Fumar pode acelerar a progressão da Esclerose Múltipla

Estudos sugerem que fumar acelera a progressão da esclerose múltipla reincidente-remitente para esclerose múltipla secundária progressiva, reduzindo significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

Desde o dia em que o relatório do “Surgeon General” sobre os perigos do tabagismo foi publicado em 1964, o público foi avisado dos seus efeitos negativos na saúde, mas poucos sabem que, em pacientes com esclerose múltipla, fumar pode ter um impacto direto na progressão da doença.

Em estudos recentes conduzidos pelo Departamento de Neurologia na Universidade de Guillan de Ciências Médicas, em Rasht, Irão, investigadores descobriram que os pacientes que sofriam de esclerose múltipla reincidente-remitente (EMRR), que também fumavam mais de dez cigarros por dia, tinham um risco mais elevado que os não fumadores de progressão da doença para esclerose múltipla secundária progressiva (EMSP).

Enquanto que a esclerose múltipla reincidente-remitente é caracterizada por períodos de atividade da doença, seguidos por períodos de remissão, já os pacientes com esclerose múltipla secundária progressiva deixam de ter remissão. Pelo contrário, a sua doença mantém-se numa atividade baixa mas constante, e à medida que os estragos no seu cérebro e na medula espinal progridem, o paciente sente maior incapacidade.

Os participantes do estudo foram todos pacientes registados na Sociedade de Esclerose Múltipla de Guilan, Irão. Os autores concluíram que “Fumadores têm um risco mais elevado para a progressão de EMRR para EMSP do que não fumadores. Mostrou-se ainda que a progressão da doença pode ser influenciada pelo aumento do número de cigarros.”

Outro estudo nos efeitos do tabagismo na progressão da esclerose múltipla, conduzido por investigadores na “Harvard School of Public Health” em 2005, sugere que “o risco de desenvolvimento de esclerose múltipla secundária progressiva é três vezes maior em fumadores que em não fumadores que tenham as primeiras manifestações de esclerose múltipla reincidente-remitente”.

No entanto, o tabagismo pode ser apenas uma parte de um estilo de vida pouco saudável, que pode contribuir para piorar a doença. “Informações sobre outros hábitos não estavam disponíveis, e como tal, não foi possível ajustar o estudo a eles”, referiu o Dr. Miguel A. Hernán da “Harvard School of Public Health” numa entrevista à Healthline. “Esta é certamente uma limitação do estudo”.

Causa e efeito

Embora as descobertas sugiram uma correlação entre o tabagismo e a progressão da esclerose múltipla, não é claro o mecanismo em funcionamento. A esclerose múltipla é uma doença autoimune, inflamatória e crónica, na qual o sistema imunitário ataca a bainha de mielina que cobre as células nervosas do cérebro e da medula espinal.

De maneira a lançar um ataque à bainha de mielina, os linfócitos T do sistema imunitário têm antes de atravessar a barreira hemato-encefálica (BHE) que, de acordo com a Universidade Johns Hopkins, é “um interface dinâmico que separa o cérebro do sistema circulatório e protege o sistema central nervoso de químicos potencialmente perigosos”.

Num estudo sobre os efeitos do tabagismo na BHE, investigadores do “Cleveland Clinic Learner College of Medicine” descobriram que “compostos contidos no fumo do tabaco podem afetar a viabilidade das células que compõem a BHE e acionar uma resposta inflamatória que, por sua vez, podem levar à perda de integridade da BHE”.

Embora sejam ainda necessários mais estudos relativamente aos efeitos de uma BHE comprometida pelo tabagismo sobre a escalada na progressão da esclerose múltipla em pacientes fumadores, estas conclusões sugerem que mais estudos têm de ser realizados.

Sintomas da esclerose múltipla