Melanoma Maligno (Câncer de Pele)

Apesar de muitas pessoas não lhe darem a devida atenção e importância, a pele é um dos órgãos mais importantes para todo o organismo, com funções muito específicas e ao mesmo tempo essenciais para o bom funcionamento do organismo. Além disso, é também o maior órgão do corpo, sendo este o que engloba todo o corpo e o protege da grande maioria das agressões exteriores.

Tendo em consideração que é a primeira barreira que estas agressões externas encontram quando tentam afectar o nosso organismo, é natural que haja complicações e problemas que podem acontecer. Um dos problemas que podem surgir prende-se com as transformações malignas das células, surgindo assim o melanoma maligno ou apenas melanoma, sendo este um tipo de cancro de pele que afeta um grande número de pessoas.

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O melanoma não é o cancro de pele mais comum de todos, contudo por outro lado é o mais grave deles, podendo até não afectar unicamente a pele e espalhar-se por outros órgãos. Como a pele é um dos órgãos menos tratados da maioria das pessoas, é importante que mudem a sua postura e comecem a olhar para ele com outros olhos, de forma a cuidar e prevenir o aparecimento destas doenças.

Muitas pessoas acreditam que este tipo de problemas de pele apenas surge em pessoas que têm a sua vida profissional bastante ligada à exposição solar, ou seja, profissões como agricultores e pescadores, que passam imensas horas ao sol, porém o melanoma maligno atinge os melanócitos, que são as células que dão a cor à nossa pele, afetando zonas do corpo que estão expostas ao sol e outras que não, mostrando que a doença não está apenas ligada à exposição solar.

O que é ?

O melanoma maligno é o câncer de pele mais perigoso que os pacientes podem ter, sendo este também a principal causa de morte entre as doenças de pele, algo que a maioria das pessoas não dá a devida importância.

Na nossa pele existem diversas camadas e pigmentos que têm funções distintas e importantes, como é o caso das células melanócitos que têm como principal função produzir um pigmento, denominado de melanina, que é responsável pela cor da pele e até do cabelo.

O melanoma maligno é essencialmente um problema com estas células, não deixando que estas realizem as suas funções normalmente, podendo afectar áreas expostas normalmente ou sol ou não, o que mostra que ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, o cancro de pele não está apenas relacionado com a exposição ao sol. Este problema afecta homens e mulheres, no entanto a maior incidência é em adultos, dos 30 aos 50 anos.

É caracterizado pelo aparecimento de várias manchas em todo o corpo, tendo uma grande facilidade em espalhar-se para locais distantes numa fase inicial de crescimento, reflectindo-se assim na gravidade que este problema apresenta, chegando até muitas vezes à morte quando o diagnóstico não é realizado numa fase inicial.

Tipos de Melanoma

Como seria de esperar, existem vários tipos de melanoma, nomeadamente no que diz respeito ao padrão do seu crescimento, sendo uns mais comuns que outros, mas todos eles apresentam as suas características. Para que o diagnóstico seja feito da forma correcta e administrado o tratamento adequado, é essencial conhecer qual o tipo de melanoma de que o paciente sofre.

Melanoma Extensivo Superficial

Este é o mais popular de todos, representando perto de 70% dos casos. Estes podem surgir numa mancha no corpo já existente, por isso é que é importante acompanhar a evolução dessas manchas existentes, já que podem mudar ao longo dos meses ou anos, demonstrando assim alterações e necessidade de acompanhamento médico.

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Foto de Melanoma extensivo superficial

Estes podem ser planos, no entanto com a evolução podem apresentar outras características. Têm, em média, 2 centímetros de diâmetros, cores variadas e formas irregulares.

Melanoma Nodular

Foto de Evolução de Melanoma Nodular Maligno

Representa o máximo de 30% dos casos de melanoma maligno, sendo que geralmente apresenta cores azul-preto, porém em alguns casos pode ser mais subtil do que se idealiza.

É conhecido entre os especialistas por aparecer essencialmente em lesões já existentes no corpo, por isso é essencial verificar a essência de manchas que tenha já no seu corpo.

Lentigo Maligno Melanoma

Geralmente apresenta-se muito maior do que os tipos apresentados antes, com cor acastanhada e começa apenas como uma pequenina mancha que vai evoluindo. Representa uma percentagem de, no máximo, 10% dos casos diagnosticados e surge em zonas do corpo expostas ao sol, como o rosto, braços e pescoço.

Foto de Lentigo maligno melanoma na bochecha

Melanoma Acra-Lentiginoso

É muito mais comum nas pessoas de pele escura, representando 60% dos casos, enquanto que no caso de pessoas de pele clara representa apenas 6% dos casos.

Foto de Melanoma Acral Lentiginoso

Estes casos surgem essencialmente nas extremidades do corpo, como as mãos, os pés e até sob as unhas, com formas irregulares e não apresenta grandes características a nível de espessura.

Classificação

De forma a que o diagnóstico seja feito da forma mais eficaz possível, para que o tratamento seja também o mais adequado, foram criadas duas escalas de classificação, nomeadamente a classificação de Breslow e a classificação de Clark, sendo que o objectivo é classificar os próprios tumores consoante a forma como estes foram desenvolvidos a nível de espessura.

Classificação de Breslow

A classificação de Breslow tem por base a espessura vertical da lesão em milímetros, é a mais usada de todas, pois é também a que apresenta os melhores e mais eficazes resultados.

Assim, esta classificação está dividida da seguinte forma:

– Espessura de 0,75mm ou menos
– Espessura de 0,76 a 1,5mm
– Espessura de 1,51 a 4mm
– Espessura superior a 4mm

Classificação de Clark

A classificação de Clark é referente ao nível anatómico que o tumor invadiu as camadas da pele, demonstrando assim a evolução do mesmo e o tipo de tratamento necessário para cuidar do mesmo.

Assim, a classificação apresenta 5 níveis distintos, cada um deles com a invasão de uma determinada camada da pele, nomeadamente:

– Nível I – afecta apenas a epiderme, sem invasão propriamente dita
– Nível II – afecta a derme capilar, porém não interfere com a derme capilar-reticular
– Nível III – afecta e expande directamente na derme capilar, chegando à derme capilar-reticular, porém não a invade
– Nível IV – afecta a derme capilar-reticular, mas não o tecido subcutâneo
– Nível V – é a classificação mais intensa, já que afecta o tecido subcutâneo

Fatores de Risco

Apesar de muitas pessoas associarem os cancros de pele apenas à exposição solar, existem outros fatores de risco, vulgo causas, que devem ser analisadas, pois nem todos os tumores se comportam exactamente da mesma forma e é essencial compreender os mesmos para realizar o diagnóstico mais eficazmente possível, de forma a apresentar as melhores soluções a nível de tratamento.

Em primeiro lugar é importante saber que as causas para o aparecimento de melanoma maligno envolve não só os fatores ambientais como também os fatores genéticos. Assim, o historial familiar desta doença é extremamente importante, já que aumenta a probabilidade de um paciente vir a ter este tipo de problemas.

Além disso, existem características físicas, como olhos azuis, cabelos claros ou ruivos e pele muito clara, que têm tendência ao aparecimento de manchas ou sinais, que mais tarde podem vir a tornar-se melanomas. Assim, apesar de ser muito menos comum, as pessoas negras podem também desenvolver melanoma, não estando por isso imunes à doença.

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Já no que diz respeito aos fatores ambientais, o mais importante é mesmo a exposição solar ao longo de toda a vida, nomeadamente a exposição à radiação ultravioleta A e B, seja de forma natural ou então através dos aparelhos de bronzeamento. Por isso, pessoas que vivam em regiões tropicais ou então que tenha uma vida que as exponha demasiado tempo à luz solar, devem usar protetor solar de qualidade e com o fator indicado para o seu tom de pele, de forma a evitar ao máximo que os raios ultravioleta incidam violentamente na sua pele e possam trazer problemas posteriores.

Sintomas

Como já foi referido antes, o principal sintoma de um melanoma maligno é o aparecimento de uma alteração na pele, seja uma pinta, um nódulo ou mesmo uma nova formação na pele. Estas características podem ocorrer a qualquer momento da vida de uma pessoa ou então acontecerem da alteração de uma lesão pigmentada já existente, isto é, a mancha poderá aparecer em qualquer parte da vida do paciente ou então vir a alterar-se de um sinal ou mancha de nascença que tenha, daí que é tão importante ir analisando periodicamente todas as manchas que existem no corpo, pelo menos as que apresentarem características especiais.

De forma a que os pacientes consigam fazer um prévio diagnóstico do que se passa no seu corpo, relativamente à pele e às possíveis manchas existentes, foi criado o sistema ABCDE, que centra as principais características a ter em consideração no que diz respeito aos sintomas de melanoma.

A – Assimetria – neste caso específico apresenta características de assimetria quanto à sua área, isto é, metade da mancha apresenta uma forma e a outra metade é diferente

B – Borda – a lesão apresenta bordas irregulares e sem uma forma estabelecida

C – Cor – pode ocorrer uma mistura de cores na mesma lesão, sendo um alerta, assim como a mudança de cor da mesma ao longo do tempo

D – Dimensão – geralmente as manchas têm 6mm de diâmetro, porém podem apresentar outras dimensões, mas o mais comum é exactamente essa medida mais ou menos.

E – Evolução – quando ocorre alterações nas características anteriores ou surgem sintomas como comichão ou sensibilidade.

Para que o tratamento seja feito da melhor forma possível é importante reconhecer os sintomas o mais cedo possível, por isso deverá conhecer muito bem o seu corpo e ter conhecimento de novas manchas que vão aparecendo, por muito pequenas e insignificantes que possam parecer.

Devem também pedir um exame profissional a um dermatologista sempre que acharem importante, em todo o caso, mesmo que não descubram nada, façam-no uma vez dois em dois anos, no mínimo.

Diagnóstico

Quando o paciente descobre uma pequena mancha no seu corpo deverá consultar o seu dermatologista o mais rápido possível, pois em alguns casos poderá não passar de alterações de pigmentação, como também é possível que seja um melanoma e para isso é imprescindível o diagnóstico o mais rápido possível.

Por outro lado, o dermatologista irá realizar um exame clínico, inicialmente à vista desarmada e posteriormente com um dermatoscópio, analisando ao pormenor a mancha quando aos critérios mencionados em cima, ABCDE.

Depois dessa análise, as manchas ou lesões que levarem a algumas suspeitas por parte dos especialistas, serão removidas cirurgicamente, numa biópsia de forma total ou não, dependendo da necessidade. Depois a lesão removida é levada para um médico patologista e o diagnóstico é feito com mais pormenor.

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Este diagnóstico, agora feito pelo médico patologista, concentra-se na espessura, profundidade que afectou a pele e até a sua evolução, para que seja mais fácil de diagnosticar ao pormenor e com isso encontrar o melhor tratamento, sabendo quanto o tumor já avançou até ser detectado.

Tratamento

O tratamento mais adequado e que é usado em praticamente todos os casos é a remoção cirúrgica das células da pele afetadas pelo melanoma, assim como parte do tecido normal que se encontram em sua volta. A quantidade de tecido normal que é necessário retirar depende apenas da evolução do mesmo e da profundidade que este atingiu nas camadas da pele.

Até ao momento, mesmo com a evolução da medicina a apresentar-se muito interessante, o melanoma em geral não apresenta uma cura total, sendo que o tratamento para este remete-se apenas à remoção do máximo de tecido possível de forma a diminuir o mesmo e amenizando também os sintomas apresentados.

Depois da cirurgia realizada, alguns pacientes necessitam de algumas sessões de quimioterapia, principalmente para os melanomas que voltam a surgir ou que se espalharam por várias zonas do corpo, assim como a administração de alguns medicamentos específicos que têm como objetivo estimular o sistema imunológico de forma a este, em conjunto com a quimioterapia, combata o melanoma, porém este tipo de tratamento apresenta muitos efeitos secundários e não é muito comum.

Existem ainda alguns pacientes que recorrem ao tratamento com radiação para aliviar a dor ou desconforto, quando o câncer de pele se espalha por outras zonas, outros preferem optar pela remoção cirúrgica dos mesmos.

O sucesso do tratamento depende de muitos fatores, como até a saúde geral do paciente e a sua força mental para ultrapassar este problema. Porém, se o melanoma for detectado relativamente cedo, tendo em consideração a sua evolução, é bem provável que com os tratamentos certos e com a força necessária, o paciente fique completamente curado e sem complicações futuras.

Prevenção

O melanoma é uma das piores doenças de pele que qualquer pessoa poderá ter, por isso, mesmo quando o paciente conseguiu, com tratamento adequado, remover por completo do seu corpo, o risco deste voltar a surgir é enorme, por isso é essencial um sistema de prevenção ainda mais eficaz e seguro.

Assim, a melhor prevenção que um paciente poderá fazer é o auto-exame, isto é, deve analisar e examinar regularmente a sua pele em todo o corpo (não apenas o que está exposto ao sol), em frente a um espelho e sempre que haja qualquer tipo de alteração suspeita na pele, recorrer ao médico especialista rapidamente. Por outro lado, para pessoas com mais de 40 anos é aconselhado um exame profissional anualmente e para pessoas com idade inferior o mesmo exame deve ser feito a cada 3 anos.

Além disso, por último, os pacientes devem evitar ao máximo a exposição solar em demasia, especialmente durante o verão e no horário das 10 horas às 16 horas. Devem usar roupas que protejam a exposição solar, assim como chapéu e óculos de sol (de qualidade e recomendados pelo médico), evitar ao máximo as máquinas de bronzeamento artificial e usar protetor solar diariamente, mesmo durante o inverno.

Possíveis Complicações

O melanoma maligno é muito mais do que um problema de pele, podendo apresentar complicações e efeitos secundários para praticamente todo o organismo.

Assim, entre as possíveis complicações do melanoma maligno destaca-se as dores, a possibilidade do mesmo se espalhar por outros órgãos além da pele, as náuseas, a perda de cabelo (muito por culpa dos tratamentos necessários, a quimioterapia por exemplo), a fadiga em excesso e até os danos que podem ficar para sempre na sua pele e nas várias camadas da mesma.

(Leia mais sobre Quimioterapia – Efeitos Secundários, Como Funciona e Objetivos do Tratamento)

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20. Junho 2014 by admin

Um Comentário no Forum

  1. eu tenho melanoma maligno gostaria de saber se essa doença posso me aposentar .

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