Diabetes – Tratamento, Causas, Sintomas, Complicações e Prevenção

A Diabetes, também chamada de diabetes mellitus ou sacarino, é provavelmente uma das doenças mais referidas a nível mundial, existindo milhões de pessoas que lidam com este problema diariamente, existem também outros tantos que apesar de a terem presente no organismo não sabem disso ainda.

Mesmo sendo um problema de saúde que não tem cura, pelo menos para já e tendo em consideração as técnicas e tratamentos conhecidos para a doença em si, é também um problema que é fácil de controlar e são muitos os que têm uma vida perfeitamente normal, sem alterações significativas, com a doença no seu corpo.

Diabetes Mellitus

Apesar da sua origem ser múltipla, a grande maioria das pessoas acredita que tudo se baseia no tipo (estilo) de vida que as pessoas têm, nos seus hábitos e ainda na escolha alimentar que fazem diariamente, mas existe muito mais para além disso.

A diabetes surge por uma insuficiência no pâncreas, contudo depois desta instalada no organismo, são vários os órgãos afectados, em várias fases, fazendo assim com que se torne uma doença extremamente perigosa, quando não é acompanhada e não tem o tratamento adequado.

A diabetes é essencialmente o nome dado a uma série de distúrbios metabólicos que têm como origem os níveis elevados de glicose no sangue, geralmente conhecidos como excesso de açúcar no sangue, existindo várias classificações para determinar as causas de cada uma delas e ainda o tratamento indicado para as mesmas.

É uma das doenças mais comuns em todo o mundo, sendo que devido ao estilo de vida que a maioria das pessoas hoje em dia apresentam, nomeadamente os adolescentes e pré-adultos, a sua incidência tem sido cada vez maior.

Mesmo que não seja uma certeza ou um dado adquirido, existe uma grande percentagem de diabetes que surgem ligados à má alimentação e à obesidade, algo que hoje em dia é muito comum, principalmente nas sociedades mais evoluídas, quando devia ser exactamente ao contrário.

O que é ?

Em termos resumidos, a diabetes mellitus é uma doença crónica, sem cura para já, que se caracteriza pelo aumento significativo dos níveis de açúcar no sangue (glicose), assim como pela incapacidade que o organismo tem em transformar esse aumento existente.

A glicose está presente nos alimentos que ingerimos, sendo que esta é processada de forma natural pelo nosso organismo, transformando-se posteriormente em glicemia (que é a quantidade de glicose no sangue), sendo que quando esta aumenta, diz-se que o paciente está com hiperglicemia.

A diabetes é essencialmente a falha que o organismo tem perante a insulina produzida ou então a incapacidade desta fazer o seu trabalho normalmente.

Enquanto que a glicose é a fonte de energia mais importante para todo o organismo, quando esta se encontra com níveis muito acima do normal, surgem os vários problemas de saúde adversos, nomeadamente a nível de cansaço e dificuldade de fazer algumas tarefas muito comuns.

Essa glicose é ingerida através dos alimentos normais do dia-a-dia, nomeadamente os carboidratos (hidratos de carbono), no entanto quando existe em valores acima do normal, o pâncreas liberta automaticamente o hormónio insulina, que tem como principal função baixar os níveis aos aceitáveis para manter o bom funcionamento do organismo.

A insulina é também responsável pelo armazenamento desta glicose no fígado, sendo que isto é essencial para que não seja necessário estar constantemente a ingerir alimentos, podendo assim o organismo recorrer a esse armazenamento para se manter estável.

Como é lógico, um mau funcionamento da insulina ou a falta desta, impedirá que os níveis de glicose se normalizem e com isso vêm os outros problemas todos que iremos referir posteriormente.

Assim, a diabetes surge nos pacientes por falta de produção de insulina ou pela incapacidade desta fazer o seu trabalho normalmente, contudo existem casos em que os dois problemas estão de mãos dadas e aí o tratamento é mais específico.

O resultado disto poderá trazer dois grandes problemas para o organismo do paciente, em primeira instância, tendo em consideração que as células necessitam da glicose para funcionarem em pleno, deixam de o fazer progressivamente até causarem sinais e sintomas mais evidentes, porém ao fim de alguns anos com a doença no organismo, a lesão será nos vasos sanguíneos, levando assim a outro tipo de complicações, como os problemas renais, a cegueira, as doenças cardiovasculares, as lesões neurológicas, a gangrena, entre outros.

Epidemiologia

Tendo em consideração a distribuição da diabetes em si, esta é uma doença que está presente em praticamente todo o planeta, sendo muito mais evidente nas zonas mais desenvolvidas, como é o caso da Europa e da América do Norte.

No que diz respeito a Portugal, segundo as estatísticas feitas recentemente, estima-se que a diabetes afecte aproximadamente 500 mil pessoas, cerca de 5% da população.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, no ano de 2006, existiam cerca de 170 milhões de pessoas com diabetes em todo o mundo, porém com a tendência de urbanização e mudança de estilos de vida que se vem sentindo nos últimos anos, é esperado que esse número duplique até ao ano de 2035.

Assim, a diabetes mellitus está na lista das 5 doenças com maior índice de morte em todo o mundo, mostrando assim a importância que tem e a necessidade de a adopção de hábitos saudáveis e estilos de vida alternativos.

Apesar destes dados, segundo especialistas de todo o mundo, acredita-se que perto de 50% dos portadores de diabetes não tenham conhecimento do seu próprio diagnóstico, principalmente aqueles que ainda não têm sinais ou sintomas. Este aumento progressivo da doença está ligado directamente ao aumento do sedentarismo, obesidade e envelhecimento da população.

Causas

Tendo em consideração que existem vários tipos de classificação e tipos de diabetes, existem também vários tipos de causas possíveis para o seu surgimento, sendo que estes levam assim à distinção dos tipos, já que os pacientes que têm diabetes tipo 1 têm determinados problemas no organismo, diferentes na maioria das vezes daqueles que possuem diabetes tipo 2.

Em primeiro lugar, antes de avançar para as causas de cada um dos tipos de diabetes, é essencial lembrar que algumas características genéticas, hereditárias, étnicas e até relacionadas com o ambiente podem desencadear o aparecimento deste problema, sendo que estas são mais simples de identificar por especialistas.

Em termos práticos, a causa da diabetes tipo 1 é a falha na produção de insulina na quantidade suficiente para o bom funcionamento do organismo, contudo a causa da diabetes tipo 2 é a falha que o organismo apresenta no uso dessa insulina produzida, de forma correcta.

Por último, as causas da diabetes gestacional ainda não foram desvendadas por especialistas, porém existem alguns que afirmam que estar acima do peso, ter um bebé de peso acima do normal (mais de 4 quilos), ter o síndrome do ovário policístico ou o historial familiar do mesmo problema, podem ser indícios e fatores que levam ao aparecimento da doença.

Assim, existem várias possíveis causas para o aparecimento da diabetes, sendo que estas causas estão relacionadas directamente com o mau funcionamento do pâncreas (nomeadamente na produção de insulina) e ainda na incapacidade que esta tem em fazer a sua acção normalmente. Entre as causas mais comuns destaca-se:

  • – defeito genético no funcionamento da célula beta;
  • – problemas e doenças no pâncreas, como a pancreatite crónica, pancreatectomia, neoplasia do pâncreas, fibrose cística, hemocromatose ou pancreatopatia fibrocalcular;
  • – doenças que afectam directamente o sistema endócrino (formado pelo conjunto de glândulas que têm como função principal a produção de secreções)
  • – algumas infecções virais, destacando-se a infecção por citomegalovírus e pelo Coxsackievirus B4;
  • – algumas drogas
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Como já foi referido em cima, existem alguns factores genéticos que se tornaram tão importantes que muitas vezes nem existe necessidade de exame para diagnóstico, sendo estes o principal factor de perto de 30% dos casos de diabetes tipo 1 e cerca de 10% do caso do tipo 2.

No caso da diabetes tipo 1, os mais afectados são as crianças e adolescentes, sendo que pode ter origem monogénica, centrando-se apenas no defeito de um gene, como também poligénica, com defeitos em vários genes em áreas secundárias.

No caso da diabetes tipo 2, existe também um fator genético, incidindo principalmente em gémeos idênticos (50 a 80%) e não idênticos (20%). Por último, é importante lembrar que mesmo com influência genética, hábitos saudáveis e uma vida equilibrada retarda o aparecimento da doença e o seu progresso, tornando-se essencial uma atenção redobrada para os obesos, hipertensos e dislipidémicos.

Classificação e Tipos

Tal como acontece com outras doenças, dependendo da causa para o seu aparecimento, existe uma classificação específica e a diabetes poderá ser diferenciada da seguinte forma:

  • Diabetes tipo 1 – podendo ainda ser autoimune ou idiopático, sendo que neste caso a diabetes é caracterizada pela destruição das células do pâncreas, levando assim a uma deficiência completa da insulina.
  • Diabetes tipo 2 – neste caso em particular existem vários graus de diminuição da secreção e da resistência que o próprio organismo tem perante a insulina.
  • Diabetes Gestacional – conhecido por surgir apenas em momentos de gestação, ou imediatamente depois.
  • Outros tipos – não são tão conhecidos, no entanto têm algumas característica que merecem o nosso destaque.

Tendo em consideração que existem muito mais informações necessárias para conhecer cada um dos tipos de diabetes existentes, iremos agora descrever cada um destes relativamente aos sintomas, causas e possíveis tratamentos.

Diabetes Tipo 1

Este é o tipo de diabetes mais raro de todos, sendo que é também conhecido entre os especialistas como a diabetes insulinodependente, isto é, necessita de um tratamento diário para que o organismo continue em funcionamento da melhor forma possível.

Neste caso em particular, o pâncreas não produz a quantidade de insulina suficiente ou esta não tem a qualidade desejada, por isso as células acabam por não conseguir absorver o açúcar necessário, levando a uma série de outros problemas.

É muito mais comum em crianças e jovens, contudo também poderá surgir em adultos e idosos, dependendo das causas que levarem ao surgimento.

Neste caso não estão implicados os hábitos de vida ou uma alimentação desequilibrada, pois o problema está na falta de insulina, necessitando assim de um tratamento contínuo de inserção secundária de insulina para toda a vida, sendo no entanto necessário o acompanhamento do médico, para pequenos ajustes necessários.

Diabetes Tipo 2

É também conhecida muitas vezes como a diabetes não insulinodependente, sendo também a mais frequente de todas, em 90% dos casos. Neste caso, o pâncreas apresenta-se a funcionar perfeitamente, contudo são as células do organismo que têm resistência em relação à acção que a insulina tem normalmente, levando assim a que o pâncreas tenha o trabalho redobrado, tornando-se num ciclo vicioso, pois irá começar a surgir uma dificuldade constante na absorção do açúcar oriundo dos alimentos.

Neste caso em particular, é muito mais comum o seu aparecimento em idade adulta e na maioria dos casos está relacionada com uma má alimentação e uma vida sedentária, por isso a maioria dos especialistas aconselham uma dieta alimentar, para regular os níveis de açúcar no sangue, e a prática de exercício físico, para o seu tratamento.

Podem existir alguns casos em que estas pequenas alterações não são o suficiente para manter controlada a diabetes, sendo assim necessário recorrer a medicação específica e em certos casos até o uso de insulina, mas sempre com acompanhamento e indicação médica.

Diabetes Gestacional

Na maioria dos casos relatados, a diabetes gestacional surge durante o momento da gravidez, desaparecendo no final, no entanto o tratamento é essencial para que não haja uma progressão da doença e esta não passe a tipo 2, ficando instalada permanentemente no organismo, mesmo no final da gravidez.

Mesmo que na maioria dos casos a diabetes desapareça no final do período de gravidez, esta requer muita atenção pois está também a colocar a vida do bebé em risco, por isso é aconselhável a adopção de uma dieta equilibrada, porém se esta não for necessário, poderá ser necessário recorrer ao uso de insulina, para que a gravidez não traga problemas nem para a mãe nem para o bebé, todavia é o obrigatório o acompanhamento médico e a sua indicação para passar para a insulina num momento de gravidez.

Outros Tipos de Diabetes

Existem ainda outros tipos de diabetes, contudo são tão raros, menos de 5% de todos os casos diagnosticados em todo o mundo, que a maioria dos especialistas não lhes dá a devida importância. Geralmente estes estão relacionados com infecções ou o mau funcionamento de um órgão vital, como é o caso do pâncreas neste momento.

Sinais e Sintomas

Como já foi mencionado acima, os diferentes tipos de diabetes mostram-se de formas igualmente diferentes, apresentando sinais e sintomas diferentes, alguns fruto da faixa etária em que estes são mais evidentes.

Em primeiro lugar, segundo o ditado popular, “o seguro morreu de velho”, por isso não há nada mais importante do que identificar as possíveis causas mais próximas de si, nomeadamente a nível de hábitos de vida e alimentação, sabendo assim que as análises devem ser um exame recorrente na sua vida, nomeadamente 1 vez por ano, pelo menos.

Quando estas análises apresentam já valores mais elevados do que os considerados normais, para os especialistas, existem vários tipos de sinais e sintomas que podem surgir, dependendo do tipo de diabetes a que esteja sujeito.

No caso da diabetes tipo 2, geralmente associado a adultos, manifesta-se segundo os seguintes sinais e sintomas:

  • Urina em excesso: necessidade de urinar muito mais vezes do que o normal e em maior quantidade, surgindo com maior incidência durante a noite
  • – sede e fome constante e intensa, sem um motivo aparente
  • – um cansaço fora do normal, mesmo quando não existe causas para isso
  • – aparecimento de alguma comichão (coceira) no corpo, nomeadamente nos órgãos genitais
  • – podem ainda ocorrer, em casos mais graves, a visão turva
  • – aparecimento de infecções frequentes, sem causas associadas
  • – uma dificuldade contínua na cicatrização de cortes
  • – aparecimento de algum formigueiro nos pés e mãos

Já no que diz respeito à diabetes tipo 1, mais comum nas crianças e jovens, esta surge de uma forma repentina, sem grandes motivos aparentes, contudo os sintomas são bastante nítidos, entre eles destaca-se:

  • – necessidade de urinar mais vezes do que o normal, podendo acontecer até em algumas crianças voltarem a urinar na cama, devido à urgência e rapidez de vontade
  • – uma sede fora do normal, sem motivo aparece
  • – um emagrecimento demasiado acentuado
  • cansaço excessivo, com algumas dores musculares existentes, mesmo quando não houve qualquer prática de exercício ou esforço adicional
  • – comer em grande quantidade, sem sentimento de aproveito da refeição
  • – aparecimento de algumas dores de cabeça, vómitos e náuseas
  • – um nervosismo fora do contexto e até mudanças de humor repentinas
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Como é fácil perceber, a diabetes tipo 1 apresenta sinais e sintomas muito mais fáceis de identificar, até porque dado o seu aparecimento essencialmente em jovens, os sinais tornam-se muito mais alarmantes para os pais.

Já no caso da diabetes tipo 2 poderá não se manifestar tão claramente e manter-se no organismo por anos sem que seja diagnosticada. Quando os sintomas se tornam demasiado evidentes, possivelmente poderá indicar que a glicemia está já demasiado elevada, podendo assim trazer complicações, nomeadamente na visão, no momento do diagnóstico da doença.

Fatores de Risco

Tal como acontece na maioria das doenças, nomeadamente as que se encontram no top das mais preocupantes a nível mundial, existem sempre fatores de risco a ter em consideração, já que na maioria dos casos são estes os que dão o alerta para a possibilidade do aparecimento da doença.

No caso da diabetes, os factores de risco mais importantes são:

  • – idade superior a 45 anos, se mantiver uma vida estável a idade poderá subir aos 55 anos
  • – obesidade, não é necessário que seja o dobro do peso aconselhado, sendo apenas que o índice de massa corporal indique peso acima do valor indicado para o seu género e idade
  • – historial de família de presença de diabetes em parentes de 1º grau, pode também ser importante analisar parentes de 2º grau, porém não têm a mesma importância
  • – presença de diabetes gestacional, que ocorre numa grande percentagem de casos
  • hipertensão arterial sistémica
  • – valores anormais nomeadamente a nível de colesterol e triglicerídeos, nomeadamente colesterol abaixo dos 35 mg/dl e/ou triglicerídeos acima dos 250mg/dl
  • – alterações, desde que com valores significativos, da regulação da glicose
  • – pessoas que se encontram dentro das populações chamadas de risco, como os negros, hispânicos, escandinavos e indígenas.

Diagnóstico

Sendo esta uma doença tão comum entre a população dos dias de hoje, o diagnóstico é também muito conhecido entre a maioria, já que tanto é referido pelos médicos, muitas vezes os exames são realizados sem a prévia indicação da possibilidade da doença, apenas como forma de prevenção.

Assim, o primeiro exame médico a realizar é o exame de sangue, realizando uma colheita de sangue depois do paciente permanecer em jejum por 8 horas, podendo beber água. Neste momento são analisados os dados e o momento seguinte prende-se com a ingestão de 75g de glicose anidra, dissolvida em água, aguardando depois pelo momento de uma nova análise, que deve ocorrer após 2 horas após esta ingestão, sendo que durante esse momento os pacientes não podem fumar e devem permanecer em repouso.

Assim, depois desta primeira análise, é importante caracterizar a diabetes de acordo com os valores apresentados, sendo que existem três possibilidades:

  • – Nível plasmático de glicose em jejum de 8h maior ou igual a 126 mg/dL (7,0 mmol/l) nas duas ocasiões.
  • – Nível plasmático de glicose maior ou igual a 200 mg/dL ou 11,1 mmol/l duas horas depois dos pacientes ingerirem uma dose de 75g de glicose anidra em duas ocasiões.
  • – Nível plasmático de glicose aleatória com valores acima de 200 mg/dL ou 11,1 mmol/l associados a sinais e sintomas típicos de diabetes.

Existem assim valores pré-definidos que levam os médicos especialistas a perceberem se o paciente terá ou não problemas com a diabetes, tendo em consideração também o estilo de vida e outros factores condicionantes, já que os mesmos valores podem ter leituras diferentes para pessoas diferentes.

No que diz respeito aos valores em jejum, idealmente o paciente deve apresentar valores abaixo dos 100 mg/dl, sendo considerado normal, sendo que se este valor subir até aos 125 mg/dl diz-se que o paciente está em pré-diabetes, sendo que é nesse momento que os especialistas devem analisar os restantes fatores de risco. Com valores acima dos apresentados acima, existe assim o critério para o diagnóstico de diabetes.

Porém estes valores sobem significativamente quando o paciente não se encontra em jejum, podendo apresentar valores acima dos 126mg/dl e não significar a existência de diabetes.

Por último, existe ainda a opção dos pacientes fazerem o teste de glicemia capitar, em que este é feito através de uma pequena gota de sangue, com um aparelho de leitura da concentração de glicose sanguínea, sendo que os valores apresentados aqui devem ser sempre comparados aos anteriores, seguindo as indicações médicas para os sintomas e fatores de risco apresentados.

Fatores Genéticos

Existem vários fatores de risco para a diabetes, independentemente do tipo de diabetes que estamos a referir, contudo os fatores genéticos são também aqueles que apresentam a maior evidência, tornando-se um principal factores em cerca de 30% dos casos de tipo 1 e em 10% dos casos de tipo 2.

Em termos gerais, a maioria destes fatores genéticos resultam numa problema directamente com o pâncreas, nomeadamente uma disfunção do mesmo na produção de insulina. No caso do tipo 1, este geralmente atinge maioritariamente crianças e adolescentes, principalmente pelo factor genético, podendo ter origem em apenas um gene defeituoso (nas áreas centrais da produção da insulina) ou em várias áreas e em vários genes.

Infelizmente, segundo dados e estatísticas feitas em todo o mundo, cerca de 12% da população principalmente ocidental, apresenta um ou mais genes favoráveis ao aparecimento da diabetes. Já no que diz respeito à diabetes tipo 2, esta apresenta também factores genéticos, ocorrendo principal em gémeos, nomeadamente em 80% de gémeos idênticos e 20% de não idênticos.

Os nativos americanos do Arizona, chamados de Pima, têm também uma forte tendência a desenvolverem a doença, enquanto que pelo contrário os grupos orientais têm apenas 1% de probabilidades.

Todavia, é importante lembrar que mesmo com todos estes factores genéticos, a maioria dos pacientes consegue controlar, prevenir e até adiar o aparecimento desta doença, através da adopção de uma vida repleta de hábitos saudáveis, já que geralmente esta doença está associada a obesidade, hipertensão e sedentarismo.

Possíveis Complicações

Existem ainda algumas possíveis complicações que podem vir através da doença, seja de uma evolução extremamente rápida, ou então da falta de tratamento da mesma. A maioria das pessoas que tem diabetes vive imensos anos sem qualquer tipo de complicações, adoptando um estilo de vida saudável e convivendo com a doença de uma forma natural, porém podem existir exceções e é nesses casos que é necessário ainda mais atenção.

Assim, as possíveis complicações mais comuns são:

Retinopatia diabética

Trata-se de lesões que surgem essencialmente na retina do olho, tendo como consequência inicial pequenos sangramentos e resultado final alguma perda da acuidade visual, causando assim um sentimento de incómodo para os pacientes.

Nefropatia diabética

Um problema muito comum, tem como consequência a possível alteração nos casos sanguíneos dos rins, levando assim a uma perda significativa de proteína através da expulsão da urina. Nestes casos os rins podem sofrer algumas alterações a nível de funções, de forma progressiva, até à paralisação total.

Neuropatia diabética

Devido à incapacidade que os nervos têm em receber e transmitir as mensagens ao cérebro, os pacientes ganham alguns sintomas como formigueiro ou dormência nas pernas, pés e mãos, algumas dores e falta de equilíbrio, um enfraquecimento muscular, pressão baixa, alguns distúrbios digestivos leves e até impotência, para os pacientes masculinos.

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Pé diabético

É provavelmente uma das complicações mais temidas por todos os pacientes, sendo que acontece quando surge uma área nos pés, desenvolvendo uma ferida, devido à deficiente circulação sanguínea e à falta de controlo dos níveis de glicemia. Estas feridas e complicações devem ser tratadas imediatamente, caso contrário em termos de evolução, pode chegar mesmo à necessidade de amputação do membro afectado.

Infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral

Quando a diabetes começa a afectar todo o organismo, uma das possíveis complicações prende-se com os vasos sanguíneos que são afectados, podendo até levar à obstrução dos mesmos. O problema prende-se é com a obstrução de vasos sanguíneos para órgãos vitais, nomeadamente coração e cérebro. Obviamente que estas complicações não vêm directamente da diabetes, porém existe uma maior incidência nos diabéticos, por isso os cuidados devem ser redobrados.

Infecções variadas

Devido ao excesso de glicose no organismo, podem ocorrer alguns danos no sistema imunológico, aumentando assim as probabilidades dos pacientes com diabetes contraírem vários tipos de infecções, isto porque os glóbulos brancos, que são os responsáveis por manter o organismo livre de bactérias e vírus, ficam menos eficazes do que o normal. Além disso, os altos níveis de açúcar no sangue são propícios para fungos e bactérias se instalarem em algumas zonas do organismo, nomeadamente boca, pulmões, pele, pés, órgãos genitais e até possíveis cicatrizes.

Tratamento

Infelizmente a diabetes é uma doença crónica, sem cura, por isso os tratamentos indicados para a diabetes prendem-se essencialmente com a prevenção da evolução da doença e ainda a anulação do aparecimento de outros problemas de saúde, possivelmente relacionados com a doença, seja a curto, médio ou longo prazo.

O primeiro tratamento pelo qual os pacientes têm de passar é pela consciencialização da doença em si e pela re-educação do paciente em relação ao tipo de vida e aos hábitos que terá que adoptar no momento.

Posteriormente, os pacientes têm que adoptar uma nova alimentação e uma dieta equilibrada para o tipo de diabetes que têm, além disso é imperativo que abdiquem de uma vida de sedentarismo, tendo uma vida activa, com exercício físico à mistura.

Em alguns casos poderá ser necessária a administração de medicamentos, sejam orais ou insulina, sendo que neste último caso é também requerido pelo médico uma monitorização constante dos níveis de glicose e hemoglobina glicada (glicosilada).

Na maioria dos casos, salvo raras excepções, uma das primeiras preocupações que os médicos têm em relação aos pacientes da diabetes, é a educação do próprio, isto é, estes terão que adoptar uma nova dieta, a prática de exercício físico e até a monitorização dos níveis de açúcar, algo que até ao momento nunca tinham feito.

Já no que diz respeito à necessidade de insulina diariamente, os pacientes podem optar pelas bombas de insulina, que têm custos mais elevados, as típicas seringas, as canetas de insulina e os injetores de insulina a jato, sendo que o médico aconselhará individualmente cada paciente para a melhor opção.

Existe ainda a possibilidade de tratamento para a diabetes tipo 2 através de cirurgia, nomeadamente através da redução de estômago (gastroplastia), geralmente usada apenas para tratar a obesidade.

Assim, em suma, os pacientes que têm diabetes tipo 1 podem ter uma vida extremamente saudável e não fugindo muito ao normal, sem grandes limitações, sendo que para isso só têm que manter o açúcar no sangue o mais próximo possível do dito normal, combinando ainda com a medicação aconselhada pelo próprio médico, isto é, a dose indicada de insulina diária, sendo que o grande objetivo é fazer com que a doença não evolua e não traga nenhum tipo de complicações no restante organismo.

Já no caso dos pacientes com diabetes tipo 2, o tratamento é semelhante porém não requer a insulina, mas sim outro tipo de medicações, fazendo algumas mudanças a nível de alimentação de estilo de vida.

Prevenção

Como já foi referido várias vezes, a diabetes é uma das doenças que afecta mais pessoas em todo o mundo, tendo várias possíveis causas e factores de risco a ter em consideração, porém, mesmo com os fatores genéticos, existem alternativas e pequenas alterações de rotina que podem fazer para prevenir a evolução da doença.

Assim, em forma de prevenção, os pacientes devem:

– controlar ao máximo o seu peso, mantendo-o sempre dentro do normal, ou seja, adoptando um estilo de vida saudável, combinando uma alimentação equilibrada com a prática de exercício físico

– evitar ao máximo a ingestão de bebidas alcóolicas, tabaco e outras drogas (Leia: Alcoolismo – Tratamento, Causas, Malefícios e Efeitos do Álcool)

– os pacientes devem também evitar deixar o controlo da pressão arterial fugir das suas mãos, isto é, não quer dizer que tenha que controlar estes níveis diariamente, contudo aconselha-se sempre a monitorização uma vez por mês

– os pacientes devem também, sempre que possível, evitar a ingestão de medicamentos que possam ter como efeitos secundários o mau funcionamento do pâncreas
– devem também praticar exercício físico regular, contudo sempre com acompanhamento especializado.

Como controlar a diabetes

Apesar da diabetes não ser uma das piores doenças que se poderá ter, é aquela que assusta mais pessoas, pois mesmo que seja possível controlar a doença, podem surgir complicações quando esta não tem a dedicação necessária por parte do paciente.

Em primeiro lugar é importante manter um plano alimentar equilibrado, com uma alimentação bem fraccionada, pelo menos 5 refeições diárias, contendo alimentos ricos em proteínas, vitaminas, sais minerais, fibras, gorduras e carboidratos, dando preferência a estes últimos, pois são os que interferem directamente na manutenção da glicemia.

Por outro lado, a prática de exercício físico requer mais cuidados, pois é necessário verificar os níveis de glicemia antes de iniciar, a meio da prática e no final, garantindo assim que não haja qualquer tipo de falhas.

No que diz respeito à insulina, para quem necessita, é importante também verificar muito bem os níveis de glicemia, sabendo qual a dose de insulina necessária para manter o seu organismo funcional e sem problemas.

Não são apenas os pacientes de diabetes tipo 1 a necessitar, já que alguns casos de tipo 2 também necessitam dessas doses, sendo que este controlo deverá ser feito através de um glicosímetro, capaz de medir essa mesma concentração.

O médico deverá indicar uma espécie de um plano e cronograma para que os testes sejam feitos em casa, indicando as taxas de glicose aceitáveis e a dose de insulina necessária para a situação.

Existem vários tipos de insulina, sendo que cada paciente deverá receber a indicação médica de qual o melhor tipo para as suas necessidades e para o estilo de vida que levam, já que uma das diferenças presente nestes diferentes tipos é a duração da sua actuação no organismo.

Por outro lado, existem também vários locais no corpo onde essa insulina poderá ser aplicada, sendo que para alguns pacientes é mais fácil numa zona do que noutra, nomeadamente o abdómen, a coxa, o braço, a região da cintura e os glúteos.

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03. Junho 2014 by admin

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