Medicamentos para Tratamento da Obesidade

Qual o papel da medicação no tratamento da obesidade?

O tratamento da obesidade com medicamentos apenas deve ser usado em doentes que tenham riscos de saúde relacionados com a obesidade. Os medicamentos só devem ser usados em doentes com um IMC (Índice de Massa Corporal) superior a 30 ou que tenham um IMC maior que 27 com doenças (como hipertensão, diabetes, colesterol elevado) que os coloquem em risco de desenvolver doença cardíaca. Os medicamentos não devem ser tomados por motivos estéticos.

Os medicamentos só devem ser usados juntamente com alterações na dieta e com um programa de exercício físico.

Tal como a dieta e prática de exercício físico, o objetivo da medicação tem de ser realista. Um tratamento com medicamentos bem-sucedido conseguirá uma perda de peso inicial de pelo menos 2,5 quilogramas durante o primeiro mês de tratamento e uma perda total de peso entre 10%-15% do peso corporal inicial. Também é importante recordar que estes medicamentos apenas funcionam enquanto são tomados. Quando deixa de os tomar, pode voltar a ganhar peso.

A primeira classe (categoria) de medicamentos usados para controlar o peso pode provocar sintomas que imitem (simulem) o sistema nervoso simpático. Fazem com que o corpo se sinta “sob stress” ou “nervoso”. Como resultado o maior efeito secundário desta classe de medicamentos é a hipertensão. Esta classe de medicamentos inclui a sibutramina (Meridica, que foi retirado do mercado nos EUA em Outubro de 2010 por precaução) e fentermina (Adipex P).

Estes medicamentos também diminuem o apetite, dando ao nosso corpo uma sensação de saciado. Os neurotransmissores, químicos cerebrais, regulam a nossa vontade de comer (ter fome ou estar saciado). Exemplos de neurotransmissores: serotonina, norepinefrina e dopamina. Os medicamentos anti obesidade que suprimem o apetite fazem-no aumentando o nível destes neurotransmissores na junção (sinapse) entre as terminações nervosas no cérebro.

Fentermina

A fentermina (Fastin, Adipex P) – metade da combinação fen/phen – suprime o apetite provocando a libertação de norepinefrina no corpo. A fentermina por si só continua disponível para o tratamento da obesidade, mas só a curto prazo (algumas semanas). Efeitos secundários mais comuns da fentermina: cefaleias, insónias, irritabilidade e nervosismo.

A Fenfluramina (o fen da combinação fen/phen) e dexfenfluramina (Redux) suprimem o apetite através do aumento da libertação de serotonina pelas células. Tanto a fenfluramina como a dexfenfluramina foram retirados do mercado em setembro de 1997 devido à associação destes dois medicamentos com a hipertensão pulmonar (doença rara, mas grave das artérias nos pulmões) e da combinação fen/phen com danos nas válvulas cardíacas.

Depois da remoção da fenfluramina, sugeriu-se combinar a fentermina com a fluoxetina (Prozac), combinação referida como fen/pro. No entanto, não foram conduzidos ensaios clínicos que confirmem a segurança e eficácia desta combinação, logo esta combinação não é aceite como tratamento para a obesidade.

Sibutramina (Meridia)

Em dezembro de 1997, nos EUA, a (Food and Drug Administration – FDA) aprovou como tratamento para obesidade a sibutramina (Meridia), medicamento que aumenta os níveis de serotonina e norepinefrina no cérebro (tanto para conseguir perder peso ou manter o peso perdido). No entanto, o medicamento foi retirado do mercado em outubro de 2010 porque durante ensaios clínicos se associou a um aumento do risco de ataque cardíaco e AVC.

Orlistato (Xenical, alli)

xenical alli

A próxima classe (categoria) de medicamentos altera o metabolismo da gordura. Orlistato (Xenical, alli) é o único medicamento nesta categoria aprovado pela FDA. Esta é uma classe de medicamentos anti obesidade denominados de inibidores da lípase ou bloqueadores da gordura. A gordura presente na comida só pode ser absorvida pelo corpo depois de ter sido quebrada (processo chamado de digestão) pelas enzimas digestivas conhecidas como lípases, que se encontram nos intestinos.

Ao inibir a ação das enzimas lípase, o orlistato evita que 30% da gordura seja absorvida no intestino. Os medicamentos nesta classe não afetam a química cerebral. Teoricamente, os efeitos secundários do orlistato devem ser residuais ou então darem quaisquer efeitos sistémicos (efeitos secundários noutras partes do corpo) porque o principal local de ação é dentro do lúmen intestinal, local onde quase não se absorvem medicamentos.

A FDA aprovou as cápsulas de orlistato, comercializadas como alli, como um tratamento para adultos com excesso de peso sem receita médica em fevereiro de 2007. O medicamento tinha sido aprovado anteriormente em 1999 como prescrição para ajudar a perder peso, com o nome comercial Xenical. A preparação sem receita médica tem uma dosagem menor do que a prescrição de Xenical.

Recomenda-se orlistato só a pessoas com mais de 18 anos de idade e em combinação com um regime de exercício físico e dieta. Pessoas com dificuldades na absorção da comida ou que não tenham excesso de peso não devem tomar orlistato. O excesso de peso está definido pelo National Institutes of Health como sendo um índice de massa corporal (IMC) de 27 ou superior.

O orlistato pode ser tomado até três vezes por dia, após cada refeição com conteúdo rico em gordura. O medicamento pode ser tomado durante a refeição ou até uma hora depois. Se saltar a refeição ou o conteúdo em gordura for baixo, não deve tomar o medicamento.

Efeitos secundários mais comuns provocados pelo orlistato: alterações nos hábitos intestinais. Pode haver um aumento do gás intestinal, necessidade urgente de evacuar, fezes mais liquidas, evacuação liquida, presença de sangue nas fezes, aumento dos movimentos intestinais e incapacidade de controlar os movimentos intestinais. As mulheres também podem ter alterações do ciclo menstrual durante a toma de orlistato. Os efeitos secundários são mais comuns nas primeiras semanas após iniciar a toma de orlistato. Em algumas pessoas, os efeitos secundários mantêm-se durante toda a toma do medicamento.

Pessoas com diabetes, problemas de tiroide, que tenham sido transplantados ou que estejam a tomar medicamentos que afetem a coagulação do sangue, devem falar com o seu médico antes de tomar orlistato sem receita médica (alli), pois pode haver interações com outros medicamentos.

A longo prazo, a diminuição da absorção de gordura pode levar a uma deficiência de vitaminas solúveis em gordura (como vitaminas A, D, E, K). Os doentes que estejam a tomar orlistato devem fazer um suplemento vitamínico adequado.

Belviq

Em junho de 2012 a FDA aprovou o Belviq (hidrocloreto de locaserina) como medicamento para perder peso. O medicamento controla o apetite (através da ativação da serotonina). De acordo com a FDA, cerca de metade dos doentes que tomam este medicamento perderam pelo menos 5% do seu peso inicial, sendo mais do dobro do peso perdido pelo grupo de controlo. Esta perda de peso só se verificou em doentes sem diabetes tipo 2.

O medicamento está aprovado para doentes obesos (IMC superior a 30) ou com excesso de peso (IMC superior a 27) com um problema de saúde relacionado com o peso. Os efeitos secundários mais predominantes são cefaleias, tonturas e fadiga. Os doentes diabéticos podem ter uma diminuição de açúcar no sangue durante a toma de Belviq.

Qsymia

O Qsymia foi recentemente aprovado na luta contra o excesso de peso. É uma combinação de fentermina e topiramato de libertação prolongada. Tal como com os outros medicamentos apenas está aprovado para doentes obesos (IMC superior a 30) ou com excesso de peso (IMC superior a 27) com um problema de saúde relacionado com o peso. De acordo com a FDA, um grupo significativo de doentes a tomar Qsymia conseguiram uma perda de peso entre %5 a 10%. Os participantes deste estudo foram encorajados a fazer uma dieta equilibrada e baixa em calorias.

Há que ressalvar que a toma de Qsymia pode provocar alterações neonatais, logo é importante que as mulheres saibam se estão ou não grávidas antes de iniciar a toma deste medicamento. Outros efeitos secundários graves incluem aumento do ritmo cardíaco, problemas de visão (glaucoma) e pensamentos suicidas. Os doentes diabéticos podem ter uma diminuição de açúcar no sangue durante a toma de Qsymia.

Leia também o artigo que aborda a Cirurgia para o Tratamento da Obesidade.