Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) – Tratamento, Causas, Sintomas

A DPOC, sigla para doença pulmonar obstrutiva crónica, é uma doença respiratória, de carácter progressivo e crónico, e que consiste na obstrução das vias respiratórias. Existem várias causas para esta doença, sendo a mais frequente o fumo do cigarro. Por essa razão, a maioria dos doentes com DPOC são fumadores atuais, ou que o foram no passado.

Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)

Contudo, o fumo do cigarro não é a única causa para esta doença. Assim, a exposição prolongada a substâncias químicas gasosas, principalmente presentes na poluição do ar, são também fatores que podem levar ao aparecimento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica.

A DPOC é uma doença progressiva e de desenvolvimento gradual. Ou seja, não é ao fim de alguns dias ou meses a fumar que a doença se desenvolve, mas sim ao fim de vários anos (por volta de 30 anos). A exposição prolongada das vias respiratórias e pulmões ao fumo do tabaco e a outras substâncias, irá causar danos nesses órgãos, além de inflamar as vias respiratórias, o que provocará a obstrução da passagem do ar. Daí o nome de doença pulmonar obstrutiva crónica.

Sendo a DPOC uma doença que pode afetar tanto os pulmões como as vias respiratórias, ela refere-se a duas doenças distintas: o enfisema pulmonar e a bronquite crónica. Normalmente utiliza-se o mesmo nome para ambas, pois ambas têm sintomas idênticos, além de a maioria dos pacientes ter as duas doenças ao mesmo tempo.

Enfisema Pulmonar

O enfisema pulmonar distingue-se pelo alargamento permanente dos bronquíolos terminais com destruição da parede alveolar, podendo ou não ocorrer fibrose. Esta situação provoca o colapso das vias respiratórias. No exame clínico é evidente a polipneia (respiração ofegante, acelerada e superficial) e a taquipneia.

O perfil dos pacientes com enfisema (Tipo A (Tipo PP – pink puffer – soprador rosado – enfisema) é: astenia, por volta dos 60 anos, expectoração ligeira, dispneia precoce (falta de ar), ligeira alteração na difusão de gases, sinais radiológicos de hiperinsuflação pulmonar e bolhas, baixa capacidade de difusão de Monóxido de Carbono (CO) e resistência das vias aéreas alterada (termo médico utilizado para descrever os factores que limitam o acesso de ar inspirado para os pulmões). Geralmente estes pacientes obtêm poucas melhorias clínicas com a utilização de broncodilatadores e pioram com o tempo.

Bronquite Crônica

A bronquite crónica é uma inflamação dos brônquios que provoca uma redução do fluxo de ar que entra e sai dos pulmões. Paralelamente, há um aumento da secreção (muco) que obstrui o tracto respiratório. Em termos clínicos, é considerada crônica quando a tosse e a expectoração persistem diariamente, durante 3 meses por ano, em pelo menos dois anos consecutivos.

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O perfil dos pacientes que sofrem de bronquite crônica (Tipo
B (Tipo BB – blue bloater – cianótico pletórico – bronquite crônica
) é: excesso de peso, pacientes com cerca de 50 anos, expectoração abundante, dispneia tardia, graves alterações nas trocas de gases, alterações radiológicas crônicas, ocorrência frequente de cor pulmonale (uma forma de insuficiência cardíaca), e ligeira diminuição na difusão de Monóxido de Carbono.

Com o progressivo desenvolvimento e agravamento da DPOC, irão surgir outras complicações, decorrentes da doença. De seguida listamos as várias complicações que podem surgir:

– Insuficiência cardíaca no lado direito (Leia: Insuficiência Cardíaca – Tratamento, Causas e Sintomas);
– Pneumonia;
– Necessidade de máquina de respiração e oxigenoterapia;
– Perda de peso;
Pneumotórax;
– Arritmia (batimento cardíaco irregular);
Osteoporose.

Sintomas

Os sintomas da doença pulmonar obstrutiva crónica aparecem de forma gradual e lenta, tal como o próprio desenvolvimento da doença. Os sintomas mais frequentes em pacientes com DPOC são a tosse, a dificuldade em respirar e a produção de catarro. No entanto, existem outros sintomas que se manifestam. De seguida indicamos o quadro completo de sintomas da DPOC.

– Tosse (com muco ou sem muco);
– Expetoração;
– Falta de ar (Dispneia);
– Pieira (som agudo ao respirar);
– Fadiga;
– Respiração ofegante;
– Facilidade em contrair infeções respiratórias;
– Sensação de aperto na zona torácica.

Diagnóstico

Sendo esta doença de evolução lenta e gradual, com o aparecimento progressivo dos sintomas, nos primeiros anos é difícil fazer o seu diagnóstico. Contudo, como os fatores de risco estão sobretudo ligados ao tabagismo e à exposição prolongada em locais onde a poluição do ar seja efetiva, a suspeita de desenvolvimento da doença pode levar à realização de testes e exames de diagnóstico da DPOC.

O exame mais eficaz para o diagnóstico da DPOC é o exame de espirometria (exame que analisa o funcionamento dos pulmões). Basicamente, neste exame o paciente sopra com força para uma pequena máquina, que irá dessa forma medir a capacidade dos pulmões. Muito simples, e extremamente rápido, já que se poderão conhecer os resultados no momento.

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Existem outros testes e exames que podem ser úteis para o diagnóstico médico, tais como a auscultação dos pulmões, com a ajuda de um estetoscópio, realização de tomografias computorizadas e radiografias aos pulmões, e até exames de sangue, para medir os níveis de oxigénio e dióxido de carbono no sangue (gasometria).

Tratamento

Sendo a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica uma doença progressiva e crônica, não existe cura para ela. Contudo, é possível através de alguns tratamentos, evitar a sua progressão, e ainda, aliviar os sintomas manifestados. O tratamento para a DPOC é constituído por várias vertentes: a mudança de hábitos de vida (parar de fumar), medicação e reabilitação pulmonar.

Mudança de hábitos de vida

Antes de mais, é essencial referir que a principal medida é eliminar a causa que está na origem da doença. Assim, é fundamental para um fumador deixar de fumar. Esta é a melhor forma de travar o progresso da doença. Se tiver dificuldade em fazê-lo, existem hoje medicamentos orais, de aplicação tópica e terapias que o ajudam nesse processo. Para saber mais, consulte o seu médico.

Medicamentos

Existem diversos medicamentos utilizados no tratamento para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. Há então os broncodilatadores, sob a forma de inaladores, que têm como função abrir as vias respiratórias. Alguns exemplos de broncodilatadores são o Spiriva (tiotropium), Serevent (salmeterol), Atrovent (ipratropium), entre outros.  Conheça alguns tipos de broncodilatadores:

Anticolinérgicos de curta duração: Utilizam-se 3 a 4 vezes/dia. Ex: Atrovent

Anticolinérgicos de longa duração: Uma cápsula inalada/dia. Ex: Spiriva

Beta2 – Agonistas de rápida actuação: Podem também ser utilizados regularmente 4 vezes/dia. Ex: Ventilan; Salbutamol Novolizer; Bricanyl; Onsudil.

Beta2 – Agonistas de longa duração: Tomam-se duas vezes por dia. Ex: Dilamax; Serevent; Foradil; Formoterol (Broncotec, Farmoz, Generis)l; Átimos; Oxis; Asmatec; Ultrabet; Asmatec.

Combinação de Anticolinérgico de curta duração e Beta2 – Agonista de rápida actuação: Dilatam os brônquios imediatamente e podem também ser utilizados regularmente 4 vezes por dia. Ex: Combivent; Berodual.

Teofilinas: Tomam-se 1 a 2 vezes/dia. Ex: Eufilina; Filotempo; Unicontin.

Para diminuir a inflamação dos pulmões, existem também os esteróides inalados que beneficiam bastante os portadores da doença.

Há ainda os medicamentos anti-inflamatórios, com uma utilização menos frequente e mais específica. Estes Reduzem a inflamação e edema nos brônquios. Os Inaladores são habitualmente de cor laranja ou castanhos. Ex: Pulmicort; Flixotaide; Miflonide; Brisovent; Asmatil; Asmo Lavi; Budesonido (Budiar; Novolizer; Generis).

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Combinação de Anti-inflamatórios inalados e Beta2 – Agonistas de longa duração: Estes Reduzem a inflamação e edema nos brônquios e dilatam os brônquios e estão indicados se existirem exacerbações frequentes. Ex: Symbicort; Seretaide; Maizar; Veraspir; Assieme; Brisomax.

Em casos ou alturas em que a doença se manifeste mais intensamente, são também utilizadas as seguintes terapias: broncodilatadores administrados com um nebulizador, oxigenoterapia, administração de esteroides por via oral ou intravenosa, e ainda, função respiratória auxiliada por aparelhos.

Reabilitação pulmonar

A reabilitação pulmonar não é uma cura, mas sim uma forma de o paciente aprender a respirar de uma forma diferente, de forma a rentabilizar ao máximo o ar que entra nos seus pulmões, e dessa forma, poder manter uma vida ativa. A reabilitação pulmonar é uma combinação de atividade física moderada com algumas técnicas de respiração.

Assim, andar a pé é o melhor exercício, e a sua dificuldade deve aumentar de forma gradual (antes de iniciar o seu plano de exercício físico, consulte o seu médico).

Durante a atividade física, deverá evitar conversar se sentir falta de ar, para que todo o ar seja canalizado para os alvéolos pulmonares, e poder ser feita a oxigenação do sangue de forma adequada. Deverá também respirar com os lábios contraídos durante a expiração, e esvaziar completamente os pulmões antes de voltar a inspirar.

Nos casos mais graves e avançados, onde o tratamento já não é suficiente, então terão de ser realizadas ações mais radicais, tais como a Retirada de partes dos pulmões mais afetadas, ou em último caso, transplante de pulmão.

tabaco e a funcao pulmonar

Prevenção

Há algumas medidas que você pode tomar, para que tenha as condições necessárias para um tratamento e controlo mais eficaz da DPOC, se você sofrer da doença, ou como forma de prevenção, se ainda não sofrer, ou se estiver nos estágios mais iniciais. Assim, não deve permitir que ninguém fume dentro de casa ou em locais fechados que você frequente, evitar locais onde o ar seja muito frio, e ainda, evitar locais com a poluição do ar alta. Dentro de casa, deve ter o cuidado de impedir que o fumo da lareira fique no ar da casa.

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17. Setembro 2013 by admin

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