Hepatite B – Sintomas, Como se Transmite, Fatores de Risco e Vacina

A hepatite B é a mais perigosa entre as várias hepatites existentes, sendo provocada pelo VHB (Vírus da Hepatite B). Esta doença é das mais comuns em todo o mundo, existindo aproximadamente 350 milhões de pessoas de portadores crónicos do vírus. Em caso de evolução da doença, os portadores do vírus podem sofrer de doenças no fígado potencialmente bastante graves, entre as quais câncer e cirrose.

Só estas duas doenças representam mais de um milhão de mortes por ano. No entanto, hoje em dia, a prevenção através da vacina da hepatite B é muito relevante, tendo uma eficácia muito alta, na ordem dos 95%.

O VHB é um vírus da família dos hepadnavírus, que tem a particularidade entre os vários vírus de hepatite de ter ADN. Quando uma pessoa é infetado com um vírus, irá existir um período de incubação do vírus. No caso do VHB, este período é algo longo, podendo ir das 6 semanas até a meio ano.

Existem 5 hepatites causadas por vírus: Hepatite A, Hepatite B, Hepatite C Hepatite D e Hepatite E.

A infecção pelo VHB pode originar hepatite aguda em pouco mais de 30% dos indivíduos, e muito mais raramente, pode ocorrer uma hepatite fulminante. Apenas em 1 entre 1000 casos é que esta forma potencialmente fatal de hepatite acontece. Apenas aproximadamente 10% dos indivíduos infetados na fase adulta com Hepatite B, desenvolvem hepatite crónica.

A infecção pelo VHB é mais recorrente em países subdesenvolvidos de África, Ásia e Pacífico, e menos comum em países ditos desenvolvidos, na Europa Ocidental e América do Norte.

Grande parte dos danos causados por este vírus está relacionada com a resposta imunológica à infecção. As células de defesa do organismo enviadas para combater a doença muitas vezes provocam paralelamente uma inflamação hepática. Assim, as complicações possíveis para infetados por hepatite B incluem o carcinoma hepatocelular, cirrose, hepatite crônica persistente e hepatite fulminante.

cartaz vacina hepatite b

Expetativas de um indivíduo infetado com o VHB

Na maioria dos casos, a fase aguda da infecção acaba após 2 a 3 semanas o seu início. Contudo, o fígado volta ao seu normal um pouco mais lentamente, demorando entre 4 a 6 meses na maioria dos pacientes. Como referimos em cima, uma percentagem relativamente pequena (aproximadamente 10%), desenvolve hepatite B crónica.

Quando o VHB é contraído no parto, pelo contrário, a percentagem de indivíduos que evolui para portador de hepatite B crónica é muito alta, e quase metade nas crianças que contraem o vírus na infância. Já no que diz respeito a adultos, menos de 5% desenvolve esta forma crónica da doença. Os indivíduos portadores da hepatite B crónica têm uma propensão muito maior de desenvolver complicações hepáticas. E mesmo que não apresentem qualquer sintoma ou complicação, podem transmitir a doença a outras pessoas.

Como se transmite o vírus da Hepatite B

O VHB é transmitido através de fluidos corporais, entre os quais sangue, fluidos vaginais e esperma, entre outros, de indivíduos portadores do vírus da Hepatite B. Ou seja, as semelhanças na forma de transmissão do vírus da SIDA são grandes, com a diferença de no caso do vírus da hepatite B ser muito mais infeccioso do que o da SIDA.

Há ainda a possibilidade de haver transmissão da mãe para o filho, no parto. Esta forma de transmissão, muito comum em zonas em vias de desenvolvimento onde a percentagem de portadores crónicos é muito grande, é particularmente grave, pois existe uma probabilidade grande para a evolução da doença para hepatite crónica.

Nestas zonas do mundo, a quantidade de crianças portadoras crónicas do vírus da Hepatite B é muito grande. Já em países mais desenvolvidos, devido ao seu programa de vacinação, as crianças estão muito mais protegidas contra esta forma de hepatite B. Este vírus, nestes países, é mais recorrente em jovens adultos, devido à infecção por via sexual ou em troca de materiais de injeção (como seringas), nomeadamente entre toxicodependentes.

De seguida, listamos as várias formas de transmissão do vírus da hepatite B:

– Relações sexuais não protegidas com indivíduos infetados com o VHB;
– Partilha de agulhas (durante a injeção de drogas);
– Tatuagens (ou outras atividades que impliquem agulhas) utilizando agulhas não esterilizadas;
– Utilização de objetos de uso pessoal de alguém infetado, tal como lâminas de barbear, cortador de unhas ou escovas de dentes;
– Contacto direto com sangue de um indivíduo infetado;
– Transfusão de sangue (mais frequente em países pouco desenvolvidos);
– Transmissão da mãe infetada para o filho no momento de nascimento.

Por todo o mundo, a análise cuidada do sangue de doadores tem ajudado a reduzir bastante as hipóteses de contaminação por hepatite B numa transfusão de sangue. Contudo, em países menos desenvolvidos, esta forma de transmissão ainda ocorre.

Fatores de Risco

Tendo em conta as formas de transmissão, existem diversos fatores de risco que elevam as probabilidades de contração do vírus da Hepatite B:

– Estar infetado com o vírus da SIDA;
– Ter múltiplos parceiros sexuais;
– Ter relações sexuais não protegidas;
– Estar a fazer hemodiálise;
– Ser toxicodependente;
– Ter progenitores ou nascer em áreas com grandes percentagens de indivíduos portadores do VHB.

Sintomas da Hepatite B

De seguida iremos apresentar as várias manifestações provocadas pela contração do vírus da hepatite B. Como mostramos em cima, a maioria dos casos não desenvolve hepatite B crónica. Sendo assim, começaremos por indicar os sintomas habituais em qualquer infeção por VHB, e depois, apresentaremos os sintomas dos portadores crónicos da doença.

Relativamente aos casos habituais de infecção, podem ocorrer diversas conjunturas: pode ser assintomático, ou então, mais comummente, pode sentir-se doente durante alguns dias ou mesmo semanas, num quadro semelhante ao da gripe. Por essa razão, é muito vulgar esta doença ser confundida em muitos casos com infeção pelo vírus da gripe.

É importante relembrar que o período de incubação vai desde as 6 semanas até a 6 meses, sendo por isso normal que os primeiros sintomas apenas apareçam passado algum tempo após a contração do vírus. Em situações mais raras, pode ocorrer uma hepatite fulminante, com sintomas mais intensos, e potencialmente graves. De seguida listamos os vários possíveis sintomas de uma infecção aguda por hepatite B:

– Febre baixa;
– Perda do apetite;
– Enjoos;
– Vómitos;
– Fadiga;
Dores na zona abdominal;
– Dores nas articulações;
– Icterícia associada a fezes claras e urina mais escura (apenas ocorre em aproximadamente 30% dos casos de hepatite B aguda).

No caso dos portadores de hepatite B crónica, muitas vezes apresentam poucos ou nenhuns sintomas. Contudo, ao longo do tempo, podem desenvolver problemas hepáticos, e consequentes sintomas. Não esquecer que mesmo não apresentando qualquer manifestação da doença, o portador pode mesmo assim transmitir o vírus a outra pessoa.

Tratamento

Não existe qualquer tratamento para um quadro de infecção aguda por hepatite B. No entanto, o desenvolvimento da doença deve ser acompanhado, devido a possíveis complicações a nível do fígado. Assim, um indivíduo com uma infecção aguda por VHB deverá descansar, ter uma alimentação equilibrada e ingerir bastantes líquidos.

Em casos mais graves e raros, em que o indivíduo desenvolve uma insuficiência hepática, poderá ser necessário um transplante de fígado, sendo a única cura possível em certos casos.

Relativamente aos portadores com hepatite B crônica, pode ser feito um tratamento à base de drogas antivirais, ou então, com utilização do medicamento Interferão ou interferon peguilhado (IFN-Peg). Através destes medicamentos pode ser possível diminuir, ou mesmo eliminar, o VHB do sangue, reduzindo por isso o risco de desenvolvimento de doenças hepáticas.

Em casos de danos graves no fígado, será necessário o transplante hepático. Um indivíduo portador de hepatite B crónica deverá ter certos cuidados com o fígado, nomeadamente evitar ingerir álcool, e consultando sempre o médico antes de tomar qualquer medicamento.

Cerca de 10 a 20% das pessoas com hepatite B desenvolvem outras manifestações e doenças extra-hepáticas associadas com a infecção da hepatite B.

As  duas principais são, um tipo de vasculite chamada poliarterite nodosa (também conhecida como periarterite nodosa, doença de Kussmaul ou doença de Kussmaul-Meier), e uma doença renal chamada nefropatia membranosa.

Prevenção

A forma mais eficaz de lidar com o VHB é prevenindo a sua infeção. Nesta prevenção inclui-se a vacinação e evitar comportamentos de risco.

Vacinação

Qualquer criança deverá tomar a primeira dose da vacina contra a hepatite B quando nascer, devendo completar a vacina (composta por 3 doses) até atingir meio ano. Se não tiver sido vacinado nessa altura, deverá fazê-lo durante a infância ou adolescência.

Além das crianças e jovens, também deverão tomar a vacina indivíduos com maior risco de contração do vírus, onde se incluem profissionais de saúde e pessoas que vivem com indivíduos portadores da doença. No caso de bebés acabados de nascer, com mãe portadora, deverão tomar uma vacina especial.

Esta vacina vai envolver a imunização deste vírus durante as primeiras 12 horas de vida e imunoglobulina contra o vírus da hepatite B (HBIG). Em caso de indivíduos expostos ao vírus, se vacinados ou se receberem a imunoglobulina contra o vírus da hepatite B até 24 horas após a exposição, poderão prevenir a infeção.

Evitar comportamentos e fatores de risco

Tendo em conta os fatores de risco, há um conjunto de cuidados que devem ser levados a cabo de forma a diminuir as hipóteses de contaminação com o VHB, entre as quais:

– Praticar sexo seguro (uso do preservativo);
– Evitar ter relações sexuais com um parceiro que saiba que está contaminado com o vírus;
– Não partilhar agulhas ou outros instrumentos de consumo de drogas;
– Não usar objetos pessoais de outro indivíduo (escovas de dentes, lâminas de barbear, roupa interior, etc.);
– Se um indivíduo infetado sangrar, limpar cuidadosamente as manchas.

Pelo contrário, nas seguintes situações não há transmissão do vírus:

– Dar as mãos;
– Tosse;
– Espirros;
– Partilha de talheres ou copos;
– Amamentação;
– Abraço;
– Beijo;
– Suor;
– Saliva.

Apenas em situações onde haja sangue infetado envolvido é que é possível que o vírus seja transmitido nestes casos.