Condromalácia Patelar

Também chamada de condromalácia patelofemoral, a condromalácia patelar trata-se da fase inicial de todo um processo degenerativo que culminará na deterioração da cartilagem da patela, osso situado à frente do joelho e que atua como uma espécie de roldana, deslocando-se no sentido vertical de acordo com os movimentos executados pelo joelho.

condromalacia patelar

Definição da cartilagem da patela

Essa cartilagem é a que reveste a patela, possibilitando que ela execute seus movimentos de subida e descida através da tróclea, um junta articular situada na parte distal do fêmur. A sequência de movimentos efetuada pela patela ocorre à medida em que nós estiramos ou curvamos o joelho.

Como a referida cartilagem também recobre a tróclea, existe um mecanismo perfeito que favorece o deslocamento instantâneo da patela em virtude da inexistência de atrito relevante para causar obstrução.

Níveis de desgaste da cartilagem da patela

O desgaste dessa cartilagem é classificado em quatro níveis. No 1º nível, a cartilagem passa por um processo que a deixa flácida, podendo apresentar inchaço subcondral. No 2º nível, a cartilagem sofre pequenas aberturas, que normalmente são inferiores a 1,3 centímetros. Já no 3º nível, essas mesmas fissuras se expandem, ultrapassando a marca informada há pouco. Por fim, no 4º nível as rachaduras da cartilagem se tornam tão profundas que atingem o osso.

Existe cura para a condromalácia patelar?

Em tese, o problema é passível de reversão. Isso se aplica somente às pessoas que possuem o 1º nível de desgaste da cartilagem em questão. E mesmo assim, para que o progresso da condromalácia patelar seja interrompido é preciso que o indivíduo proteja-se contra os possíveis estresses causados sobre a cartilagem.

No entanto, para os demais níveis é praticamente improvável inverter o avanço do processo degenerativo. Existem poucos casos isolados de pessoas que conseguiram este êxito.

A dificuldade de regeneração da cartilagem se deve à ausência de circulação sanguínea suficiente na região afetada. Por conta disso, o organismo não consegue cicatrizá-la.

A condromalácia patelar não provoca dores

Muitas pessoas que sofrem com a condromalácia patelar relatam dores contínuas conforme realizam determinados movimentos com o joelho. Daí, criou-se o hábito errôneo de associar as dores a esse problema.

Na verdade, convém esclarecer que em nenhum momento os impulsos nervosos passam pela cartilagem. Logo, é biologicamente impossível que ela origine quaisquer sensações dolorosas. Entretanto, o osso localizado imediatamente sob a cartilagem, juntamente com os tecidos contíguos da patela, costumam ser pressionados, o que resulta nas dores. Assim, deduz-se que essas mesmas dores jamais são oriundas da cartilagem em si, e sim dos tecidos adjacentes a ela.

As dores provenientes do conjunto de tecidos vinculados à patela recebem três denominações distintas: síndrome da dor patelo femoral, síndrome fêmoro-patelar, ou simplesmente dor patelofemoral. É importante observar que determinadas contusões não devem ser consideradas para efeito de diagnóstico, uma vez que não se detêm ligação com a dor patelofemoral – as tendinites, e as lesões meniscais são ótimos exemplos disto.

Diferenças entre a condromalácia patelar e a síndrome da dor patelo femoral

Esse é outro grande equívoco cometido pela maioria da população. Embora seja difícil distinguir a origem exata da dor patelofemoral, ela nasce em qualquer um dos tecidos que contornam a região da patela, ou seja, fáscias, osso subcondral, membrana articular, dentre outros.

Apesar da condromalácia patelar ocorrer simultaneamente ao processo doloroso atribuído à síndrome da dor patelo femoral e de ambos os problemas terem uma mesma motivação (excesso de atividades físicas que sobrecarregam a articulação do joelho), eles não devem ser confundidos, além de possuírem características próprias.

Essa dissociação entre a condromalácia patelar e a respectiva síndrome justifica a não relação direta existente entre o grau de profundidade da dor e o nível de desgaste sofrido pela cartilagem. Isso permite afirmar que é perfeitamente possível que alguém que esteja no 3º nível de progresso de degradação da cartilagem sinta dores menos intensas que outra pessoa ainda no segundo estágio do processo.

Mesmo assim, cabe frisar que o avanço do nível do processo degenerativo pode, sim, ampliar a sensibilidade do indivíduo às dores, já que o osso se torna cada vez menos desprotegido, o que tende a gerar atritos e, por conseguinte, dores mais agudas.

Características da dor patelofemoral

De uma forma geral, essa dor é assinalada por um incômodo sentido na parte traseira da patela ou no seu entorno. Essa sensação dolorosa se acentua durante qualquer movimento em que o joelho seja articulado. Como o joelho é flexionado o tempo todo, quem tem o problema tende a sentir dores mais, ou menos profundas, ao efetuar ações simples, como caminhar por escadas, correr, e agachar.

Outro aspecto marcante da dor patelofemoral é que ela também pode se manifestar quando a pessoa permanece sentada por períodos prolongados, como quando ela vai assistir a uma sessão de cinema.

Existem sintomas nítidos de que há algo errado no joelho e que podem estar vinculados à síndrome. Esses sinais são uma perceptível redução da capacidade de mobilidade do joelho, o som de rangidos quando o joelho é articulado, ou quando em determinados momentos o joelho emite o som de um estalo ao ser dobrado.

Causas que levam ao desenvolvimento da condromalácia patelar

O que gera a condromalácia patelar é a elevação da quantidade de atrito entre a tróclea e o osso patelar, que em condições normais é praticamente nulo. Essa nova situação faz com que o contínuo contato entre ambos resulte no desgaste do segundo.

Dentre as causas da condromalácia patelar, destaca-se o conjunto de movimentos incorretos (seja durante a prática de esportes ou no próprio cotidiano), contração de determinados tecidos ou massas musculares, modificações da estrutura anatômica, e o definhamento de músculos específicos. Ressalte-se que também existe a possibilidade de que um ou mais desses fatores ocorram de forma concomitante. É o caso das mudanças de movimentos, que podem ter sua origem na contração muscular, por exemplo.

Em contrapartida, a condromalácia patelar também pode surgir apenas mediante traumatismo sofrido pelo joelho, mesmo que o indivíduo não apresente nenhuma das causas anteriores.

Por que a condromalácia patelar redunda da movimentação incorreta?

As alterações dos movimentos efetuados refletem nos próprios deslocamentos realizados pela patela. Logo, isso pode ampliar o atrito entre ela e a tróclea, seja pela lateral, ou em decorrência da relação existente entre os movimentos executados pela tíbia e pelo fêmur.

Como a patela é conectada à perna por meio do chamado ligamento patelar, e encontra-se vinculada à coxa por meio de um tendão, quaisquer modificações existentes no quadril, pernas, ou nos pés influenciam diretamente nos movimentos da própria patela.

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Para ilustrar, sempre que uma das pernas, ou coxas, por exemplo, se movimenta para qualquer um dos lados, o trecho inferior da patela acompanhará o movimento. Desse modo, quando os pés mudam a forma de pisar na superfície, isso pode acarretar uma alteração no comportamento das pernas, e consequentemente afetar as rotações executadas pela patela.

Entretanto, convém ressaltar que mesmo sem modificações dos movimentos efetuados pelo quadril, pernas, ou pés, a patela pode acabar se fixando em uma parte específica da região ocupada por ela. Isso acontece quando um ou mais tecidos que revestem a patela (são muitos) sofrem um processo de inflamação, que por sua vez pode ter diversas causas, como modificações nos nervos, má postura, etc.

Outra razão para o problema é o enfraquecimento de determinados músculos (o vasto medial é um deles). Detalhes como esses comprometem o alinhamento da patela enquanto o joelho estiver se movimentando, amplificando o volume de atrito.

Modificações dos movimentos do tornozelo e do pé que levam à condromalácia patelar

Quaisquer distúrbios relacionados aos movimentos de supinação (movimento que caracteriza o encontro dos pés com a superfície) e pronação (caracterizado pela adaptação dos pés à superfície) modificam a rotação da perna. Lembrando que a patela é presa à perna, ela sofre diretamente influências geradas por transformações dos movimentos.

Assim, quando o indivíduo tem o pé com pronação em excesso, a perna e o joelho acabam sendo deslocados para o lado interno do corpo. Consequentemente, a patela desliza lateralmente sobre a tróclea.

Já quando a pisada é excessivamente supinada, ocorre exatamente o inverso, ou seja, a perna e o joelho pendem para o lado externo, movimento igualmente acompanhado pela patela, que se choca com a tróclea, causando uma pressão que terminará por desgastar a cartilagem que reveste ambas as partes.

As pisadas que colocam a maior parte da sola dos pés no lado externo do corpo podem ser resultantes tanto da pisada pronada como da supinada. Seja como for, o fato é que essa situação amplia consideravelmente o nível de pressão exercida sobre a cartilagem.

Note-se que essas modificações quanto ao movimento dos pés podem não apenas servir de estímulo ao desenvolvimento da condromalácia patelar, mas também piorar o problema, caso ele já exista.

Movimentos do quadril que podem resultar na condromalácia patelar

A referência ao quadril se deve à associação mantida pela articulação estabelecida entre os ossos bacia e fêmur. Partindo desse princípio, basta afirmar que quaisquer mudanças rotacionais sobre o fêmur, evidenciadas pelo movimento das coxas direcionados ao lado externo ou interno, comprometerá o posicionamento da patela.

Quando a coxa realiza o movimento externo (girando para fora), a patela fica propensa a se voltar para o lado interno e vice-versa. A diferença é que na segunda hipótese, com a coxa pendendo para dentro, o joelho acompanha o mesmo movimento, o que aumenta o distanciamento da patela no sentido oposto.

Com relação às modificações anatômicas

As alterações anatômicas correspondem às transformações da estrutura óssea. Em outras palavras, não se trata de modificações ligadas à postura. Logo, não redundam da realização de atividades ou treinamentos físicos. Na verdade, quando existem essas modificações anatômicas, os ossos possuem um formato distinto do que é considerado padrão.

Desse modo, na anteversão da cabeça femoral, por exemplo, há uma diferença na rotação do eixo do osso fêmur, induzindo-o para o lado interno. Ilustrando, essa é uma situação em que as coxas ficam direcionadas para o lado interno e, automaticamente, os pés seguirão a mesma trajetória. Como se trata de um posicionamento corporal totalmente inapropriado para praticar uma simples corrida, ou até mesmo caminhar, naturalmente o corpo força os pés a se endireitarem.

Contudo, isso acontece mediante a rotação dos joelhos para o lado externo. Como a tróclea insistirá em pender para o lado interno e a patela acompanhará o movimento externo, o atrito entre elas será inevitável, criando um ambiente propício para o aparecimento da condromalácia patelar.

Outra alteração anatômica é a retroversão da cabeça femoral, exatamente oposta à anteversão, ou seja, induz o fêmur a girar para o lado externo. Neste caso, enquanto a patela tende a se movimentar para o lado externo, a rotação do joelho se volta para o interno.

Naturalmente, também existem modificações anatômicas nos pés. Nestes casos, geralmente o trecho frontal dos pés aparece torto com relação à parte traseira, estimulando uma pisada excessivamente pronada ou supinada. Os efeitos dessas mudanças são equivalentes ao que já foi relatado previamente.

Já o pé de Morton é um fenômeno no qual o segundo dedo do pé é mais extenso que o dedão. Isso acontece quando o dedão possui um 1º metatarso inferior. Esse pequeno detalhe faz com que o indivíduo pise de maneira mais lateral (pés direcionados ao lado externo) durante uma corrida ou caminhada. O intuito é compensar a falha anatômica e, assim, proporcionar a propulsão necessária ao dedão. Por conseguinte, isso novamente acarretará uma pisada excessivamente pronada.

Por sua vez, o fenômeno tíbia vara é determinado quando o respectivo osso mantém o eixo pendendo para o lado interno do corpo, orientando-se de cima para baixo. Isso faz com que essa variante de tíbia não seja plenamente reta, uma vez que ela recai para dentro.

Para evitar a condromalácia patelar de maneira eficaz, é prudente verificar em conjunto com um médico quais são as características da estrutura óssea. Conhecendo melhor o próprio corpo fica bem mais fácil prever quais movimentos podem resultar problemas dolorosos no futuro.

Com relação ao definhamento muscular

Os músculos que normalmente estão correlacionados ao desenvolvimento da condromalácia patelar são o vasto medial oblíquo (pertencente ao joelho), e o glúteo médio posterior (constituinte da bacia). Cabe destacar que o esgotamento de qualquer um deles interfere na interação mantida entre a tróclea e a patela, o que frequentemente resulta na constrição da segunda.

Em se tratando do músculo vasto medial oblíquo, ele é incumbido de impulsionar a patela para o lado interno. Logo, se esse músculo estiver debilitado, seja qual for o motivo, a patela não será levada para dentro, sendo tencionada para o lado externo.

Como já mencionado outras vezes, essa circunstância resulta no aumento do atrito entre patela e tróclea. Neste caso, o atrito ocorre exatamente entre a área frontal da primeira com a parte lateral da segunda.

Já o músculo glúteo médio posterior está alojado na lateral da bacia. Um dos papéis desempenhados por ele é o de promover o giro do quadril, isto é, conduzir a coxa para o lado externo do corpo, ou gerenciar o giro dela voltado para o lado interno. Relembrando, a coxa não deve pender em excesso para o interior, pois nessas situações a patela é pressionada junto à parte lateral da tróclea. Ademais, esse movimento falho estimula o joelho a acompanhar o fluxo e se deslocar para dentro.

Esses dois músculos são apenas dois exemplos básicos, uma vez que existem muitos outros que podem gerar significativa influência sobre os movimentos executados pelo joelho. Para saber mais a respeito, é primordial que todos se consultem com um fisioterapeuta. Esse profissional fará uma análise minuciosa de cada caso, pois embora o organismo humano seja um só, todos os indivíduos estão sujeitos a peculiaridades quanto à estrutura anatômica.

Mais detalhes sobre as influências provocadas pelos tecidos e músculos contraídos

Os tecidos conjuntivos que se encontram abaixo da epiderme podem se contrair, o que provoca interferências diretas nos deslocamentos da patela. Essa interposição também pode ocorrer de forma indireta, quando os referidos tecidos comprometem os movimentos efetuados pelas pernas e, consequentemente, os deslocamentos da patela.

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Considerando que a patela esteja fixa em um determinado ponto (ao alto, abaixo, ou nas laterais), ao se dobrar ou estirar o joelho, ele tende a ficar retesado, o que proporciona uma redução ou aumento dos movimentos executados verticalmente.

Com isso, a perna pode igualmente permanecer fixa, voltada para o lado externo, impulsionando a patela para esta mesma direção durante o ato de flexionar o joelho. Resultado: a patela ficará comprimida junto à área lateral da tróclea. O chamado tensor da fáscia lata é um músculo que, quando contraído, pode ocasionar a mesma consequência, fazendo com que o joelho seja constantemente induzido para dentro.

Caso os tecidos presentes na região ocupada pela patela fiquem extremamente contraídos, a patela também pode acabar sendo apertada contra a tróclea, mas sem estimular uma modificação muito significativa do posicionamento da primeira.

Tratamento para condromalácia patelar

O tratamento destinado à condromalácia patelar visa gerar proteção para a cartilagem, ao mesmo tempo em que se busca reduzir a pressão exercida sobre ela. Para atingir esses objetivos utiliza-se uma classe de medicamentos denominada condoprotetores, criados para prevenir ou amenizar a degeneração sofrida pela cartilagem.

Considerando a parte do tratamento ligada aos exercícios de fisioterapia, eles só devem ser adotados depois que o médico realizar uma profunda análise clínica de todos os possíveis aspectos que estejam colaborando para o surgimento da condromalácia patelar ou para a agravamento dela.

Como pode-se imaginar, existe uma série de fatores que podem estar atrelados ao problema, como modificações anatômicas, movimentos executados de maneira incorreta, músculos debilitados, atividades físicas repetitivas que utilizam as articulações em demasia, obesidade, excesso de treinamentos esportivos, e perda de flexibilidade dos tecidos. Não raro, vale a pena notar que pode haver correlação entre uma ou mais dessas modificações.

Conforme a análise efetuada, o médico obterá um filtro sobre todos os fatores, chegando aos que realmente se aplicam a cada paciente. Posteriormente, o fisioterapeuta estabelecerá um programa de recuperação, traçado a partir de diversas orientações repassadas ao paciente, tais como: recomendações sobre as atividades que podem sobrecarregar a patela, exercícios de alongamento indicados e de enrijecimento da massa muscular, prescrição de palmilhas especiais destinadas à correção dos movimentos de pronação ou supinação, orientações gerais quanto à prática correta de exercícios físicos, dentre outros.

Exercícios que visam o fortalecimento dos músculos

Na maioria dos casos, esses exercícios podem ser considerados como um dos passos mais relevantes para tratar a condromalácia patelar. O fisioterapeuta aplica os exercícios conforme ele identifique pontos de fragilidade presentes nos músculos.

Dentre todas as regiões passíveis de serem exercitadas, aquelas que incidem sobre a área do quadril e do tronco ganham destaque devido à influência da região da bacia sobre o joelho. Outros músculos que requerem atenção são os adutores, os posteriores da coxa, os isquiotibiais, os presentes nos glúteos, que circundam a cintura, e os que revestem a região abdominal.

Os quadríceps também exigem atenção, assim como o vasto medial. A proteção da cartilagem está diretamente ligada ao controle da pressão demasiada sobre a patela, razão pela qual os movimentos devem se restringir a uma certa dimensão.

Todavia, sempre é bom enfatizar que esses músculos são apenas os principais e que existem outros que podem fazer toda a diferença para determinadas pessoas. O foco deve estar voltado para a redução da compressão existente sobre a patela para que a cartilagem não venha a sofrer reflexos negativos. Um bom exemplo, que inclui casos verídicos, é o fortalecimento dispensado aos músculos dos pés, o que contribui para amenizar a pronação excessiva.

Outro fator importante e que deve ser mencionado é o equilíbrio que precisa prevalecer entre todos os músculos que compõem o corpo humano. Daí a importância de se avaliar criteriosamente quais são os músculos, de fato, que necessitam de uma atenção mais pormenorizada. Desse modo, evita-se o risco de fortalecer massas musculares que não estão enfraquecidas, o que certamente levaria ao desbalanceamento muscular por completo.

Dentre muitas outras complicações, a perda do equilíbrio entre os músculos pode promover o rompimento do ligamento cruzado anterior. Finalmente, esse mesmo equilíbrio é fundamental para qualquer organismo, e não somente aqueles que apresentam a condromalácia.

Reaprendendo a se movimentar

Há muitas formas de reeducar as pessoas quanto à forma de se movimentar corretamente. A mais usual, preponderantemente utilizada para correção dos movimentos executados por atletas, recorre ao recurso da imagem, seja em foto ou vídeo, para posterior análise e diagnóstico dos movimentos incorretos que possam estar sobrecarregando o joelho.

Após avaliação, os fisioterapeutas se reúnem com o esportista e passam orientações, devidamente ilustradas por trechos do vídeo, a fim de que não fique nenhuma dúvida quanto ao modo inadequado e ao apropriado.

Quando se trata da correção do movimento ligada às atividades rotineiras, o recurso do audiovisual não é tão útil. Além disso, como já apresentado anteriormente, existem muitos outros fatores que podem culminar na condromalácia patelar, como músculos enfraquecidos, ou tecidos contraídos, só para citar dois exemplos. Além disso, se for este o caso, o corpo tende a se alinhar após a perfeita correção.

Desse modo, fica evidente que os próprios exercícios voltados para o fortalecimento muscular devem ser encarados como formas viáveis para corrigir o movimento. Essas baterias de exercícios também são indispensáveis por reequilibrar as massas musculares, ajudando a proteger a cartilagem.

Utilizar fitas adesivas e bandagens também pode ser de grande valia, principalmente quando elas são aplicadas diretamente sobre a patela, estimulando-a a se alinhar com relação à tróclea. O uso consistente do método tende a contribuir para o despertar do músculo vasto medial.

Observe-se que não há uma maneira única para corrigir os movimentos e combater a condromalácia patelar.

Exercícios de alongamento indicados para condromalácia patelar

Proporcionando resultados extremamente gratificantes, os exercícios de alongamento têm a vantagem de serem muito flexíveis, o que possibilita a sua execução através de vários modos. Um bom exemplo é o chamado auto-alongamento, que agrega os exercícios individuais. Mas, também existem os tipos assistido (quando há a ajuda de uma segunda pessoa), o alongamento FNP, e o balístico (utilizado apenas em casos específicos), além de muitos outros.

Para que o indivíduo consiga aprimorar sua postura e corrigir possíveis falhas de movimento, é imprescindível que as articulações possam se mover livremente, condição complicada quando os tecidos e os músculos não apresentam elasticidade suficiente, estão tensos, ou ainda contraídos.

Considerando as características da condromalácia patelar, as modificações, determinados problemas, como a pendência dos joelhos para o lado interno, ou a rotação para o externo podem ser decorrentes da contração da banda íliotibial (tecido que percorre a lateral da coxa), que pode ser corrigida por meio de alongamentos precisos.

A massa muscular que compõe a panturrilha é outra que tende a ficar contraída, o que pode provocar a pronação do tornozelo no decurso de uma caminhada ou corrida. Uma das consequências deste processo é a indução do joelho para o lado interno, colaborando para o desenvolvimento da condromalácia patelar. Por essa e outras razões, os músculos deste grupo devem igualmente ser alongados.

Técnicas articulares manuais

Através desse método, o fisioterapeuta objetiva restaurar os micromovimentos das articulações, fundamentais para que todos nós possamos executar os movimentos essenciais relacionados à flexão do joelho do modo apropriado.

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Visando a recuperação das funções normais do joelho, as referidas técnicas focam as articulações situadas entre o fêmur e a patela, ou ainda em meio à tíbia e o fêmur. Recordando que a patela pode se prender em uma das laterais, ou sobre os pontos superior e inferior da sua área de deslocamento, essa circunstância tende a pressionar a cartilagem.

Isso pode acontecer, por exemplo, com uma patela localizada em um ponto excessivamente acima do usual, deixando de acompanhar a tróclea quando deveria. Essa ausência de sincronia faz com que a patela encontre a tróclea em uma posição desfavorável, provocando compressão da primeira sobre a segunda.

Utilização de fitas adesivas ou bandagens

Além de estimular os músculos sobre os quais sejam aplicadas, as fitas adesivas, ou bandagens, também promovem o aperfeiçoamento do movimento articular considerado ideal.

Pensando em um tratamento que aborde a dor patelofemoral e a condromalácia patelar, os fisioterapeutas costumam indicar o uso de bandagens que impulsionam a patela para a parte interna do corpo. Essa recomendação está embasada na crença de que, na maioria dos casos, o músculo vasto medial oblíquo permanece inerte e precisa ser ativado, ao passo que os tecidos laterais devem ser alongados. Ambos os efeitos são proporcionados através do uso regular das bandagens.

As aplicações mais usuais são efetuadas sobre os joelhos. Entretanto, cabe ao fisioterapeuta identificar corretamente qual é o posicionamento da patela para que ele saiba exatamente onde colocar as bandagens.

Utilização de palmilhas

As palmilhas têm a função de retificar possíveis deformações das pisadas dos pés sobre o solo, que geralmente influenciam negativamente o mecanismo de funcionamento do joelho. Elas são igualmente úteis para nivelar possíveis diferenças de comprimento, quando um membro for maior do que o outro.

Basicamente, as palmilhas são grandes aliadas das pessoas que apresentam problemas correlacionados à pronação ou supinação do pé. Quando preparadas sob medida para cada paciente, as palmilhas corrigem todas as falhas inerentes à maneira como o indivíduo pisa sobre o solo, o que consequentemente devolve a harmonia dos movimentos naturais e funcionais do joelho. Em meio a esse equilíbrio, dificilmente ocorrerá uma compressão prejudicial sobre a patela, o que por sua vez gera uma proteção à cartilagem.

Quem possui pernas com tamanhos diferentes acaba sofrendo consequências que vão além desses membros. Esteja o indivíduo em movimento ou parado, essa deformação também provoca uma assimetria sobre a área situada na região da bacia.

Portanto, buscar o equilíbrio da altura dos membros deve ser uma preocupação diretamente vinculada à saúde do paciente, não se limitando a uma preocupação estética.

Técnicas de liberação manual do tecido

Na verdade, as técnicas de liberação manual do tecido constituem um conjunto composto por diversas massagens com função terapêutica.

Dentre as modalidades, destaque para a massagem japonesa shiatsu, que tem o objetivo de promover o relaxamento de músculos que estejam muito rígidos, ao mesmo tempo em que ajuda a corrigir a postura da coluna vertebral. O método da massagem shiatsu é baseado na compressão das áreas em foco.

Outra modalidade que merece menção é o grupo de massagens com técnica deslizante. O foco dessas massagens recai sobre os tecidos e músculos, contribuindo para o alongamento dos últimos.

De um modo geral, sempre que um fisioterapeuta recomendar um determinado tipo de massagem o intuito será promover a libertação de possíveis tecidos presos, além de aprimorar a funcionalidade dos músculos.

Seguindo o mesmo conceito, os profissionais que aplicam as chamadas “técnicas de pontos gatilho” detectam locais específicos dos músculos que estejam endurecidos, pressionando-os a fim de liberar toda a tensão alojada em cada um dos pontos descobertos.

Assim como acontece com outras formas de tratamento, todas essas técnicas são estabelecidas após uma criteriosa avaliação do fisioterapeuta, já que cada caso detém suas próprias particularidades.

Recomendações gerais quanto à sobrecarga imposta à patela

Existem diversas recomendações que devem ser seguidas visando evitar que a patela venha a sofrer possíveis sobrecargas.

O hábito de subir escadas diariamente, por exemplo, certamente pode provocar a condromalacia patelar. Caso o indivíduo possua condropatia, ela tende a piorar, uma vez que o joelho é flexionado em um ângulo no qual a patela é comprimida sobre a tróclea. Quem realiza treinamentos na academia com o uso do step (degrau, em português) também deve ficar atento, pois os riscos são os mesmos.

Efetuar atividades que contenham saltos também tende a agravar o estado da condromalacia patelar. A origem dos riscos é a mesma das escadas, ou seja, a flexão sofrida pelo joelho, seja na subida ou na descida, acarreta o atrito entre a tróclea e a patela.

As articulações devem permanecer em constante alinhamento. Caso contrário, pode haver pressão na patela e, por conseguinte, desenvolvimento da condromalacia patelar.

Atentar-se ao posicionamento dos pés ao caminhar ou correr também é um detalhe que não deve passar despercebido. Conforme citado ao longo desse artigo, problemas referentes aos movimentos de pronação ou supinação desregulados influenciam negativamente a funcionalidade do joelho.

Por essa razão, é altamente indicado que todos utilizem sapatos condizentes com as características dos pés de cada um. Além disso, pares com solas extremamente desgastadas interferem nos movimentos de pronação e supinação. Some-se a isso o uso em demasia de salto alto, peça que colabora bastante para o aparecimento do quadro evidenciado pela condromalacia patelar ou para sua piora. O motivo é a pressão que este tipo de calçado efetua sobre a patela, causando todas as consequências já mencionadas anteriormente.

O enrijecimento dos músculos enfraquecidos é vital para que todos eles entrem em equilíbrio. Quando conquistada, essa condição propicia estabilidade e proteção não só ao joelho, mas a todo o organismo. Com o sistema muscular fortalecido, a cartilagem fica bem mais protegida, dificultando um ocasional desgaste.

A elasticidade dos músculos é vital para que as articulações consigam se movimentar com toda a flexibilidade. Isso possibilita que os músculos mantenham o equilíbrio necessário sobre o nível de tensão. O resultado é um joelho que consegue efetuar qualquer tipo de movimento.

Por último, vale ressaltar que todos devem se movimentar corretamente, pois dessa forma o joelho não será sobrecarregado, condição essencial para que não haja restrições de movimentos e futuras complicações. Seguindo a mesma linha de raciocínio, o fortalecimento dos músculos e a elasticidade dos tecidos são primordiais para proteger o joelho da condromalacia patelar.

Por fim, os atletas devem realizar uma avaliação pessoal sobre seus movimentos. Mas, todos devem realizar uma consulta com um fisioterapeuta para verificar as causas reais da condromalacia patelar e o estágio em que ela se encontra.

Prevenindo a condromalacia patelar

Em resumo, para não ser surpreendido pela condromalacia patelar é preciso priorizar o equilíbrio interno do organismo, deixar os músculos bem fortalecidos e elásticos, praticar movimentos corretos (tanto os cotidianos quanto os atrelados aos treinos esportivos), e moderar a quantidade de atividades físicas que exija muito do joelho.

A condromalacia patelar não é um problema de saúde muito incomum, embora grande parte da população apresente apenas os níveis 1 e 2 da doença.

Qualquer sensação de desconforto sentida em torno da região do joelho, principalmente após exercitá-lo, deve ser encarada como possível indício de condromalacia patelar. Logo, nestes casos o melhor a se fazer é se consultar com um fisioterapeuta, que fará o diagnóstico correto e indicará uma opção de tratamento.

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24. Janeiro 2015 by admin

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