Implantes Dentários com Células-Tronco

Após décadas de trabalho e investigação, o universo da odontologia tem vindo a ser alvo de avanços tecnológicos surpreendentes, que facilitaram imenso o desenvolvimento de novas técnicas e produtos que visam facilitar a obtenção de resultados quase perfeitos na produção, instalação e manutenção de implantes dentários, que cada vez mais têm vindo a ser utilizados pela população em geral.

Nos últimos anos as melhorias foram absolutamente surpreendentes, o que tem contribuído para transformar esta na solução de substituição dentária mais viável a que se pode actualmente ter acesso no mercado. Os mais recentes avanços científicos exercem agora um impacto extremamente positivo, não só na saúde oral do paciente, que se encontra melhor salvaguardada, como também na qualidade e durabilidade dos implantes, que graças às características dos novos materiais tornaram-se muito mais resistentes às agressões deteriorantes do quotidiano.

Infelizmente, muitos dos problemas associados à integração dos implantes na estrutura óssea maxilar do paciente continuam a revelar-se um obstáculo à obtenção de resultados perfeitos, acabando assim por muitas vezes dificultar ou até mesmo impedir o acesso de determinadas pessoas a este tipo de cirurgia dentária.

Ainda que o contorno de problemas deste género se tenha vindo a revelar extremamente complicado, a verdade é que actualmente estão a ser testadas novas soluções que, num futuro próximo, poderão facilitar a eliminação da esmagadora maioria das complicações associadas à cirurgia de implante dentário. Uma dessas soluções, e também aquela que aparenta ser a mais promissora, é a utilização de células de tronco.

Problemas ósseos

Os problemas de carácter ósseo constituem um dos principais inimigos de um tratamento de implante dentário. E isto porque, a inexistência de uma estrutura óssea verdadeiramente sólida e saudável poderá comprometer activamente a qualidade dos resultados obtidos na sequência de uma cirurgia de implante dentário. Muito frequentemente os pacientes apresentam um baixo nível de densidade óssea, o que quase sempre é o resultado da ausência prolongada de dentes na estrutura maxilar.

Isto faz com que a mesma perda a sua funcionalidade, fenómeno esse que é evidenciado pela redução de densidade óssea. Esta complicação pode ser apresentada por pessoas de qualquer faixa etária, mas costuma ser muito mais comum em pacientes acima dos 50 anos, uma vez que essa é uma idade em que a massa óssea começa a sofrer uma degeneração natural.

Felizmente, a gravidade deste problema é reduzida, uma vez que, através de uma cirurgia de enxerto ósseo, é possível resolvê-lo com relativa facilidade. Mas tal não deixa de representar um encargo financeiro muito maior para o paciente, assim como um aumento considerável das probabilidades de algo não vir a correr como esperado durante e após a cirurgia.

Em casos mais avançados de perda de densidade óssea, o paciente poderá até mesmo ser instruído a não se sujeitar a uma cirurgia de implante dentário, e a escolher como alternativa uma simples placa dentária. Esta é uma das principais razões pelas quais ainda existe um número bastante expressivo de pacientes que prefere não optar por um implante dentário como alternativa para a resolução da sua falta de dentes.

O enxerto ósseo consiste no preenchimento da região em falta com um material que simula de um modo muito eficiente a massa óssea do paciente. O material utilizado pode ser artificial ou natural, sendo que nos casos em que é natural, o mesmo é retirado do próprio corpo do paciente, e aqui os resultados costumam ser ainda mais satisfatórios. Este é um procedimento relativamente simples e indicado para a maioria dos casos onde exista falta de densidade óssea. Apenas casos mais extremos poderão não se revelar elegíveis para este tipo de procedimento.

Muitas pessoas não sabem, mas o processo de integração entre o implante e o osso é algo que se poderá arrastar por diversos meses. Durante esse período de tempo, o paciente está susceptível ao desenvolvimento de uma enorme diversidade de problemas que poderão comprometer este tratamento de implantodontia.

Sabe-se quer, quanto maior o tempo de recuperação, maiores são também as probabilidades do tratamento fracassar, e é por isso que os especialistas têm vindo, nas últimas décadas, a desenvolver soluções que permitam encurtar ao máximo esse período de recuperação, garantindo assim resultados muito mais satisfatórios.

Para alcançar esse fim já foram concebidos novos implantes e novas técnicas, que permitem agora que o implante dentário possa ser livremente utilizado poucas semanas após a cirurgia.

Isto tem vindo a aumentar significativamente as taxas de sucesso e a garantir a prevenção de um vasto número de doenças periodontais. E agora com o desenvolvimento desta nova técnica que dá uso às células de tronco, esta meta encontra-se mais perto do que nunca de ser alcançada.

Utilização das células-tronco nos implantes dentários

Também conhecidos como células-mãe e células estaminais, estas células caracterizam-se pela sua capacidade de se dividir e dar origem a células semelhantes às suas progenitoras. Tendo em conta o efeito regenerador que pode ser originado a partir destas células, especialistas da área da odontologia começaram a ponderar a possibilidade de poderem vir a ser utilizadas para auxiliar os tratamentos de implantodontia dentária.

De momento, este procedimento com recurso à utilização de células-tronco está a revolucionar a implantodontia ainda mais do que a implantodontia revolucionou a odontologia, uma vez que permite superar alguns dos maiores obstáculos que geralmente são experienciados no decorrer de uma cirurgia de implante dentário. Apesar de promissora, esta nova técnica é ainda muito recente, mas tem sido testada com muito sucesso pelos pesquisadores do Instituto Butantan. Para a realização destes testes são utilizadas células-tronco retiradas da polpa de dentes de leite.

Isto possibilita a formação de novo tecido ósseo, anulando assim a necessidade de realização de enxertos para a correcção do problema. Para além do atrofiamento originado pela ausência prolongada de dentes, as células-tronco também serão úteis na correcção de qualquer defeito apresentado pela cavidade bucal, mesmo em estados mais avançados. Em suma, esta técnica tem duas prioridades essenciais: Unificar o osso e o implante e promover o desenvolvimento ósseo da estrutura maxilar. O procedimento é, todo ele, biocompatível, uma vez que é feito através da utilização de componentes 100% naturais.

Os pacientes submetidos ao tratamento experimental receberam hidroxiapatita (o mesmo esmalte do dente) e injecção de células-tronco, retiradas dos dentes de leite do neto e da filha dos voluntários. O procedimento é surpreendentemente simples, e os resultados retirados do mesmo foram exactamente os pretendidos. A utilização de componentes retirados directamente do corpo humano são de grande vantagem para qualquer tipo de tratamento deste tipo, uma vez que eliminam totalmente a possibilidade de ocorrência de complicações relacionados com incompatibilidade biológica.

Principais vantagens deste tratamento

Melhor osseointegração

O aumento da capacidade de osseointegração é, sem qualquer sombra de dúvida, uma das principais vantagens associadas a este tratamento extremamente inovador. Segundo os testes que têm vindo a ser efectuados no decorrer dos últimos meses, estima-se que a osseointegração entre o implante e o osso do maxilar aconteça em 1/3 do tempo geralmente associado às cirurgias convencionais.

Através da colocação de um implante dentário convencional, o paciente poderá ter de esperar entre seis a oito meses para que o implante fique totalmente integrado no seu osso. Isto representa diversos meses sem poder desempenhar normalmente as funções mastigatórias mais básicas, o que constitui um grande inconveniente para qualquer pessoa.

Com os implantes dentários feitos com o auxílio de células-tronco, o paciente poderá regressar à sua rotina alimentar habitual apenas algumas semanas após a cirurgia. Esta é a meta que os especialistas da área têm vindo há já muito tempo a tentar alcançar, mas sempre sem os níveis de sucesso pretendidos.

Para além da formação de uma nova estrutura óssea dar-se de um modo surpreendentemente acelerado, a qualidade do osso criado tende a ser muito superior àquela oferecida pelos enxertos ósseos, favorecendo assim a estabilidade e durabilidade do implante. Para o paciente, isto far-se-á sentir na possibilidade de mastigar confortavelmente até mesmo os alimentos mais sólidos, sem que seja sentido qualquer tipo de dor ou instabilidade por parte do implante.

Riscos menores

O tempo de recuperação está directamente associado a muitas complicações pós-cirurgicas, por isso, quanto menor for o tempo esperado para que a integração óssea esteja definitivamente concluída, menores serão os riscos de algo vir a correr mal durante esta fase. A taxa de sucesso das cirurgias de implante dentário é já muito elevada, mas mesmo assim ainda há muitos pacientes que optam por soluções menos intrusivas justamente por recearem o desenvolvimento de doenças periodontais. Com as células-tronco, esse é um risco praticamente inexistente.

Mais acessível

Os preços dos implantes dentários constituem o maior obstáculo a todos aqueles que pretendem ter acesso a esta solução. Felizmente, através do implante dentário com célula-tronco é agora possível para qualquer pessoa, mesmo com possibilidades financeiras mais limitadas, usufruir de todos os benefícios que podem ser retirados deste fantástico tratamento.

A razão pela qual a utilização das células-tronco contribui para reduzir os custos associados ao implante deve-se ao facto da instalação do mesmo ser feita com recurso a materiais relativamente baratos. Da mesma forma, esta nova alternativa anula a necessidade de realização de um enxerto ósseo, que geralmente é um procedimento que apenas contribui ainda mais para encarecer todo o tratamento.

Ao caracterizar-se por um período de recuperação muito mais rápido, o paciente que adere ao mesmo acabará, também, por poupar imenso em idas ao dentista, que muito frequentes costumam ser durante os seis meses de recuperação associados à maior parte dos tratamentos com implantes dentários.

Segundos os especialistas que têm vindo a trabalhar no desenvolvimento desta técnica, não existem quaisquer tipos de riscos para a saúde do paciente, que estejam associados à execução procedimento. Apesar de alguns receios por parte da comunidade cientifica em relação ao desenvolvimento de tumores e mutações, já foram efectuados diversos testes que demonstram que as probabilidades de problemas desse género virem a ocorrer são praticamente inexistentes.

Ainda que esta nova técnica se encontre numa fase muito inicial da sua existência, os especialistas encontram-se optimistas relativamente aos resultados que dela poderão vir a ser obtidos num futuro muito próximo.

mplantes dentarios fotos antes e depois

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