normal os sintomas aparecerem ainda mais cedo. O primeiro e principal sintoma desta doença é a coceira intensa na área afetada, resultante da hipersensibilidade á saliva do piolho, que pode tornar-se ainda mais forte ao longo de 2 ou mais semanas após a infestação inicial. Também neste tipo de piolhos são formadas lêndeas, os ovos que dão origem a novos piolhos, sendo este outro indicador da pediculose púbica.

Normalmente, tanto as lêndeas como os piolhos adultos encontram-se agarrados na base do pelo, próximo da pele. Eles poderão ser encontrados nos pelos do púbis, mas também, como já foi referido, nos pelos da zona do abdómen inferior, nádegas e coxas. Podem também ser encontrados, se bem que raramente, em zonas pilosas mais afastadas, como por exemplo nas axilas. Com a infestação, além da formação de dermatoses provocadas pelas picadas, também podem ser originadas bolhas, manchas azuladas e urticária.

Diagnóstico

Normalmente, depois de aparecer a comichão, o indivíduo poderá fazer um autodiagnóstico, onde irá procurar vestígios destes piolhos. Assim, e sabendo que eles espalham os seus excrementos na roupa que está em contacto com a infestação, é possível detetar na roupa íntima, pequeníssimas manchas castanho-escuras, geralmente na zona em contacto com o ânus e com os órgãos genitais. Se procurar localizar os piolhos na zona onde tem a comichão, então tenha em atenção que estes são muito pequenos e difíceis de ser localizados. Assim, procure pontos de dimensão muito pequena, ligeiramente azulados, sobre a pele. As lêndeas dos piolhos Pthirus pubis, como referimos em cima, encontram-se agarrados perto da base do pelo, ao contrário das lêndeas dos piolhos que atacam o cabelo.

Tratamento

Para tratar a pediculose pubiana, existem vários medicamentos adequados específicos para este problema, nomeadamente de toma oral e local. Os medicamentos de aplicação local são produtos de extermínio dos parasitas, sendo que deve ser aplicado duas vezes, com um intervalo de uma semana entre elas, nas zonas afetadas, mas também, as zonas que fazem fronteira. Assim, deve ser aplicado na zona do púbis, mas também na zona pilosa do abdómen, nádegas e coxas. Há também um tratamento via oral, com o uso de comprimidos, que deve também ser feita com um intervalo de sete dias. Por vezes, torna-se muito eficaz associar os dois tipos de tratamento. Contudo, essa decisão deve ser tomada pelo seu médico dermatologista.

Na zona Genital

Os tratamentos recomendados incluem agentes tópicos como a Permetrina ou a Piretrina com Butóxido de piperonila. O lindano é um tratamento de segunda linha, devido a preocupações de toxicidade. O lindano não deve ser usado por pessoas que têm dermatite grave (grave inflamação da pele, erupção cutânea), em mulheres grávidas, lactantes ou em crianças com menos de dois anos.

A FDA adverte também contra o seu uso em pacientes com historial de epilepsia (um conjunto diversificado de desordens neurológicas crônicas caracterizadas por convulsões) e o uso cauteloso em recém-nascidos, crianças, idosos e indivíduos com outras doenças de pele (por exemplo, dermatite atópica, psoríase) e em pessoas que pesam menos de (50 kg).

A Ivermectina (antiparasitário de amplo espectro) pode ser uma excelente opção de tratamento via oral, caso os cremes e loções, não surtam efeito. A Ivermectina é vendida sob a marca Sklice e Stromectol nos Estados Unidos, Ivomec na Europa, Mectizan no Canadá e Ivexterm no México.

A roupa da cama e todas as roupas usadas devem ser lavadas, e o contato sexuaI deve ser evitado até á cura total.

Os piolhos pubianos são transmitidos principalmente através das relações sexuais. Portanto, todos os parceiros com os quais o paciente teve contato sexuaI nos últimos 30 dias devem ser avaliados e tratados, e o contato sexual deve ser evitado até que todos os parceiros tenham concluído com êxito o tratamento e que estejam totalmente curados. Devido á forte associação entre a presença de piolhos pubianos e as infecções sexualmente transmissíveis clássicas (DSTs), os pacientes diagnosticados com piolhos pubianos devem ser submetidos a uma serie de exames de forma a detectar outras DSTs.

Nos cílios (Pediculosis ciliaris)

As infecções das pestanas pode ser tratado com vaselina aplicada duas vezes por dia durante 10 dias ou malation (malatião), fenotrina (sumitrina) e carbarilo (carbaryl).

Galeria de Fotos de piolhos pubianos

Fotos de piolhos no abdômen, cílios e zona genital

Para ver mais 12 imagens de piolhos e saber mais sobre o tema leia o artigo: Piolhos e Lêndeas – Remédios para Tratamento, Transmissão e Prevenção.