Esquistossomose – Tratamento, Sintomas, Causas, Diagnóstico, Ciclo e Prevenção

A Esquistossomose, ou bilharzíase como é muitas vezes chamada, é conhecida na maioria das populações como barriga de água ou mesmo doença do caramujo, sendo que infelizmente é uma das mais conhecidas doenças tropicais que ainda hoje, depois de tanto avanço medicinal, prevalece no mundo. Esta é a segunda doença tropical mais dominante em todo o mundo, ficando apenas atrás da malária, que apresenta também características muito importantes e que afeta milhões de pessoas.

O nome da doença foi dado em homenagem a Theodore Bilharz, que foi o primeiro a identificar a mesma, sendo que esta é exclusiva de 74 países tropicais, afectando por isso mais de 200 milhões de pessoas, com mais 600 milhões de pessoas em risco, principalmente com o ritmo turístico que há neste momento, a transição de pessoas nessas zonas é uma característica a ter em atenção. Segundo estudos feitos, os países afectados encontram-se em África, Ásia e América do Sul,

A esquistossomose é uma doença crônica, que apresenta uma taxa de mortalidade relativamente baixa, porém podendo danificar uma série de órgãos internos, podem prejudicar imenso o desenvolvimento, nomeadamente nas crianças, tanto a nível físico como também cognitivo. A doença é causada por parasitas do género Schistosoma, sendo que existem 6 espécies, cada uma delas característica de cada zona geográfica, a saber: Schistosoma Mansoni, Schistosoma Hematobium, Schistosoma Intercalatum, Schistosoma Japonicum, Schistosoma Malayensis e Schistosoma Mekongi.

O que é a Esquistossomose?

A esquistossomose é uma infecção causada por um verme parasita, mencionado acima as 6 espécies existentes, da classe Trematoda, sendo que esta é composta por mais de 11 mil espécies diferentes, podendo-se infestar em peixes, anfíbios, répteis e mamíferos, podendo causar doenças graves no seu hospedeiro, mesmo que momentâneo.

Estes surgem em diversas zonas geográficas, porém mesmo nestas zonas o número de pessoas que se encontram infestadas pela doença mantém-se relativamente constante. Cada um dos tipos de parasitas são característicos do tipo de zona geográfica em que surgem em maior quantidade, contudo na maioria dos casos o principal hospedeiro e reservatório do mesmo é o homem.

Os ovos dos mesmos, causadores de uma reprodução difícil de controlar, vêm directamente dos excrementos dos humanos, urina e fezes, porem além disso, apresenta uma espécie de intermediário do hospedeiro que são os caracóis e as lesmas, tão característicos na nossa sociedade e que permitem a variação de ovos de forma facilitada.

Infelizmente, existe uma imagem bastante característica e que apesar de impressionante, a comunicação social insiste em mostrar em reportagens, que é a de pessoas com uma grande necessidade de alimentação, mesmo assim apresentando a barriga inchada. Na maioria dos casos, essas pessoas foram infectadas com Schistosoma, sendo que o inchaço torna-se uma reação imune, tornando-se uma das primeiras fases do ciclo da esquistossomose.

Estas larvas ou também chamados parasitas existem principalmente em águas não tratadas, como os lagos ou lagoas abandonadas, sendo que afectam o homem através da pele, criando uma inflamação da mesma. Após esse primeiro contacto, aloja-se essencialmente no intestino e causa a maioria dos sintomas da doença, podendo esta levar até à morte quando não é detectada rapidamente ou o tratamento não acontece da forma eficaz desejada.

Ciclo

Para entender bem a doença é necessário também entender sobre o ciclo de evolução do próprio parasita, caso contrário vai desconhecer algumas das suas fases e descurar de alguns dos cuidados essenciais.

Ciclo da Esquistossomose

Este é um parasita que apresenta duas fases e consequentemente dois tipos de hospedeiro diferentes, o primeiro hospedeiro são alguns tipos de moluscos que vivem em lugares húmidos, desenvolvendo assim a larva propriamente dita ao penetrar nestes. Mais tarde, a segunda fase decorre desde o momento em que estes abandonam esse primeiro hospedeiro em busca de um segundo, penetrando na pele do homem, sendo que geralmente essa fase acontece também em lugares húmidos, como os lagos ou lagoas onde as pessoas estão descansadas a passar um bom bocado.

Agora que já percebeu exactamente de onde é que vem propriamente o parasita, é necessário também entender a sua evolução dentro do organismo humano. O mesmo vive dentro das veias mesentéricas, aquelas que são as responsáveis pela função de drenagem do sangue dos intestinos, sangue este que se encontra rico em todo o tipo de proteínas e vitaminas que vieram dos alimentos digeridos, levando este para o fígado.

Quando o parasita já se encontra hospedado nestas veias, ele tem como principal objectivo produzir milhares de ovos, que têm características especiais já que conseguem atravessar essas mesmas paredes dos vasos sanguíneos, indo directamente para os intestinos, o que em termos práticos faz com que estes sejam expelidos no mesmo momento que as fezes.

O ciclo continua neste momento com duas condições necessárias, a primeira é que esses mesmos ovos expelidos tenham contacto com a água (para poderem eclodir, libertando assim o seu embrião, denominado de miracídio), por outro lado é necessário também que haja um dos moluscos do género Biomphalaria nas águas contaminadas, pois apenas dentro destes é que estes conseguem chegar à forma de larva, recriando assim todo o ciclo inicial.

Após esta fase do ciclo, o parasita acaba por transformar-se na larva que irá infectar o homem, denominada de cercária, sendo que estas sobrevivem fora do molusco por apenas 48 horas, até encontrarem o hospedeiro definitivo, o homem, penetrando profundamente a pele do humano, até conseguirem encontrar um vaso sanguíneo. Geralmente, os pés e as pernas são as zonas do corpo mais invadidos, sendo que não é necessário que haja nenhum tipo de infecções ou feridas para estas conseguirem invadir a pele, dadas as suas características. O homem poderá também ficar infectado através da ingestão de água contaminada, quando está nos lagos ou lagoas, é muito comum.

Depois de entrarem na pele, a larva vai viajar pelas veias de todo o corpo, passando por órgãos essenciais ao bom funcionamento do organismo, como o coração, os pulmões e chegando depois ao fígado, sendo que durante essa viagem sofrem uma nova transformação, denominando-se nesta fase de esquistossômulos. Quando estes chegam ao fígado atingem finalmente o estado de maturidade, adoptando agora a forma adulta macho e fêmea, tornando-se capazes de acasalar, sendo que após esse momento migram para as veias mesentéricas novamente, depositando os ovos e passando por todo o ciclo mencionado em cima.

Transmissão

Após perceber exactamente qual é o ciclo pelo qual o próprio parasita passa, é muito mais fácil de entender como a transmissão propriamente dita se processa. A doença, mais propriamente os causadores da doença, invadem o corpo humano directamente para o sistema intestinal, libertando ovos, sendo que estes são eliminados nas fezes.

Por outro lado, estes mesmos ovos, necessitam de água, de preferência um tipo de água parada, para se libertarem, necessitando posteriormente do molusco para se poderem multiplicar. Assim, grandes quantidades de água doce que se encontrem paradas são óptimos locais para tudo isto, por isso qualquer pessoa que entre dentro destas águas ou que tenha a infelicidade de beber desta água, poderá ficar infectado rapidamente, sendo que os sintomas são tão confusos, a transmissão da doença torna-se muito complicada de definir.

Sintomas

Sendo esta uma doença que apresenta várias etapas de um determinado ciclo de evolução do parasita, a nível de sintomas existe também algumas diferenças, sendo que os primeiros sintomas que o paciente irá sentir são aquando a invasão do parasita na pele.

Neste momento, pode ocorrer, apesar de não acontecer em todas as pessoas, lesões na pele onde o parasita tocou, nomeadamente a chamada “coceira do nadador”, uma reacção do tipo alérgica que desencadeia uma enorme coceira e vermelhidão. Este tipo de reacção pode acontecer até ao máximo de 24 horas após o contacto com o parasita nas águas, contudo há relatos de pessoas que tiveram os primeiros sintomas posteriormente, dependendo também do tipo de pele que têm e da saúde da mesma. Estes sintomas podem durar mais que uma semana, porém é necessário algum cuidado já que existem outras espécies do mesmo parasita que podem causar o mesmo tipo de sintomas e no entanto são incapazes de infectar o ser humano, sendo mais comuns nas aves e outros mamíferos.

Após esse primeiro contacto e esses primeiros sintomas, directamente na pele, entre 4 a 8 semanas poderá surgir um quadro de febre, calafrios, dores de cabeça e dores abdominais, náuseas, falta de apetite, vómitos ou até crises de tosse seca. Além disso, apesar de só ser detectado através de exames médicos, é possível encontrar ainda o fígado e baço aumentados e até ínguas por todo o corpo, sendo que estes sintomas geralmente desaparecem ao fim de algumas semanas.

Existem casos de pessoas que foram infectadas com um número mínimo de vermes, sendo que não têm qualquer tipo de sintoma aparente, outros até demoram longos meses até detectar algum tipo de sintoma estranho no seu organismo, nomeadamente a obstrução das veias do baço e até do fígado, causando assim uma dor na zona do corpo e um grande desconforto.

Lista completa de sintomas:

  • Febre
  • Calafrios
  • Aumentos dos nódulos linfáticos
  • Aumento do fígado
  • Aumento do baço
  • Coceira e erupção cutânea (coceira de nadador)
  • Pápulas na pele no local penetrado
  • Eritema (vermelhidão)
  • Reação de sensibilidade com urticária (dermatite cercariana)
  • Dor abdominal
  • Diarreia (que pode conter sangue).
  • Urinação frequente
  • Urinação dolorosa (disúria)
  • Sangue na urina (hematúria)
  • Mal estar
  • Cefaléias (dores de cabeça)
  • Astenia (fraqueza)
  • Dispneia (falta de ar)
  • Hemoptise (tosse com sangue)
  • Artralgias
  • Linfonodomegalia
  • Esplenomegalia (megalosplenia)
  • Hepatopatias/enteropatias com hepatomegalia
  • Ascite
  • Hipertensão portal

Tipos de Esquistossomose

Existem dois tipos de doença, relativamente ao tipo de sintomas que apresentam e essencialmente ao número de parasitas no organismo e local onde estes se alojam, nomeadamente:

Esquistossomose intestinal

A mais comum delas todas, causa diarreia com sangue (sangue nas fezes), cólicas e até falta de apetite, levando por isso a um emagrecimento fora do normal. A resposta que o organismo tem à presença dos parasitas pode causar ulcerações nas paredes dos intestinos, granulomas e até obstrução das fezes.

Esquistossomose hepatoesplênica

Os pacientes que são infectados com um grande número de parasitas criam mais frequentemente doenças no fígado, criando uma série de doenças devido à falta de sangue no seu interior e criando assim outras complicações mais graves, como o caso de hemorragia digestiva ou até vómitos com sangue.

Causas

Como já foi referido muitas vezes, a esquistossomose é uma doença originada pela presença de um determinado tipo de parasita no interior do organismo, sendo que para compreender as causas da doença é também necessário saber exactamente por onde estes parasitas andam, evitando-os ao máximo. No Brasil é causada pela infestação do parasita (verme) Schistosoma mansoni.

Como descrito cima, no ciclo de vida do próprio parasita, estes são eliminados pela urina e fezes dos homens que se encontram já contaminados, evoluindo depois para larvas nas águas, alojando-se nos primeiros hospedeiros, os moluscos. Mais tardes, estes libertam a larva já adulta, permanecendo esta na água e contaminando o homem, entrando no sistema venoso do organismo, atingindo de 1 a 2 centímetros de comprimento, reproduzindo-se posteriormente e criando ovos.

Assim, tudo o que seja águas doces paradas ou com poluição acima do normal, são excelentes fontes para o aparecimento destes parasitas, sendo que estes locais são também bastante desprotegidos de controlo sanitário e higiene, por isso são os locais mais propícios a que estes parasitas surjam a primeira vez e nunca mais desapareçam.

Em suma, as principais causas da doença, causada pelo parasita, são os locais com águas doces paradas, como as represas, os lagos e as lagoas. As crianças são muito mais susceptíveis ao surgimento da doença, isto porque dada a sua inocência e a sua necessidade constante de brincar, têm por tendência mais comum a presença em locais húmidos sem a protecção necessária, permitindo assim que estes parasitas que procuram um hospedeiro possam infectar o corpo rapidamente, ao contrário dos adultos que têm sempre a tendência para se protegerem com botas ou até repelentes.

Exames de Diagnóstico

Os exames de diagnóstico de uma doença geralmente são sempre os mesmos, no entanto, tendo em consideração que a esquistossomose é uma doença que apresenta várias fases e um ciclo específico de evolução, existem também exames diferentes que podem ser usados em várias fases, permitindo assim diagnosticar a doença o mais cedo possível, de forma a administrar um tratamento adequado também.

No exame parasitológico de fezes é possível analisar a presença de ovos do parasita, contudo, mesmo com o aumento da sensibilidade do exame a eficácia do exame atinge o máximo de 75%. Além disso, a maioria dos médicos inicia o seu diagnóstico com a pergunta sobre os locais que o paciente esteva nas últimas semanas, analisando se essas áreas são propícias ao surgimento do parasita, além obviamente dos sintomas e sinais descritos acima.

Alguns médicos recorrem também aos exames de sangue, que detectam a presença de anticorpos contra o parasita originário da doença, extremamente útil para casos de infecção mínima ou então de inexistência de sintomas visíveis. Por último, sendo que este é o último exame procurado pelos médicos e pelos pacientes, pelos motivos óbvios, a biopsia retal é uma das técnicas também possíveis, sendo que neste caso a sensibilidade é de 80%.

A lista completa de testes inclui:

  • Teste de anticorpos para verificar sinais de infecção
  • Biópsia do tecido
  • Hemograma completo (CBC) para verificação de sinais de anemia
  • Contagem de eosinófilos para medir o número de determinadas células brancas
  • Testes de função renal
  • Testes de função hepática
  • Exame de fezes para observar ovos de parasitas
  • Urina tipo I para observar ovos do parasita

Tratamento

O tratamento mais adequado será dado pelo médico especialista tendo em consideração o ciclo da doença em que estiver, assim como a própria evolução da mesma, pois em alguns casos será necessário um tratamento específico que não tenha dado resultado em outros pacientes com a mesma doença.

Os tratamentos mais comuns são feitos com base em antiparasitários, nomeadamente com Praziquantel e Oxamniquina, duas das melhores opções farmacêuticas existentes neste momento, e corticosteroides, se a infecção for grave ou envolver o cérebro. Geralmente o tratamento com antiparasitários dura apenas 1 ou 2 dias, sendo que têm como principal objectivo eliminar por completo o parasita de dentro do corpo do paciente, matando-o com os químicos.

Além disso, nos últimos anos, com a evolução tecnológica e farmacêutica que se tem vivido, têm surgido muitas novidades dentro desta categoria e até a Fundação Oswaldo Cruz anunciou a criação de uma vacina contra a doença, criando um tratamento muito mais eficaz e rápido.

Possíveis Complicações

Infelizmente é impossível prever qual o sexo ou a idade mais susceptível à contração desta doença, já que sendo um parasita não escolhe o organismo onde se vai inserir, aproveitando todas as oportunidades que tiver.

Por outro lado, dado que os sintomas são semelhantes a outras doenças alérgicas ou pequenas inflamações que desaparecem ao fim de uns dias, muitas pessoas acabam também por descorar do seu tratamento e arrastar o diagnóstico por mais tempo do que o esperado, contudo nesse momento provavelmente o parasita já se instalou no seu organismo e já começou a mal tratar o mesmo.

Sendo um problema de saúde que apresenta um ciclo muito bem definido, podem surgir diversas complicações, nomeadamente quando o parasita já se encontra no seu hospedeiro final. Os problemas de fígado, em principal as dores agudas que se fazem sentir e o inchaço, podem levar a estados extremamente complicados do mesmo, assim como outras complicações no sistema intestinal, sendo um dos mais importantes do organismo, poderá resultar doenças extremamente graves e com tratamentos muito complicados.

Apesar do tratamento durar relativamente pouco tempo, eliminando por completo o parasita do interior do seu organismo, durante o tempo em que este se encontra alojado nos seus órgãos, é o necessário para causar estragos e problemas sérios nos órgãos afectados e nos envolvidos directamente.

Lista completa de complicações:

Prevenção

O parasita poderá atacar qualquer pessoa, não havendo distinção do sexo, idade ou grupo étnico, desde que a pessoa tenha contacto com ele, não é necessário reunir uma série de características para este invadir o seu corpo. Por outro lado, não existe qualquer tipo de vacina preventiva, por isso a melhor forma de prevenção que tem perante esta doença é evitar ao máximo o contacto com locais por onde o parasita permaneça.

Evitar ao máximo lagos, lagoas e represas, principalmente aquelas que se encontram contaminadas com os despejos de esgotos não tratados e que tenham águas paradas. Por outro lado, deve também tentar-se orientar a população para não evacuar em áreas que fiquem junto a águas onde mais tarde outras pessoas possam vir a banhar-se ou até a ingerir essa mesma água.

Se for completamente obrigatório o contacto com essas águas, nomeadamente a nível profissional, aconselhamos sempre que use calças, botas e luvas de borracha, de qualidade, escolhendo sempre os horários com menos luminosidade e calor, por isso ao início da manhã e final da tarde.

É também aconselhável sempre a construção de fossas sanitárias adequadas, o tratamento dos esgotos, o controlo dos parasitas através da destruição do seu habitat e ainda, muito importante, a informação e orientação antecipada perante toda a população sobre a doença, a transmissão da mesma e como se processa o tratamento.

 

11. abril 2014 by admin

One Comment

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  1. Boa noite eu já tive xistose em 2008 , deu na medula quase fui para cadeira de rodas já não andava mais , pois mim cuidei na época e pede muito a Deus para mim ajuda , mais faz muito tempo que não vou a um médico fazer exame , hje meu estômago dói e fica só embrulhando será que estou com xistose dinovo mim ajudem por favor ??? E qual médico devo procurar????

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