Infecção Urinária na Gravidez

O momento da gestação é sempre um dos mais importantes na vida de uma mulher. Para além de estar prestes a mudar grande parte da sua vida, tem também a certeza que, pelo menos, durante 9 meses sensivelmente, terá uma ligação directa com a saúde do bebé e com a forma como este poderá nascer.

Assim, a maioria das mulheres redobra os seus cuidados durante esse período de tempo, mas os problemas podem acontecer a qualquer momento, mesmo com os maiores cuidados possíveis, basta para isso que haja um pequeno descuido ou uma despreocupação durante alguns minutos.

Por outro lado, as infecções são provavelmente as grandes preocupações das grávidas, pois por muito insignificantes que possam parecer, há uma grande probabilidade de alguma forma afectar o feto e trazer problemas para o seu desenvolvimento. Principalmente no que diz respeito ao trato urinário, as mulheres que estão num momento de gravidez estão muito mais susceptíveis ao seu surgimento, devido a uma série de factores, sendo que é uma grande preocupação.

Segundo estudos feitos ao longo dos anos, estima-se que cerca de 20% das mulheres, durante o seu momento de gravidez, têm pelo menos uma infecção urinária.

Infecção urinária

Antes de saber exactamente do que se trata este problema de saúde durante os meses de gestação, quais os sintomas e como o tratar, é imprescindível saber exactamente do que se trata, sem a condicionante da gravidez.

Assim, a infecção urinária é resultado da presença de bactérias que aparecem no dia-a-dia de qualquer pessoa, que levam à inflamação e irritação do sistema urinário, um dos mais importantes de todo o organismo. Este problema é muito mais comum nas mulheres, com principal incidência naquelas que estão inseridas na faixa etária dos 20 aos 50 anos, sendo que segundo estudos feitos ao longo dos anos, são raras as mulheres que nunca passaram por um problema destes, em toda a sua vida.

Existem várias causas possíveis para este problema, contudo tendo em consideração que geralmente no aparelho urinário não há micróbios, a causa mais comum é a via ascendente, ou seja, as bactérias que se encontram no recto, ânus e vagina penetram ascendentemente para o aparelho urinário, usando a uretra, mesmo com todos os mecanismos de defesa que os organismos possuem. Obviamente que os hábitos e os problemas de saúde que afectam de alguma forma os mecanismos de defesa vão ajudar a que essas mesmas bactérias tenham o seu objectivo facilitado.

Infecção urinária na gravidez

Este problema de saúde é bem mais comum nas grávidas, havendo até estudos que confirmam que aproximadamente 1 mulher a cada 5, têm pelo menos uma infecção urinária durante o momento da gravidez, sendo que neste período da vida da mulher, se torna muito mais grave do que antes. Se não for bem tratada, a tempo e com o tratamento adequado, além de uma dor muito forte que pode causar, tem uma tendência para migrar para a região dos rins e agravar significativamente, para além de causar um desconforto enorme.

O momento da gravidez deixa as mulheres muito diferentes do normal, nomeadamente a nível hormonal, provocando alterações e mudanças significativas e até físicas no corpo da mulher, adicionando ainda a dificuldade destas em manter a sua higiene pessoal ao melhor nível, principalmente nos últimos meses de gravidez quando a barriga está já bastante grande, levam assim a um aumento de frequência das infecções urinárias. Além disso, durante este momento os músculos nos rins e na uretra estão mais relaxadas, diminuindo assim o fluxo da urine entre os rins e a bexiga, permitindo que as bactérias tenham mais tempo no interior do corpo para se multiplicar.

Este é um dos três problemas mais frequentes durante a gestação, sendo que a maioria dos casos acontece no primeiro trimestre da gravidez, apesar de muitas mulheres não levarem o assunto a sério, pode criar várias situações bastante graves e até contribuir para a mortalidade do feto.

Como ocorre?

O nosso organismo está repleto de bactérias no seu interior, sendo por isso tão importante que os nossos mecanismos de defesa estejam em pleno funcionamento, porém no aparelho urinário estes não existem, principalmente pelo forte fluxo que existe.

Este problema, a infecção urinária, independentemente do momento em que surge, é causada pela presença de bactérias da flora intestinal que contaminam o trato urinário, sendo que estas surgem na urina apenas quando deixa de existir o equilíbrio ideal entre as nossas defesas e a sua virulência.

Assim, tendo em consideração que durante os meses de gravidez a urina da mulher é mais rica em nutrientes, nomeadamente açúcar e aminoácidos, as necessidades das bactérias e o crescimento das mesmas é garantido e até ajudada pela situação. Além disso, durante estes meses é natural existir uma dilatação do trato urinário, permitindo assim que se criem condições para acontecer a estase urinária, ou seja, urina parada, favorecendo significativamente o surgimento de bactérias e assim a instalação da infecção urinária propriamente dita.

Por último, mas não menos importante, durante os meses de gestação o aumento do útero é apenas uma das muitas alterações físicas que vão acabar por surgir, sendo que por isso acaba por ocupar mais espaço, podendo vir a obstruir parcialmente o ureter e com isso criar situações preocupantes, que se não forem corrigidas e tratadas, levam à infecção urinária.

Quais os sintomas

Tendo em consideração que existe um sem número de sintomas, os especialistas preferiram dividir os mesmos por 4 tipos de infecção que podem surgir durante os meses de gravidez, sendo que alguns sintomas são comuns a todas elas.

Os sintomas mais comuns são: o aumento da vontade de urinar chegando muitas vezes até a tornar-se uma urgência difícil de controlar, a urina mais turva do que o normal, uma sensação de dor ou ardor no momento de urinar e até a possibilidade de existência de sangue junto à urina. Para além disso, quando a infecção se torna demasiado grave, atingindo os rins, é possível o surgimento de febre, dores fortes no fundo das costas, enjôos e vómitos e até uma falta de forças geral.

Além disso, existem quatro tipos de infecção urinária durante a gravidez, que se distinguem não só pelos sintomas que surgem como também pelo tipo de tratamentos, são eles:

Bacteriúria Assintomática

Neste caso, há presença de bactérias na urina, sendo que no caso das grávidas não apresenta sintomas ou queixas particulares, pois não está a acontecer lesão ou agressão à mucosa do trato urinário. No caso do momento da gravidez, a incidência é na ordem dos 7%, mas no caso destas terem também o problema da diabetes no seu organismo, a incidência é maior, em torno dos 14%, já no caso das mulheres que já tiveram o mesmo problema antes da gravidez, a incidência é de 20%.

Este tipo de infecção distingue-se das restantes pois mesmo com os exames da urina, é possível detectar essas bactérias, contudo não causam qualquer tipo de desconforto ou sintomas, sendo que na maioria dos casos não requer nenhum tipo de tratamento.

Cistite

É muitas vezes denominada também de infecção urinária baixa, sendo que neste caso em particular a agressão bacteriana é restrita à bexiga, causando um grande desconforto no momento de urinar, com um ardor muito característica e com uma maior necessidade urgente desse momento. Em alguns casos, apensar de não ser uma regra geral, pode existir sangue na urina ou no exame feito.

Pielonefrite Aguda

No que diz respeito às infecções urinárias durante o momento da gravidez, a Pielonefrite Aguda é a situação mais comum, ocorrendo em aproximadamente 2% de todas as mulheres grávidas. Tal como acontece com os tipos anteriormente referidos, é causada essencialmente pela bactéria E.Coli, contudo é mais grave do que a cistite e pode até levar à sepse grave, com choque circulatório (um síndrome que acontece nos pacientes com infecções graves, que é caracterizado por um estado inflamatório grave em todo o organismo) e até insuficiência respiratória.

A nível de sintomas, a piolonefrite aguda distingue-se por causa febre, calafrios, náuseas e vómitos, para além da dor e ardor no momento de urinar.

Pielonefrite Crónica

Como o próprio nome indica, este tipo de infecção urinária é a fase crónica das infecções que aconteceram antes, que devido à falta de tratamento ou à gravidade da situação, deixaram lesões ou cicatrizes nos rins. Na maioria dos casos, não apresentam sintomas visíveis, principalmente que seja possível distinguir de outro tipo de infecção urinária, mas podem estar acompanhadas de hipertensão arterial, algo que em termos práticos não apresenta ligação visível.

No caso das grávidas, a situação é ainda mais complexa e preocupante, já que a hipertensão arterial pode tornar-se demasiado grave, afectando a função renal e com isso afectar não só a saúde da mãe como também do feto.

Diagnóstico

Sendo este um problema de saúde que garante vários tipos de sintomas físicos, nomeadamente com alterações de rotinas e com uma necessidade extrema de urinar mais vezes que o normal, o diagnóstico é também muito simples de ser feito.

As primeiras suspeitas do aparecimento do problema surgem aquando esses sintomas se tornarem demasiado evidentes, nomeadamente com a urgência constante em urinar, o ardor e até as dores no fundo das costas. Posto isso, para as mulheres que se encontrem no momento da gestação, é aconselhável que sejam feitos exames à urina e urocultura a cada 3 meses, sendo que o principal objectivo é procurar infecções urinárias assintomáticas, tratando-as o quanto antes para evitar avanço no problema.

Assim que o exame é feito, um dos valores a ter em consideração é o número de leucócitos no sedimento urinário, sendo que geralmente este valor está acima do normal, acompanhando ainda com a presença de sangue e albumina na urina. É diagnosticada infecção urinária quando a cultura da urina é positiva, ou seja, quando no exame é perceptível a presença de mais de 100.000 bactérias por mililitros de urina.

Quando se fala em possíveis lesões no rim, durante a infecção urinária, o diagnóstico deve ser feito através de uma ecografia, avaliando essencialmente a anatomia do rimo, as malformações e ainda o tamanho do mesmo, sendo que quando este exame apresentar valores normais mas os sinais clínicos de infecção urinária teimarem em surgir, é provável que se trate de outro tipo de infecções.

Para além disso, é ainda importante lembrar que os exames à urina devem ser muito cuidadosos, principalmente no caso das grávidas, nomeadamente no terceiro trimestre, pois a contaminação da urina é muito comum, sendo por isso necessário extremo cuidado para evitar erros e falhar os tratamentos adequados.

Tratamento da infecção urinária

Em primeiro lugar, qualquer infecção deve ser tratada com muito cuidado, principalmente porque um tratamento incompleto ou desajustado, poderá não só causar alargamento do problema como ainda trazer complicações futuras para o restante organismo, até aquele que não está ligado à infecção propriamente dita.

Por outro lado, quando se está a falar de um momento de gravidez, as preocupações e os cuidados devem ser ainda maiores, caso contrário além de afectar o organismo em si e a saúde da mãe, está também a afectar a vida e a saúde de um feto que ainda apresenta mecanismos de defesa muito incompletos. Assim, sempre que a infecção urinária seja detectada, deve ser tratada imediatamente, evitando assim qualquer tipo de complicações, seja a propagação para uma infecção generalizada, uma situação de aborto, parto prematuro, hipertensão gestacional ou até anemia em estado bastante grave.

Assim, o tratamento deve ser feito à base de antibióticos, sempre com o cuidado para aconselhamento médico especializado para que a escolha seja feita tendo em consideração a restante medicação a tomar e até o tempo de gestação no momento. Contudo, é importante que o fármaco escolhido não seja prejudicial ao feto e seja usado durante o menos tempo possível, mas com a garantia e segurança que é feito o tratamento adequado às necessidades do organismo, tendo em consideração o diagnóstico feito previamente.

Prevenção

Não há tratamento mais eficaz do que a prevenção, independentemente do problema de saúde que esteja associado, por isso, no caso da infecção urinária, principalmente durante a gravidez, o melhor mesmo é tentar evitar que esse problema surja ou pelo menos que tenha tantas causas e motivos para surgir.

Assim, é possível administração medicação preventiva durante um longo período de tempo, contudo a ingestão de fármacos em excesso também não é aconselhável para a saúde do organismo, principalmente durante a gestão. Por isso, o mais aconselhável é a ingestão de líquidos em abundância, durante todo o dia, sendo igualmente importante procurar esvaziar por completo a bexiga sempre que forem urinar.

Infecção urinária na gravidez

17. março 2014 by admin

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