Obesidade e Síndrome metabólica

Conheça melhor o significado de síndrome metabólica, as formas de diagnóstico da obesidade, e a obesidade central (gordura visceral).

obesidade central

A obesidade é um dos maiores flagelos do mundo desenvolvido, estimando-se que atualmente mais de metade da sua população tenha excesso de peso. Se olharmos para o mundo inteiro, mesmo integrando as populações de países mais desfavorecidos, a percentagem é acima dos 30%.

Com a abundância de alimentos, e uma alimentação cada vez mais calórica, aliada a um estilo de vida mais sedentário, nos países dito desenvolvidos são cada vez mais as pessoas com peso acima do limite normal, do que aquelas com o peso correto.

Além do fator estético, este excesso de peso tem consequências bastante grandes na saúde do organismo, afetando todo o seu funcionamento. Neste artigo iremos falar sobre como saber se tem excesso de peso, da obesidade central e ainda, da síndrome metabólica.

Como diagnosticar a obesidade?

Na grande maioria das pessoas, é muito simples diagnosticar a obesidade. No entanto, não pense que basta olhar para uma pessoa e ver se ela é “gorda” ou não. O aspeto diz muito, é verdade, mas cada pessoa tem uma estrutura diferente, que pode induzir em erro. Assim, foi elaborado um método, denominado IMC (Índice de Massa Corporal), que irá relacionar o peso e a altura de uma pessoa, resultando num valor que basicamente nos mostra a densidade do corpo.

Este método funciona com praticamente todas as pessoas, apenas falhando naquelas que têm uma massa muscular bastante grande, no entanto com pouca gordura, pois o IMC tenderá a colocar estes indivíduos no nível de excesso de peso. Isto acontece porque a massa muscular é mais pesada e densa que a massa gorda.

Assim, para calcular o IMC basta usar a seguinte fórmula: IMC = Peso (kg) ÷ altura (m).
Depois de calcular, basta consultar a classificação de obesidade e ver onde o seu valor se encaixa.

Peso abaixo do normal = IMC < 18,5 Kg/m²
Peso normal = IMC entre 18,5 Kg/m² e 24,9 Kg/m²
Sobrepeso = IMC entre 25 Kg/m² e 29,9 Kg/m²
Obesidade grau I = IMC entre 30 Kg/m² e 34,9 Kg/m²
Obesidade grau II = IMC entre 35 Kg/m² e 39,9 Kg/m²
Obesidade mórbida = IMC > que 40 Kg/m²

Utilize as calculadoras seguintes para calcular seu Índice de Massa Corporal e o seu peso ideal:

Calculadora para medir o IMC

Calculadora IMC
Peso: kgs
Altura: m
cm

Calcular o Peso Ideal

Calculadora Peso Ideal
Sexo: masc
fem
Altura: m
cm

Como referimos atrás, as causas mais comuns de obesidade são uma alimentação muito calórica juntamente com um estilo de vida sedentário. Apenas uma pequena percentagem de pessoas sofre de excesso de peso devido a alguma doença ou a efeitos secundários de algum medicamento.

Entre os vários medicamentos que podem causar aumento de peso, encontram-se os corticóides, antidepressivos, antipsicóticos e antiepiléticos. Contudo, é importante perceber que estas drogas podem provocar algum aumento de peso, mas não obesidade.

Obesidade central (gordura visceral)

Quando uma pessoa começa a ficar com excesso de peso, isso decorre pela acumulação de nutrientes energéticos que o organismo não conseguiu utilizar na totalidade para produzir energia, sendo por isso transformados em massa gorda e armazenada. Esta irá acumular-se por todo o corpo, mas com especial incidência em algumas zonas.

Contudo, há regiões onde esta acumulação terá um efeito mais prejudicial que outras. É o caso da região abdominal, onde a gordura acumulada irá envolver alguns órgãos vitais.

A esta gordura chamamos de gordura visceral, sendo a que pode provocar maiores problemas de saúde. A partir de um determinado valor de IMC (25kg/m2), deve ser medida com regularidade a cintura abdominal, pois a obesidade central aumentará os riscos de doenças cardiovasculares.

Já a gordura acumulada nas ancas, nádegas e coxas não apresentam grandes riscos de saúde. Assim, costuma-se comparar a forma do corpo com uma maçã ou com uma pera, onde no primeiro caso a gordura está acumulada na cintura (gordura visceral), e no segundo caso está acumulada mais abaixo, nas ancas e coxas.

Obesidade central - gordura visceral - corpo em forma de pera e maçã

Para verificar se a cintura está a um nível adequado ou não, basta medi-la. Se for homem, ela não deverá ultrapassar os 102 cm, e se for mulher, 88 cm. Outro método é através da relação entre a medida da cintura e a medida do quadril. Basta medir ambos, e dividir o valor da primeira pelo valor da segunda.

Se for homem, não deve ultrapassar o quociente 1, e nas mulheres, o quociente 0,8. No entanto, estes dois métodos apenas servem para indivíduos com um IMC menor que 35Kg/m2. A partir deste valor, o nível de obesidade já é demasiado alto, e todos apresentam um grande risco de aparecimento de doenças relacionadas. Um desses problemas é o aparecimento da síndrome metabólica.

Síndrome metabólica

A síndrome metabólica não é nada mais que uma condição clínica onde existem vários fatores de risco para o paciente, que aumentam consideravelmente as hipóteses de vir a sofrer de diabetes mellitus tipo II ou doenças cardiovasculares. Para se considerar uma pessoa portadora da síndrome metabólica, esta necessita de ter no mínimo 3 de 5 fatores de risco. De seguida, apresentamos esses 5 fatores de risco:

– Níveis de triglicéridos no sangue superior a 150 mg/dl;
– Níveis de colesterol “bom”, HDL, abaixo de 50 mg/dl nas mulheres, e 40 mg/dl nos homens;
– Medida da cintura abdominal maior que 88 cm nas mulheres, e 102 cm nos homens;
– Níveis de glicose superiores a 100 mg/dl em jejum;
– Pressão arterial superior a 130 /85 mmHg.

Etiologia da Síndrome metabólica

A causa da síndrome metabólica é desconhecida. A sua patofisiologia é extremamente complexa. A maioria dos pacientes têm uma idade avançada, são obesos, sedentários e têm algum grau de resistência à insulina. A resistência à insulina desempenha um papel central na gênese desta síndrome.

Tratamento da Síndrome metabólica

O exercício fisíco e uma dieta saudável são algumas das medidas úteis para melhorar a sensibilidade à insulina, reduzir a hipertensão arterial e os níveis de colesterol.  O tratamento sugerido é então, principalmente, seguir um estilo de vida saudável, ou seja, fazer uma restrição calórica aliada a uma atividade física regular.

No entanto, é por vezes necessário realizar o tratamento com o recurso a alguma medicação. A redução de peso e o aumento da actividade física conduzem a uma redução efectiva de todos os factores de risco cardiovasculares, melhoram a sensibilidade à insulina e reduzem o risco de doença cardiovascular.

A redução de peso, mesmo moderada (10% do peso inicial) leva a uma redução no LDL (Lipoproteína de baixa densidade “colesterol ruim” ou “colesterol mau“), melhora todos os factores de risco e reduz o risco cardiovascular geral do paciente. Em geral, as doenças que compõem a síndrome metabólica são tratados separadamente.

Prevenção da Síndrome metabólica

Várias estratégias têm sido propostas para prevenir o desenvolvimento da síndrome metabólica. Estas incluem o aumento da atividade física (como caminhar 30 minutos por dia), e uma dieta saudável, baixa em calorias. Em 2007, um estudo realizado em 2.375 homens com mais de 20 anos sugere que a ingestão diária de leite ou de produtos lácteos equivalentes podem reduzir pela metade o risco de síndrome metabólica.

Malefícios da obesidade

Como já referimos atrás, quanto maior for o excesso de peso, maiores são os riscos de saúde para o organismo. Não é apenas o fator estético, mas essencialmente o fator saúde e risco de vida que deveria levar a uma mudança de hábitos de vida, que leve a um decréscimo desse peso excessivo.

Na realidade, um obeso tem uma expetativa de vida bem menor que uma pessoa com um peso normal, tendo um risco três vezes mais elevado de morte. Isto acontece principalmente devido ao facto da massa gorda afetar o metabolismo do corpo, através da produção de enzimas, que irão ter diversos efeitos negativos no funcionamento do organismo, nomeadamente no aumento da pressão arterial, aumento dos níveis de colesterol LDL nos vasos sanguíneos, ou ao provocar maior resistência à ação da insulina.

Estes são apenas alguns exemplos de como o excesso de gordura no organismo pode afetá-lo. De seguida apresentamos algumas das muitas doenças associadas ao excesso de peso, além da referida síndrome metabólica.

– Hipertensão;
– Enfarte do miocárdio;
– AVC (Acidente Vascular Cerebral);
– Arritmias cardíacas;
– Insuficiência cardíaca;
– Trombose venosa;
– Diabetes mellitus tipo 2;
– Colesterol LDL alto;
– Insuficiência venosa e varizes nas pernas;
Doença do refluxo gastroesofágico;
– Cancro de esófago, cólon, fígado, pâncreas e rins;
– Linfoma;
Osteoartrite e lesões articulares;
– Cálculo renal;
– Glomerulonefrite e Síndrome nefrótica (Leia: Glomerulonefrite – Tratamento, Sintomas, Causas, Classificação e Diagnóstico);
– Incontinência urinária;
– Insuficiência renal;
– Crescimento de pelos nas mulheres;
– Gota;
– Apneia do sono;
– Síndrome do túnel do carpo;
– Demência.

Drogas para tratar a obesidade

O Orlistat (Orlistate) é o fármaco de nome comercial (Xenical) mais utilizado em todo o mundo para tratar a obesidade.