Otite Externa – Tratamento, Causas, Sintomas, Tipos e Exames de Diagnóstico

Otite externa, o nome científico para a inflamação da zona externa do ouvido, também muitas vezes denominada de ouvido de nadador, é caracterizada pela inflamação em conjunto da zona exterior e do canal auditivo. Na maioria dos casos, salvo raras excepções devidamente assinaladas, este problema é causado pela presença de bactérias e fungos, podendo no entanto ter ligação com infecções, alergias ou até outras doenças específicas.

Este problema poderá aparecer em qualquer altura do ano, pois as causas para o seu surgimento são também variadas, porém é muito mais comum durante os meses quentes, pois há uma maior disponibilidade para a realização de actividades dentro de água, um dos factores mais importantes para os problemas de ouvidos.

Por isso, é muito fácil de perceber que as pessoas que passam demasiado tempo dentro de água, nomeadamente os nadadores, têm muito mais probabilidades de desenvolverem este problema, daí que pode também ser chamado de ouvido de nadador. Segundo os dados estatísticos conseguidos, pelo menos 10% das pessoas em todo o mundo têm, pelo menos, uma otite externa uma vez na vida.

O que é?

Antes de tentar perceber exactamente o que é a otite externa, é necessário conhecer ligeiramente a anatomia do ouvido externo, para depois entender o motivo pelo qual as causas são tão importantes e afectam tanto a condição do mesmo.

Sendo assim, o ouvido externo é composto pela orelha propriamente dita, denominada de pavilhão auricular, seguido do canal auditivo, terminando depois na membrana timpânica, extremamente importante para a saúde do sistema auditivo. Depois desta zona, chega-se à região do ouvido médio, sendo que neste caso não interessa muito, já que esta doença é caracterizada pela inflamação da parte do ouvido externo.

No que diz respeito ao canal auditivo, na zona mais exterior é revestido por uma pele mais grossa, sendo que à medida que se aproxima do tímpano esta pele se vai tornando mais fina e mais frágil, por isso é muito importante um cuidado extremo com esta zona. Nesta zona, o uso de objectos no interior do ouvido, podem causar todo o tipo de ferimentos, levando a dor significativa e consequentemente problemas mais graves.

Em relação à otite externa propriamente dita, esta é causada por uma infecção no canal auditivo, sendo que na maioria dos casos a causa é a presença de vários tipos de bactérias.

Tipos de Otite Externa

Tendo em consideração que algumas inflamações são mais graves que outras, os tipos de otite externa caracterizam-se e distinguem-se pela extensão do problema, isto é, existem dois tipos conhecidos, sendo que um é mais grave que outro, a otite externa circunscrita e a otite externa difusa.

No caso da otite externa circunscrita, a inflamação é extremamente localizada, sendo que geralmente corresponde à infecção de apenas um folículo piloso existente no canal auditivo externo, caracterizado pela acumulação de pus, formando assim um abscesso. Em termos práticos, este tipo de otite externa resulta de uma infecção no canal auditivo, causada por um furúnculo localizado. A bactéria causadora mais comum neste caso é o Staphylococus aureus, também conhecido como estafilococo-dourado.

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Por outro lado, a otite externa difusa é a mais comum das duas, sendo por isso mais natural o seu surgimento, correspondendo à inflamação de uma zona de maior dimensão no canal auditivo externo, sendo que pode até apanhar o pavilhão auricular, ou seja, a zona exterior da orelha.

É ainda necessário falar de outras duas formas de otite externa, que apesar de serem menos comuns, são também muito importantes e graves.

Otite Externa Eczematosa

Geralmente associada a condições dermatológicas que podem afectar, de várias formas, a zona externa da orelha, levando assim a problemas como eritema, edema, escamação, crostas, vesículas e até fissuras na pele. Logicamente que estes problemas, que surgem antes da otite em si, devem ser tratados o quanto antes, porém é difícil de controlar a forma como eles interagem com a orelha e por isso, no caso destes existirem, deve haver um cuidado redobrado na proteção da orelha e do canal auditivo.

Otite Externa Necrotizante

Neste caso, a infecção é extremamente grave, na zona externa da orelha e ainda na base do crânio, porém é muito mais comum em idosos, com diabetes, e imonocomprometidos, portanto nas crianças não é muito comum o seu surgimento. Neste caso em particular o problema surge no canal auditivo, progredindo depois para o osso temporal, o que em termos práticos e extremos, pode levar à paralisia de nervos cranianos, trombose de seio sigmóide, meningite e até morte.

Infelizmente, a taxa de mortalidade em adultos que têm este tipo de problema é bastante elevada, nomeadamente 20%, um valor assustador, principalmente tendo em consideração que é muito difícil de detectar a tempo o problema.

Causas

O nossos sistema auditivo está muito bem protegido, com mecanismos de defesa naturais que diminuem bastante a probabilidade do surgimento do problema, principalmente a nível de anatomia, está preparado para proteger o máximo possível.

A orelha já tem características de protecção intrínsecas, nomeadamente a cobertura do canal auditivo, fazendo assim com que se torne bastante difícil a introdução de objectos estranhos, que na maioria dos casos acaba por causar problemas extremamente sérios. Por outro lado, a presença de cerume, vulgarmente chamada apenas de cera, tem a função de proteger e ainda de diminuir o pH do canal auditivo, dificultando o crescimento de bactérias.

Por outro lado, apesar da inflamação do canal auditivo ter como principal causa as bactérias, este tem a sua própria flora de bactérias, que não causam qualquer tipo de problema, chegando mesmo a proteger o organismo da chegada de outras bactérias mais agressivas e prejudiciais. Assim, é fácil perceber que qualquer tipo de cortes ou danos dentro do canal auditivo vai ajudar a que estas bactérias mais agressivas se instalem nos tecidos mais profundos, dando assim origem às infecções.

A maioria das otites externas são causadas pela presença de bactérias no canal auditivo, nomeadamente pela bactéria Pseudomanas aerugino, uma das bactérias que geralmente não está presente no canal auditivo e o Staphylococus aureus. Por outro lado, a exposição à água é um factor a ter em consideração, pois a humidade em excesso levará à quebra da barreira de protecção que geralmente existe. Os traumas, ocorridos essencialmente com a limpeza agressiva do ouvido, geralmente causam escoriações no canal auditivo, levando assim a que seja mais acessível para as bactérias propriamente ditas.

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Além disso, o uso frequente de objectos que tapem o ouvido, como auriculares, aparelhos auditivos ou até tampões podem ser uma causa a ter em consideração, pois a maioria dos casos, na situação recorrente, levará à otite externa. Por último, mas não menos importante, algumas alergias, que afectem aquela zona, podem levar ao surgimento da doença, tal como acontece com alguns problemas dermatológicos, como a psoríase ou a dermatite atópica.

Sintomas

Apesar de muitas pessoas acreditarem que na otite externa o maior sintoma é a dor propriamente dita, existem muitos outros que devem ser levados em conta, principalmente nas crianças, pois podem alertar para o início do problema, sendo muito mais fácil de o tratar.

Os sintomas mais comuns, sem sombra de dúvidas, é o aparecimento de uma dor intensa, alguma coceira associada à zona interior do ouvido, uma sensação de entupimento do canal auditivo e ainda um corrimento líquido para a zona exterior do ouvido. A dor, o sintoma mais comum, piora bastante quando se mexe na orelha, mesmo que seja na zona exterior, havendo até situações em que surgem uns caroços palpáveis na zona do pescoço, junto à orelha.

Além disso, é também possível que o canal auditivo, mesmo vendo à vista desarmada, surja extremamente inflamado e avermelhado, denotando assim a possibilidade de um problema mais grave.

É importante também referir que a otite externa poderá evoluir, chegando à otite externa maligna, também chamada de otite externa necrotizante, sendo que neste caso os sintomas são praticamente os mesmos, já que é apenas uma complicação grave e em alguns casos fatal, da otite externa normal, da qual temos estado a referir até ao momento. Geralmente este caso acontece mais em idosos, diabéticos e pessoas que estejam com o seu sistema imunitário comprometido, o que poderá levar a sintomas mais intensos, nomeadamente a dor, tornando-se quase agonizante.

Exames de Diagnóstico

Sendo este um problema muito comum, nomeadamente nas crianças e nas pessoas que têm uma presença constante na água, os médicos não têm grandes dificuldades em diagnosticar o problema, sendo apenas necessário observar com um otoscópio o canal auditivo, analisando assim a presença de inflamações ou infecções específicas. Em alguns casos específicos, com historial clínico ou outros problemas de saúde que possam agravar a situação, o médico poderá retirar uma amostra das secreções presentes, para analisando no laboratório, identificar a bactéria que poderá estar responsável do problema, conseguindo assim determinar qual o melhor tratamento a adaptar.

A maioria dos médicos recorre também ao historial clínico do paciente, principalmente quando o problema tende a surgir várias vezes, pois poderá ter uma causa crónica e então o tratamento terá que ser outro.

Tratamento

O tratamento da otite externa é, na maioria dos casos, extremamente simples. Geralmente, assim que o diagnóstico é realizado, a primeira etapa é a aspiração das secreções que se encontram no interior do canal auditivo externo, trazendo já uma grande parte das bactérias e mantendo o mesmo limpo e seco, aliviando imediatamente uma grande parte da dor.

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Por outro lado, a maioria dos pacientes não consegue ultrapassar o problema sem a administração de analgésicos, pois as dores são extremamente intensas e incomodativas. Alguns médicos aconselham também a aplicação de uma fonte de calor extra na zona, nomeadamente um saco de água quente, ajudando a acalmar a dor.

Por último, para combater a presença das bactérias e ainda eliminar a inflamação existente, é necessário a aplicação, directamente no canal auditivo, de antibióticos e anti-inflamatórios, geralmente através de spray ou gotas. São raros os casos, mas quando a otite está numa fase realmente grave, poderá ser necessário a administração de antibióticos via oral.

Além disso, enquanto estiver a proceder ao tratamento do problema, é estritamente necessário e aconselhável que mantenha sempre o ouvido seco, evitando ao máximo a presença de água no canal auditivo.

Já no caso da otite externa circunscrita, o tratamento deverá ser semelhante a qualquer um feito para o tratamento de um furúnculo, ou seja, no caso das dores serem demasiado intensas ou então o mesmo demorar a abrir espontaneamente, poderá ser necessário a drenagem cirúrgica do abscesso.

Possíveis Complicações

Tendo em consideração o peso que o canal auditivo tem na saúde do nosso organismo, aquando a presença de uma otite externa e consequente tratamento necessário para a sua eliminação, é possível que surjam algumas complicações.

O aparecimento de vertigens com náuseas e vómitos é o mais comum, contudo poderá surgir também um estado febril fora do vulgar, uma paralisia ou paresia facial, uma confusão mental momentânea e por último, algumas dores atípicas, extremamente profundas e sem qualquer tipo de resposta ao tratamento inicialmente administrado pelo médico especialista.

Independentemente do tipo de complicações que possam surgir, é vital que assim que estes comecem a surgir, mesmo que em dimensões pequenas, contacte imediatamente o seu médico de família ou especialistas que acompanhou todo o processo, pois poderá ser necessário reajustar o tratamento indicado ou mesmo terminar esse e alterar para outro, a fim de evitar mais problemas.

Prevenção

A prevenção é sempre a melhor solução de qualquer problema de saúde, no entanto, quando essa prevenção não resulta da melhor forma, é necessário avançar para os melhores tratamentos possíveis. Assim, não há nada mais importante do que prevenir toda a situação, com pequenos ajustes ou alterações à sua rotina.

A primeira situação, extremamente importante, é a manutenção do canal auditivo completamente seco, após um momento de natação ou até mesmo o banho, que leva sempre a alguma água acumulada. No caso de, por motivos profissionais, existir uma necessidade de permanência debaixo de água durante muito tempo, é aconselhável o uso de tampões otológicos, que se vendem em qualquer farmácia.

Além disso, principalmente para as crianças, é necessário algum cuidado para estas não coçarem os ouvidos, nomeadamente com a inserção de objectos no seu interior. Deve-se também manter sempre os ouvidos limpos e secos, diariamente, mas apenas com a utilização de sprays aconselhados pelo médico.

 

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20. Março 2014 by admin

Um Comentário no Forum

  1. Tenho uma dúvida. Depois de pingar o remédio é recomendável colocar algodão?

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