Eclâmpsia e Pré-Eclâmpsia – Sintomas, Tratamento, Causas, Riscos, e Exames de Diagnóstico

A pré-eclâmpsia (toxemia gravídica) e a eclâmpsia são problemas que ocorrem durante a gravidez, ainda com causas desconhecidas. Como o próprio nome indica, a pré-eclâmpsia será uma situação prévia ao aparecimento da eclâmpsia.

foto de placenta com Pré-Eclâmpsia

Neste artigo iremos explicar o que é a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia, os fatores que poderão estar por detrás da doença (Causas), os fatores de risco à ocorrência de pré-eclâmpsia, as possíveis complicações para a grávida e para o feto, os sintomas da pré-eclâmpsia e eclâmpsia, como fazer o seu diagnóstico e o seu tratamento.

Pré-eclâmpsia e eclâmpsia

A eclâmpsia é uma doença caracterizada pela ocorrência de convulsões durante a gravidez, sem qualquer causa relacionada com doenças já existentes no sistema nervoso. A eclâmpsia ocorre após a pré-eclâmpsia, que é caracterizada por um conjunto de complicações para a gravidez, levando a um aumento excessivo de peso, de uma forma bastante rápida, e ainda, pela elevação da pressão arterial.

A pré-eclâmpsia é uma condição médica caracterizada por pressão arterial elevada e pela perda excessiva de proteínas através da urina também conhecida na medicina como proteinúria, em uma mulher grávida. Se não tratada, pode evoluir para eclampsia.

Nem todas as mulheres que sofrem de pré-eclâmpsia, acabam por ter eclâmpsia, nem é possível prever em quais a pré-eclâmpsia vai evoluir para eclâmpsia. Contudo, quanto mais grave for a doença prévia, maior o risco de vir a sofrer de convulsões.

Existem ainda outros sinais que indicam uma maior possibilidade dessa evolução ocorrer, como por exemplo: pressão arterial muito elevada (tal como referido acima), cefaleias, exames sanguíneos fora do normal, e ainda, alterações na visão.

Existem várias formas de pré-eclâmpsia, sendo a mais grave a síndrome HELLP. Esta sigla está relacionada com os termos em inglês para hemólise, nível elevado de enzimas hepáticas e quantidade baixa de plaquetas sanguíneas. (Leia a legenda abaixo):

H – Hemólise, do inglês: Hemolytic anemia;
EL – Enzimas hepáticas elevadas, do inglês: Elevated Liver enzymes;
LP – Baixa contagem de plaquetas, do inglês: Low Platelet count;

Ou seja, na manifestação mais grave de pré-eclâmpsia, irá ocorrer a destruição de glóbulos vermelhos (hemólise), o aumento das enzimas hepáticas, geralmente indicador de lesão no fígado, e ainda a destruição de plaquetas, o que implicará um número mais baixo no sangue, que retirará capacidade de coagulação do sangue em caso de hemorragia.

Síndrome HELLP

Como referido acima, a síndrome HELLP é uma das manifestações graves de pré-eclâmpsia, havendo outras, todas elas relacionadas com distúrbios na função nervosa. Quando uma dessas manifestações são convulsões, estamos então perante um quadro de eclâmpsia.

Frequentemente, as pacientes com síndrome de HELLP desenvolvem hipertensão induzida pela gravidez, o que faz com que se tornem pré-eclâmpticas. Até 8% dos casos ocorrem após o parto.

Os sintomas que ocorrem, geralmente são dor de cabeça (30%), visão turva (90%), náuseas e vômitos 30%, dor epigástrica 65% e parestesias (ex., frio, calor, formigamento, pressão etc.). Esta patologia pode apresentar edema, mas a sua ausência não exclui síndrome de HELLP.

Pode ocorrer ruptura da cápsula hepática com hematoma hepático secundário. Se as pacientes apresentarem convulsões ou coma, a doença progride para eclampsia.

É observada coagulação intravascular disseminada (CID ou CIVD), também chamada de coagulopatia de consumo em aproximadamente 20% de todos os casos de síndrome de HELLP, e em 84% quando combinada com insuficiência renal aguda.

O tratamento desta síndrome é baseado no uso de medicamentos anti hipertensivos e transfusões de componentes sanguíneos.

Causas

Não se conhecem ainda as causas para estes problemas, no entanto, acredita-se que as suas origens têm uma relação com os seguintes fatores: dieta, genética, vasos sanguíneos e características neurológicas (relacionadas com o sistema nervoso).

Fatores de risco

Existem alguns fatores de risco que aumentam as hipóteses de vir a sofrer de pré-eclâmpsia, e por consequência, de eclâmpsia. Mesmo sendo uma doença rara, ocorrendo apenas um caso em cada 2000 a 3000 gestações, ela ocorre, e conhecendo o médico os seus fatores de risco, pode ser possível preveni-la. Os fatores de risco são os seguintes:

– Primeira gravidez;
– Ter 35 ou mais anos;
– Gravidez durante a adolescência;
– Gravidez de gémeos ou mais gestações;
– Mulher afro-americana;
– Histórico de pressão arterial alta;
– Histórico de diabetes;
– Histórico de doença renal.
– Mulher Obesa
– Diabetes mellitus
– Doença renal crônica

Complicações

Sendo uma doença grave, e que ocorre durante a gravidez, muitas das complicações estão diretamente relacionadas com o bebé. Assim, seja com pré-eclâmpsia, seja com eclâmpsia, o risco de haver um deslocamento da placenta (separação da placenta da parede do útero) é maior. Além disso, já que muitas vezes obriga a um parto prematuro, origina complicações derivadas de um parto antes do tempo.

Sintomas

Existem diversos sinais e sintomas que indicam o aparecimento de ambas as situações. No caso da pré-eclâmpsia, os sintomas são os seguintes: cefaleias, enjoos, vómitos, dores no estômago, aumento rápido de peso (mais de 1kg por semana), alterações na visão, e ainda, inchaço na zona do rosto e nas mãos (Leia: Inchaços e Edemas – Causas, Tipos e Tratamento).

Quando a pré-eclâmpsia evolui para eclâmpsia, então os sintomas alteram-se, caracterizando-se por convulsões, dores musculares, confusão mental e até inconsciência.

Diagnóstico

Quando existe a suspeita de pré-eclâmpsia, ou mesmo já de eclâmpsia (em caso de ocorrência de convulsões durante a gravidez), há um conjunto de exames que podem ser realizados de forma a verificar-se e confirmar-se o quadro clínico. Assim, o conjunto de exames será composto por um exame físico, medição e monitorização do ritmo respiratório e da pressão arterial, exames sanguíneos e de urina. O exame físico será indicado para despistar outras possíveis origens das convulsões. Quanto aos exames de sangue e de urina, são utilizados para verificar os seguintes níveis:

– Hematócrito;
– Fatores de coagulação sanguínea;
– Plaquetas sanguíneas;
– Creatinina;
– Proteína na urina (de forma a identificar se existe perda de proteínas através da urina (Proteinúria);
– Ácido úrico;
– Função hepática.

Tratamento

Relativamente à pré-eclâmpsia, o tratamento adequado está sobretudo relacionado com o controlo dos sintomas, de maneira a prevenir a evolução para um quadro de eclâmpsia. Assim, serão monitorizados vários aspetos, de forma a identificar rapidamente qualquer sinal de evolução negativa, ou até mesmo, de possível eclâmpsia.

A forma mais eficaz de tratar este problema é através de um parto prematuro (indução do parto), sendo na maioria dos casos vantajoso, tanto para a grávida, como para o bebé. Com um acompanhamento e monitorização adequada, os partos podem hoje ser realizados mais tarde, o que reduz as complicações normais de um parto prematuro.

Em caso de ocorrência de eclâmpsia, existem medicamentos próprios e bastante seguros, que têm como função evitar as convulsões. Podem ser ainda prescritos medicamentos adequados para a redução da pressão arterial. Contudo, se estes últimos não funcionarem, e a pressão arterial continuar demasiado alta, o parto terá de ser feito mais cedo, de forma a impedir consequências negativas, tanto para a mão, como para o bebé.

17. setembro 2013 by admin

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