Coma Induzido – O Que é, Como funciona e para que serve

O coma induzido, também denominado muitas vezes como coma barbitúrico, uma condição médica muito popular, principalmente na comunicação social e tendo sempre associado um acidente ou uma doença realmente grave.

Coma InduzidoContudo, apesar de toda esta presença na comunicação social, existem muitas pessoas que não sabem exactamente o que se trata e têm até ideias bastante erradas sobre esta condição.

Em termos práticos e resumidos, o coma induzido é a sedação do paciente, que acontece apenas em último recurso e tem como principal objectivo minimizar ao máximo o sofrimento do paciente.

Para conseguir perceber exactamente o que é o coma induzido e a evolução desta condição, iremos esclarecer ao pormenor todas as fases, como é que tudo se processa, quanto tempo demora e ainda as melhores formas para retirar um paciente do coma induzido sem que este tenha nenhum tipo de problemas futuros no seu organismo.

Esta é uma condição que é referida muitas vezes em reportagens sobre acidentes graves, todavia não é muito comum que os médicos induzam o coma ao paciente, sem que seja realmente necessário.

Existem algumas doenças ou condições de saúde que têm uma evolução demasiado rápida, sendo que o coma induzido é muitas vezes a solução indicada para quando as outras opções estão a diminuir rapidamente, nomeadamente no caso de lesão cerebral, trauma físico extenso, meningite ou até uma overdose de drogas, de acordo com o aconselhamento médico e na maioria dos casos, com consentimento direto dos familiares, o paciente é colocado sobre sedação para ultrapassar a situação da melhor forma possível.

O que é o coma induzido?

Antes de falar sobre o coma induzido, que é uma condição em particular, é necessário falar também sobre o coma, percebendo assim as diferenças que acontecem entre cada uma das situações distintas.

Dá-se o nome de coma à diminuição de consciência, com intervenção direta, seja parcial ou total, na resposta dos estímulos externos, isto é, o coma é a redução significativa da consciência, que impossibilita que o indivíduo interaja com o meio externo através de estímulos.

Existem vários graus de coma, sendo que cada um deles tem as suas características, podendo até o paciente estar em coma e reagir a alguns estímulos específicos, mostrando assim que o grau não é dos mais avançados.

Para avaliar essa escala de gravidade do coma, é usada a chamada “escala de coma de Glasglow”, que identifica as respostas que o mesmo tem em relação aos estímulos, nomeadamente as respostas verbais, motoras e até a sinais visuais. Esta classificação varia entre 3 e 15 pontos, sendo 3 quando o paciente não tem qualquer tipo de resposta, ou seja coma profundo, e a pontuação de 15 quando apenas a consciência está afectada.

Por outro lado, o coma induzido é algo que tem como objectivo facilitar um progresso de um trauma ou a resolução mais eficaz de um problema de saúde, sendo que não é mais do que a sedação do paciente, de forma controlada, através de fármacos, ou seja, o estado de inconsciência do paciente é provocado e controlado por uma equipa médica, através de sedativos específicos.

Todavia, apesar de o coma induzido ser muitas vezes mencionado como a forma mais rápida e eficaz de “desligar” o cérebro para que este possa recuperar de uma situação desgastante, a verdade é que o cérebro nunca fica completamente parado, sendo que dado que ele é responsável por controlar algumas funções vitais do nosso corpo como o batimento cardíaco, a respiração e até a temperatura, se não estivesse a trabalhar não existiria vida.

O que acontece é apenas relacionado com a consciência, sendo que é uma das funções do sistema nervoso central, é exactamente aqui que o coma induzido funciona, através de uma sedação controlada.

Para que serve o coma induzido?

Mesmo que seja uma condição muito referida, são poucos os que sabem exactamente quais são os objectivos da mesma, pensando sempre que tudo se baseia na recuperação de um trauma grave e esquecendo outros pormenores igualmente importantes.

Assim, a sedação total do paciente, ou o coma induzido, tem como principal objectivo manter a segurança e o bem-estar do paciente, minimizando ao máximo a dor física existente e até o desconforto de uma condição especial, controlar a ansiedade, nomeadamente a nível de trauma psicológico (muitas vezes causando amnésia), essencial para ultrapassar alguns momentos mais graves e difíceis de absorver à primeira instância e ainda acalmar o paciente para que alguns tratamentos possam ser feitos de forma segura e sem consequências.

Uma das causas mais comuns para a necessidade de coma induzido prende-se com a necessidade de ventilação mecânica, ou seja, ajuda na respiração através de aparelhos artificiais, como acontece nos casos de infecção pulmonar, levando o paciente a entrar em insuficiência respiratória e por isso a ventilação mecânica é importante, ou seja, o coma induzido traduz-se na melhor opção para que esta seja feita sem consequências graves para o paciente.

Existem ainda outras situações que se revelam importantes para a necessidade do coma induzido, nomeadamente a dor intensa (vários traumas ou até queimaduras extremamente graves), sendo que neste caso a sedação é feita em conjunto com a anestesia para garantir que o paciente não sente a dor associada.

Em alguns casos mais emocionais, como o estado agitado do paciente e o perigo deste poder magoar-se, a si ou aos próximos, a vontade destes de não colaborarem com os tratamentos necessários, a sedação é também uma solução, todavia neste caso é mais leve, servindo apenas para os acalmar, de forma a que não haja perigo para os envolventes.

Em suma, o coma induzido serve essencialmente para que os médicos possam implementar um tratamento necessário para manter o paciente vivo, dependendo do tipo de problema de saúde existente, contudo nem sempre é necessário recorrer à redução do nível de consciência, por isso é muitas vezes chamado apenas de sedação.

Como se induz um coma ?

Como foi visto no tópico anterior, existem vários motivos e razões para que um paciente seja submetido ao coma induzido, no entanto cada uma dessas situações tem também indicado um nível de sedação diferente, para que as consequências e os efeitos secundários não possam, de forma alguma, ligar-se ao paciente de forma negativa.

Intensidade da sedação

Tal como acontece com o coma, existindo a famosa Escala Glasgow que determina o nível de consciência dos pacientes, acontece o mesmo no coma induzido, sendo que neste caso é dado o nome de Escala de Ramsey, sendo que esta tem as seguintes características:

Ramsey 1: neste nível o paciente encontra-se consciente, sendo indicado para os que estão agitados ou inquietos, dificultando bastante o tratamento necessário;

Ramsey 2: o paciente encontra-se também consciente, mas muito mais orientado, cooperativo com os tratamentos necessários e tranquilo;

Ramsey 3: neste nível de coma induzido o paciente encontra-se consciente, porém apenas responde a determinados comandos;

Ramsey 4: neste nível o paciente encontra-se já inconsciente de forma superficial, porém demonstra alguns estímulos, como sons altos ou toques na zona da testa entre as sobrancelhas;

Ramsey 5: este nível é a evolução do anterior, isto é, o paciente encontra-se inconsciente e apresenta respostas lentas a estímulos auditivos altos ou toques na zona central da testa;

Ramsey 6: o nível mais avançado é caracterizado pelo paciente encontrar-se inconsciente, sem qualquer tipo de resposta aos estímulos criados pelos médicos.

Assim, sempre que os médicos especializados se depararem com um paciente que apresenta características particulares, mencionadas anteriormente, procedem à sedação do paciente, induzindo o coma, para que o tratamento possa ser realizado por completo, sem complicações e sem dificuldades, algo que na maior parte das vezes os pacientes nem sequer notam que estão a dificultar.

O que os pacientes sentem durante o coma induzido?

Existe uma grande dificuldade por parte dos familiares de aceitarem este tipo de situação, não estando dentro do assunto e não sabendo exactamente como tudo se processa, tendo até receio de possíveis complicações. Todavia, uma das grandes dúvidas é sobre o que os pacientes sentem durante esse momento, tornando-se uma dúvida constante e levando muitas vezes à desconfiança natural.

Uma das dúvidas mais comuns dos familiares é se os pacientes conseguem ouvir os mesmos durante os momentos em que se encontram em coma induzido, porém tendo em consideração que existem vários graus de coma e sedação, esta é uma dúvida ambígua, pois depende exclusivamente desses graus, podendo ouvir o que os seus familiares dizem e até em alguns casos compreender os mesmos.

É fundamental que os pacientes tenham conhecimento de que mesmo que os pacientes consigam ouvir o que eles dizem, tendo em consideração que algumas drogas usadas para a sedação têm efeito amnésico, provavelmente não vão lembrar-se do que foi falado quando saírem do coma induzido.

Apesar da amnésia nem sempre ser boa para o futuro do paciente, quando este se encontra no hospital durante imensos dias, tendo assim também vários tratamentos associados, é o melhor para conseguir recuperar depois desses momentos, tornando toda a situação mais suportável.

Porém nos casos de coma induzido com graus avançados, é muito provável que o paciente não mantenha contacto com o exterior ao seu organismo, mesmo que haja alguns movimentos involuntários, o paciente poderá muito bem não ter qualquer noção do que está à acontecer à sua volta.

Como retirar um paciente do coma induzido?

Esta é uma condição médica que requer bastantes cuidados, para que não haja qualquer tipo de complicações para o paciente, por isso este é um procedimento médico muito complexo. Esta situação é escolhida pelos médicos para proteger o cérebro de possíveis desgastes que ocorram pelos mais variados motivos, por isso retirar um paciente de um estado de sedação é algo mais complicado do que possa parecer.

Em termos práticos este estado é retirado ao paciente de forma gradual, sendo que à medida que o paciente apresenta algumas melhorias na sua condição, a dose de fármacos que o mantém sedado é reduzida gradualmente até que o coma induzido desapareça por completo.

Em primeiro lugar, é imprescindível que se saiba exactamente quais foram os motivos que levaram o paciente a necessitar de coma induzido, verificando posteriormente o tipo de medicamentos e a combinação destes que é administrado ao paciente, considerando também o tempo em que o paciente se encontra nesse estado.

Depois de consultados todos os exames realizados, nomeadamente exames de sangue e eletroencefalogramas (EEG), enquanto o paciente se encontra sedado, o médico responsável deverá avaliar meticulosamente a sua evolução e averiguar o melhor momento para reduzir a medicação até o paciente ser retirado do coma induzido.

Mesmo depois desse momento, é estritamente necessário que o paciente seja monitorizado e acompanhado de perto durante os períodos imediatamente seguintes a esse momento, através de exames EEG frequentes, sendo que no caso de existir algum tipo de sinais agudos, como o caso da pressão intracraniana ou alguns tipos de convulsões, os pacientes devem voltar ao coma induzido sem qualquer demora.