Osteoporose – Tratamento, Medicamentos, Causas, Sintomas, Diagnóstico, Classificação

A osteoporose é uma doença que se caracteriza pela progressiva descalcificação da massa óssea, tornando-se gradualmente menos densa e mais porosa. Este facto irá resultar na redução da qualidade do osso, tornando-o mais frágil e suscetível de quebrar facilmente. Com o tempo, e se nada for feito, a massa óssea torna-se cada vez menos densa, aumentando as probabilidades de uma fratura espontânea.

Apesar de ocorrer especialmente nos elementos do sexo feminino, também pode ocorrer nos homens, principalmente em idades mais avançadas.

Causas da osteoporose

Os ossos do esqueleto humano desenvolvem-se durante o crescimento, ou seja, até aos 20 anos. A partir desse momento, e até aproximadamente os 35 anos, a massa óssea ganha densidade. Depois de alcançar essa idade, essa densidade começa a ser perdida gradualmente, de forma natural. No entanto, devido a várias razões, que vamos já de seguida explicar, esse processo é mais rápido nas mulheres, devido sobretudo à menopausa.

A osteoporose está intimamente ligada ao decréscimo dos níveis da hormona estrogénio no organismo. Esta hormona tem várias funções, sendo uma delas manter o equilíbrio entre o ganho e a perda da densidade dos ossos. Este equilíbrio existe pois as células que têm a responsabilidade de produzir e formar massa óssea têm uma atividade idêntica às das células que vão destruir e reabsorver as células ósseas, de maneira a permitir a sua renovação.

Quando o estrogênio diminui consideravelmente, esse equilíbrio perde-se, e a massa óssea reduz a sua densidade com maior rapidez. Isto acontece pois os ossos, sem a presença dos níveis adequados de estrogénio, começam a incorporar menor quantidade de cálcio, mineral essencial na formação e desenvolvimento dos ossos.

A perda de massa óssea pode tornar-se tão grande, que podem ocorrer fraturas em atividades normais do dia-a-dia. Enquanto nos homens essa diminuição faz-se mais lentamente, e com o avançar da idade, já nas mulheres isso ocorre drasticamente após a menopausa. Daí a maior incidência da osteoporose nas mulheres que nos homens.

foto de osso com osteoporose

Classificação

Dependendo dos resultados que se obtenham na densitometria óssea, pode realizar-se a seguinte classificação:
Densidade óssea Normal: Quando a densidade mineral óssea tem o T-score (escala T) superior a -1.
Osteopenia: Quando a densidade mineral óssea se encontra com o T-score entre -1 -2,5 . A osteopenia não se inclui dentro da osteoporose e geralmente não requer tratamento medicamentoso.
Osteoporose: Quando a densidade óssea é inferior -2,5 na escala T
Osteoporose estabelecida: Quando existe osteoporose ao ponto causar fratura.

Apesar da osteoporose ter como principal causa a diminuição do estrogênio, existem ainda outras origens para este problema. Assim, a Organização Mundial de Saúde classifica os vários tipos de osteoporose em dois grupos, consoante a causa que a provocou.

Osteoporose primária

Causada pela simples diminuição do estrogénio, sem nenhuma doença subjacente, este tipo de osteoporose resulta de causas naturais, como a menopausa ou um desenvolvimento deficiente da massa óssea durante a fase de crescimento.

Osteoporose secundária

Menos frequente, este tipo de osteoporose resulta de alguma doença, medicação, ou até mesmo, um distúrbio alimentar.

Sintomas

Como foi referido atrás, a osteoporose é uma doença de evolução lenta mas gradual. Como tal, até à primeira fratura, não existem sintomas que indiquem o problema. Assim, a osteoporose é assintomática até ocorrer a primeira fratura, normalmente acompanhada de dores fortes.

Em fases mais avançadas, a osteoporose pode provocar a diminuição da altura do paciente, e até mesmo originar deformações corporais.

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Diagnóstico

A osteoporose é assintomática até ocorrer a primeira fratura. Como tal, não existem sinais que indiquem a doença. Assim, normalmente o diagnóstico é feito após a primeiro fratura, havendo no entanto formas de se detetar a osteoporose mais cedo.

Nos casos de mulheres ainda não diagnosticadas, é possível fazê-lo através do rastreio da doença. Tendo em conta que 1 em cada 4 mulheres irá sofrer de osteoporose, é uma atitude inteligente fazer esse rastreio, podendo a partir desse momento mais facilmente prevenir a doença.

Relativamente a mulheres, e homens, que já tiveram a sua primeira fratura, o diagnóstico inicia-se com a avaliação do historial do paciente. Nesta avaliação devem ser tidos em conta o consumo de cálcio durante a infância, se ocorreu perda de altura, hábitos de vida mais ou menos saudáveis, menopausa, medicação frequente e doenças associadas.

Após esta análise, devem ser então feitos alguns exames, que terão como objetivo medir a massa óssea e quantificar a perda já ocorrida de densidade. Os exames são a densitometria óssea, Raio X, Ultra sonomoteria óssea, histomorfometria, e ainda, alguns exames laboratoriais.

Através destes exames é possível então ver o atual estado da doença, sendo uma ferramenta indispensável para definir qual o melhor tratamento.

Tratamento

Atualmente existem diversos tratamentos eficazes para a osteoporose, especialmente para aquela que surge após a menopausa. O tratamento baseia-se na recomendação de quantidades adequadas de cálcio na dieta, na prática de exercício físico e na administração de medicamentos que contribuam para a manutenção ou aumento da massa óssea.

Os principais medicamentos utilizados são os sais de cálcio, administrados a solo ou combinados com a vitamina D, bifosfonatos, Ranelato de Estrôncio, raloxifeno, teriparatida, denosumab, calcitonina e tratamento de reposição hormonal com estrogênio. Os bifosfonatos constituem o grupo de fármacos mais utilizados, dentro desta família de medicamentos encontra-se o ácido Alendronato de sódio (alendronato), risedronato (ácido risedrónico) e ibandronato.

Calcitonina

A calcitocina é um medicamento que ajuda a inibir a destruição e reabsorção da massa óssea.

Denosumab

O denosumab, de nome comercial Prolia e Xgeva, é um anticorpo monoclonal indicado para o tratamento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa, na fragilização óssea devido á artrite reumatóide (Leia: Artrite Reumatoide – Tratamento, Sintomas, Causas e Exames de Diagnóstico) ou devido a tumores metastáticos. Os efeitos colaterais mais comuns são dor nas costas, hipercolesterolemia, e infecções da bexiga. Os efeitos colaterais mais graves são: hipocalcemia, infecções graves, incluindo infecções da pele, dermatite, eczema e erupções cutâneas.

Moduladores Seletivos do Receptor de Estrógeno

Este tratamento irá ter uma ação idêntica à do estrogénio, que ajudará dessa forma a inibir a destruição e reabsorção da massa óssea.

Raloxifeno

O raloxifeno é um fármaco indicado para o tratamento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa. A sua acção principal é diminuir a probabilidade de ocorrência de fracturas da coluna, neste grupo de pacientes, no entanto, não reduz o risco de fractura da anca.

Pertence ao grupo terapêutico dos Moduladores Seletivos do Receptor de Estrógeno (MSREs – sua sigla em inglês é SERMs), de modo que a sua acção é devida à ligação dos receptores de estrógeno em diferentes tecidos existentes no osso, de modo a promover um aumento da massa óssea e diminuir a probabilidade de fracturas vertebrais.

Terapia de Reposição Hormonal

Injeção de hormonas femininas, de forma a repor os níveis perdidos com a menopausa.

Ranelato de Estrôncio

O ranelato de estrôncio é uma droga indicada para o tratamento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa. A molécula constituinte contém ácido ranélico, um ácido orgânico, sem atividade farmacológica, combinada com dois átomos de estrôncio. Atua promovendo a ação dos osteoblastos para formar novo osso e diminui a reabsorção óssea através da inativação de células. Verificou-se que a administração contínua reduz em 41% o número de fraturas vertebrais em mulheres com osteoporose após um período de observação de três anos.

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Bisfosfonatos

Estes medicamentos ajudam a diminuir a destruição e reabsorção da massa óssea, normalizando o equilíbrio entre formação e destruição das células ósseas. São um grupo de medicamentos utilizados não só na prevenção e tratamento de doenças de reabsorção óssea, tais como osteoporose, como também no cancro com metástases ósseas, seja com ou sem hipercalcemia, associadas com o cancro da mama e da próstata.

Teriparatide

A teriparatida ou teriparatide é um medicamento usado para tratar a osteoporose. É um análogo do hormônio paratireóide humano e compreende a parte ativa do hormônio. Actua promovendo a formação de osso novo, estimula as células ósseas e na formação de osteoblastos, aumenta a absorção de cálcio pelo intestino e reduz a excreção de cálcio pelos rins. À medida que a soma de todos estes efeitos aumenta diminui a probabilidade de ocorrência de fraturas ósseas. A teriparatida é obtida através da bactéria E. coli (Escherichia coli), usando a tecnologia de DNA recombinante (rDNA).

Além destes medicamentos, é importante haver uma mudança de hábitos de vida, através do aumento de consumo de alimentos ricos em vitamina D e cálcio, e também, com a integração de exercício físico moderado e regular.

Exercício Físico

Vários estudos confirmam que manter o peso ideal e realizar exercícios aeróbicos ou de resistência regularmente ajudam a manter e aumentar a densidade óssea em mulheres após a menopausa. Têm sido realizados muitos estudos e muita pesquisa na área da reabilitação de forma a tentar encontrar-se que tipo de exercício é o mais eficaz na melhoria da qualidade óssea, no entanto, os resultados de todos estes estudos variam consideravelmente.

Um ano de exercícios regulares faz aumentar a densidade óssea e o momento de inércia da tíbia proximal em mulheres normais depois da menopausa. Caminhadas, aulas de ginástica, aulas de step, jumping, exercicios de endurance (resistência) e força, resultam num aumento significativo da densidade mineral óssea de L2-L4 em mulheres osteopênicas após a menopausa. Outros benefícios do exercício físico incluem melhoria no equilíbrio e redução do risco de quedas.

Dieta, Suplementos de cálcio e Vitamina D

O cálcio é um mineral necessário para o crescimento ósseo, para a reparação óssea, para manter os ossos fortes e um suplemento importantíssimo no tratamento da osteoporose. As recomendações de ingestão de cálcio variam consoante o país e a idade do paciente; em pacientes de alto risco, aqueles com mais de 50 anos, a quantidade recomendada pelos sistemas de saúde da União Europeia são de 1200 mg por dia.

Os suplementos de cálcio podem ser usados para aumentar a ingestão diária deste nutriente, e a sua absorção pode ser otimizada através de várias tomas diárias em pequenas quantidades (500 mg ou menos) ao longo do dia. prevenir e tratar a osteoporose ainda não está bem claro – Algumas populações com ingestões muito reduzidas deste mineral tendem a ter menos fraturas ósseas quando comparadas com outras com uma alta ingestão de cálcio através tanto do leite como dos seus derivados. Existem muitos outros fatores, como a ingestão de proteínas, sal, vitamina D, exercício físico, e exposição solar,  que podem influenciar na mineralização óssea, e não apenas a ingestão de cálcio.

Alguns estudos mostram que uma ingestão elevada de vitamina D reduz o numero de fraturas.

Alimentos ricos em cálcio para incluir na sua dieta

O gergelim, a semente de Chia, o Tofu (queijo de soja), a salsa, o grão de bico, a alga hijiki, as verduras como brócolis e repolho, couve, e Frutas como a banana prata e as amêndoas são os melhores alimentos que podemos ter á nossa mesa.

Como prevenir a osteoporose

A melhor forma de prevenir a osteoporose é através de hábitos de vida adequados desde muito cedo. Assim, uma dieta equilibrada e saudável, rica em cálcio, exercício físico moderado, não fumar e uma ingestão moderada de álcool, podem ser as chaves para a prevenção desta doença, ajudando a diminuir o risco de fraturas. Quanto mais cedo tiver um estilo de vida correta, menor probabilidades terá de vir a sofrer de osteoporose.

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Fatores de Risco

De seguida vamos listar os fatores de risco que promovem a osteoporose, dividindo-os em dois grupos: aqueles que não podem ser alterados e aqueles que podem. Quantos mais fatores de risco um indivíduo tiver, maiores são as probabilidades de vir a sofrer uma fratura devido à osteoporose.

Fatores de risco que não podem ser alterados

Idade acima dos 65 anos; Sexo feminino; Raça caucasiana; Ocorrência de fratura durante a fase adulta; Ocorrência de fratura durante a fase adulta de um parente com proximidade de 1º grau; Demência.

Fatores de risco que podem ser alterados

Consumo de tabaco; IMC (Índice de Massa Corporal) abaixo do normal; Produção deficiente de estrogénio; Consumo reduzido de vitamina D e de cálcio; Consumo excessivo de álcool; Grande frequência de quedas; Atividade física pouco frequente.

Medicamentos e Drogas que Aumentam Risco de Osteoporose

Corticoides (cortisona);
– Fenitoína.
– Carbamazepina
– L-Tiroxina (hormônio tireoidiano).
Varfarina
Antidepressivos.
– Heparina
– Metrotrexate
Furosemida
– Sais de lítio
– Anticonvulsivantes

Algumas Doenças e Situações que Causam Osteoporose

– Nutrição parenteral e Malnutrição por Anorexia nervosa
– Depressão
– Hipertireoidismo
Mieloma múltiplo
Anemia perniciosa (deficiência de vitamina  B12).
– Síndrome de Cushing.
– Doença de Crohn
– Hiperparatireoidismo

– Hipogonadismo e Estados Hipogonadais, que incluem: síndrome de Turner, síndrome de Klinefelter, síndrome de Kallmann, anorexia nervosa, andropausa, amenorréia hipotalâmica e hiperprolactinemia. Nas mulheres, o efeito do hipogonadismo é mediado pela deficiência de estrogénio e pode desencadear menopausa precoce.

– Metástases ósseas
– Ressecções intestinais
– Colite ulcerosa
– A Insuficiência renal crónica pode conduzir a Osteodistrofia renal
– Amenorreia
Alcoolismo

– A Ooforectomia ou ovariectomia bilateral (remoção cirúrgica dos ovários) e a falência ovariana prematura causam uma deficiência de estrógeno. Nos homens, a deficiência de testosterona é uma causa de osteoporose, por exemplo, devido á andropausa ou após a remoção cirúrgica dos testículos (Orquiectomia ou orquidectomia).

– Tireotoxicose
Diabetes mellitus tipo 1 e 2
Acromegalia
– Insuficiência adrenal
– Gravidez: a gravidez não é uma doença, mas o período de amamentação pode causar perda óssea reversível.
– Doença celíaca
– Fibrose Cística
– Intolerância à lactose
– Doença hepática grave (especialmente a cirrose biliar primária).
– Pacientes com bulimia também podem desenvolver osteoporose.

– Pacientes com doenças reumatológicas, como a artrite reumatóide, espondilite anquilosante, lúpus eritematoso sistêmico e poliarticular da artrite idiopática juvenil têm maior risco de desenvolver osteoporose, como parte da sua doença ou por devido a outros fatores de risco (nomeadamente a terapia com corticosteroides).

– Doenças sistémicas, tais como a amiloidose e a sarcoidose, também podem levar à osteoporose.

– Doenças hematológicas: mieloma múltiplo como já referida acima, e outras gamopatias monoclonais, linfoma e leucemia, mastocitose, hemofilia, doença falciforme ou drepanocitose e talassemia.

– Existem várias doenças hereditárias que têm sido associadas à osteoporose. Estas incluem a osteogénese imperfeita (Osteogenesis Imperfecta, doença de Lobstein ou doença de Ekman-Lobstein), a síndrome de Marfan, hemocromatose, hipofosfatasia, glicogenose (também chamada de doença do armazenamento de glicogênio), homocistinúria, síndrome de Ehlers-Danlos, porfiria, síndrome de Menkes, epidermólise bolhosa e doença de Gaucher.

– As Pessoas que sofrem de escoliose de causa desconhecida também têm um maior risco de desenvolver osteoporose. A perda óssea pode ser uma das características da síndrome complexa de dor regional (SCDR). A escoliose é também mais frequente em pessoas com doença de Parkinson e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

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06. Setembro 2013 by admin

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