Pneumotórax – Tratamento, Sintomas, Causas e Diagnóstico

O Pneumotórax, apesar de ter um nome fora do vulgar, é uma urgência médica mais comum do que aparenta. É essencialmente uma anomalia na acumulação de ar entre o pulmão e a pleura, trazendo assim uma série de sintomas e mau estar ao paciente, levando-o à procura de um médico, ao diagnóstico pormenorizado e ainda a um tratamento adequado.

O diagnóstico é essencial para a eficácia de um tratamento, pois alguns dos sintomas mais comuns são transversais a outras doenças respiratórias e poderá levar à confusão.

Os pulmões são dos órgãos mais importantes que o organismo tem, tendo como objectivo expandir-se e contrair-se dentro da cavidade peitoral, durante um momento de respiração normal, contudo se algo estiver errado, o mais provável é que essas funções essenciais sejam comprometidas e o paciente inicie uma série de problemas mais comuns.

No que diz respeito ao pneumotórax, o problema não reside essencialmente nos pulmões em si, mas sim na cavidade pleural, que fica em forma de camada por cima do pulmão, por isso mesmo quando este problema aparece, é possível realizar um tratamento adequado, com resultados, sem nunca interferir com o funcionamento dos pulmões em si.

O que é ?

O pneumotórax, muitas vezes também denominado apenas de pulmão colapsado, é um problema de saúde caracterizado pela presença de ar acumulado, na cavidade pleural, levando assim a uma pequena lesão que irá afectar o pulmão, contudo não os seus tecidos, mas sim a forma como este funcionará.

Em suma, este problema de saúde é caracterizado pela acumulação fora do normal, geralmente em excesso, de ar entre o pulmão e uma membrana que se encontra em forma de revestimento, denominada de pleura, interno da parede do tórax, sendo que esta zona, vista muitas vezes apenas como forma virtual, é a chamada de cavidade pleural.

Ao contrário da maioria das doenças, esta urgência médica poderá ocorrer espontaneamente, sem causas aparentes, até em pessoas saudáveis e sem qualquer tipo de problemas respiratórios. Para entender bem como tudo se processa, é aconselhado um conhecimento geral sobre a pleura e como a doença surge.

Pleura

Inicialmente é necessário saber exactamente o que é a pleura para entender como o problema de saúde se desenrola. Os pulmões ficam dentro da caixa torácica e estão revestidos por uma fina membrana, denominada de pleura, sendo que funciona como uma espécie de capa que isola por completo os pulmões do resto presente no tórax.

A pleura é composta por duas camadas, a pleura visceral e a pariental, sendo que a primeira é a mais interna e a segunda a camada externa. Entre estas duas camadas, há um líquido, em quantidades mínimas como se fosse uma folha, sendo que tem como função principal servir de lubrificante, para que ambas as camadas não fiquem coladas.

Apesar de muitas pessoas compararem os pulmões a balões, estes são completamente diferentes, já que mesmo quando estão sem ar, não ficam mais pequenas, pois há pressão negativa dentro do tórax que impede isso acontecer. Por outro lado, a pleura tem como função principal impedir que o ar esteja dentro do pulmão, em exclusivo, por isso o pneumotórax acontece quando há uma lesão nessa mesma membrana, a pleura, deixando assim que o ar comece a transportar-se para a cavidade torácica em vez de ficar apenas nos pulmões.

Causas

Como já foi referido em cima, este é um problema de saúde que poderá surgir quando menos se espera, mesmo em pessoas que tenham uma saúde de ferro, contudo existem algumas causas possíveis para o mesmo.

Assim, existem várias possíveis causas para o surgimento deste problema de saúde, destacando-se os seguintes:

  • Outras doenças pulmonares, principalmente as que têm relações obstrutivas, como o caso da asma, enfisema pulmonar e até bronquite crónica (um tipo de doença pulmonar obstrutiva crônica)
  • Todas as situações de traumas torácicos, seja com arma de fogo, arma branca ou até outras armas que levem à perfuração, causando assim o chamado pneumotórax traumático
  • Algumas infecções de grande dimensão, nos pulmões, como o caso de pneumonia ou tuberculose
  • Em alguns casos, após alguns procedimentos cirúrgicos ou médicos, como o caso da respiração artificial, poderá levar ao surgimento de um tipo de pneumotórax, contudo não é muito recorrente nos dias de hoje com as tecnologias existentes
  • Existem ainda alguns casos de câncer que poderão levar a um pneumotórax

É também comum que o pneumotórax surja devido ao aparecimento de bolhas de ar no pulmão, sendo que estas poderão formar-se ainda durante o desenvolvimento pulmonar, daí que o pneumotórax espontâneo primário é muito comum, ou então em alguns fumadores, principalmente aqueles que têm o vício durante um longo período de tempo.

Sinais e Sintomas

Tal como acontece na maioria dos problemas de saúde, principalmente aqueles que estão ligados directa ou indirectamente ao sistema respiratório, os sintomas da doença variam conforme a dimensão da doença e o seu estado avançado, neste caso em particular, depende directamente da quantidade de ar que está acumulado, levando assim a uma pressão na cavidade pleural também diferente.

Assim, a grande maioria dos casos, de facto mais de 90% dos pacientes recorrem a um médico, o primeiro sintoma é uma dor torácica, que surge subitamente e sem qualquer tipo de causa aparente. É também muito comum, perto de 80% dos casos, o aparecimento de uma dispneia, ou seja, um sentimento de falta de ar, acompanhando progressivamente a dor torácica que se fez sentir antes.

Por outro lado, com a dor referida e a falta de ar, é muito comum que haja um cansaço mais rápido, mesmo com tarefas muito comuns, pois o colapso do pulmão faz com que a capacidade respiratória vá diminuindo. Por último, mas também muito comum, é natural que o paciente tenha uma tosse constante, fruto também da falta eficácia na respiração.

Em alguns casos, apesar de não serem tão frequentes, poderão ocorrer outro tipo de sintomas, como é o caso até da coloração azulada da pele fruto da falta de ar, sendo que estes sinais e sintomas dependem exclusivamente da magnitude do pneumotórax, isto é, de uma forma prática, tendo em conta que o problema surge com a acumulação de ar dentro da cavidade pleural, quanto maior for o volume deste ar, maiores e mais graves serão os sintomas e sinais.

No que diz respeito à dor torácica, esta poderá assemelhar-se a outras, sendo que é um género de pontada, persistente, sendo que afecta essencialmente o lado afectado do tórax, mostrando assim que apenas um dos lados foi afectado e diferenciando-se de outras doenças pulmonares. Já no que diz respeito à tosse, é seca, levando assim a que piore a falta de ar.

Classificação

No que diz respeito à sua classificação ou etiologia, o pneumotórax poderá dividir-se da seguinte forma, tendo em consideração os sintomas, as complicações e o tratamento:

Pneumotórax Espontâneo

O pneumotórax espontâneo poderá ainda subdividir-se em duas classificações distintas, o primário e o secundário, sendo que no caso do primeiro, este poderá surgir num paciente sem qualquer tipo de doença pulmonar aparente, enquanto que no caso do secundário, este está quase sempre associado a uma doença pulmonar persistente.

Este é muito mais comum em homens, altos e com peso abaixo do normal, e na maioria dos casos fumadores, sendo que é pouco frequente em pessoas acima dos 40 anos. Os fumadores, são muito comuns nesta classificação, sendo que o cigarro e outros fumos são a causa para a inflamação das vias aéreas, ajudando assim a que a formação de bolhas de ar na pleura seja mais comum, levando posteriormente ao seu rompimento e assim ao aparecimento do pneumotórax espontâneo.

No caso do pneumotórax espontâneo secundário, este surge essencialmente em pacientes que tenham já algum tipo de relação com as doenças pulmonares, como enfisema, tuberculose, pneumonia, fibrose cística, asma ou até cancro de pulmão.

Apesar de ser pouco referido, a grande maioria dos pacientes que se encontram em tratamento hospitalar para uma outra doença, com a necessidade de recorreram a ventiladores mecânicos para respiração assistida, são também fortes candidatos a este tipo de pneumotórax.

Pneumotórax Traumático

Como o próprio nome indica, neste caso, para o surgimento do problema pulmonar, é necessário que haja acidentes com traumas na região do tórax, mesmo que sejam apenas superficiais sem perfuração, podem ser o suficiente. Assim, um impacto forte na zona do tórax ou uma lesão penetrante, como os acidentes de automóvel, as armas brancas e de tiro, as fraturas de costelas, entre outras, que interferiram directamente com o estado saudável da cavidade torácica, podem ser causas para o aparecimento do pneumotórax.

Pneumotórax Iatrogénico

Apesar de hoje em dia a tecnologia hospitalar e medicinal estar extremamente avançada, existem situações esporádicas, muitas vezes até em situações de emergência, que levam a uma ruptura acidental do tecido pulmonar durante uma intervenção médica ou até mesmo como forma de consequência directa de uma operação necessária para resolver um outro problema de saúde, sendo que nestes casos o paciente não têm qualquer tipo de culpa do pneumotórax.

Existem muitos especialistas que incluem nesta classificação o pneumotórax em recém-nascidos, já que são estes os mais afectados.

Pneumotórax Induzido

Como o próprio nome indica, neste caso em particular, os pacientes são induzidos no problema intencionalmente, muitas vezes para que seja possível realizar um diagnóstico mais pormenorizado ou mesmo para o tratamento de outros problemas pulmonares mais sérios.

Nestes casos, os pacientes serão acompanhados desde o primeiro minuto por especialistas, que mostram e descrevem todo o processo, assim como tudo será controlado e ainda o tratamento necessário a fazer posteriormente. No caso dos pacientes se encontrarem inconscientes, por vezes acontece nos acidentes de automóvel, os familiares serão informados sobre o procedimento.

No que diz respeito à classificação, os pacientes podem ainda descrever o problema quanto á evolução, e não só, facilitando assim a comunicação com os médicos que se encontram a acompanhar o problema.

Assim, o pneumotórax poderá classificar-se:

– em relação à evolução: estável ou em evolução progressiva
– em relação ao volume: total ou parcial
– em relação à pressão: normotenso ou hipertensivo
– em relação à presença de aderências: livre ou septado
– em relação à possibilidade de derrame pleural: transudato, exudato, hemotórax ou quilotórax
– em relação à comunicação: aberto ou fechado

Diagnóstico

Sendo um problema de saúde que afecta essencialmente o sistema respiratório, a maioria das vezes o diagnóstico prévio é feito apenas com uma simples conversa com o paciente, desde que este consiga descrever os sintomas e sinais que sente no momento. Contudo, na maioria dos casos é necessário recorrer a uma radiografia ao tórax para confirmar o primeiro diagnóstico feito.

Através desta primeira radiografia à zona do tórax, o especialista perceberá a acumulação fora do normal de ar entre o pulmão e a pleura, no caso de necessidade, alguns especialistas costumam ainda solicitar uma tomografia computadorizada, o tão famoso TAC, do tórax, para analisar tudo ao pormenor, sendo que este caso é muito mais comum no caso do pneumotórax espontâneo.

Tratamento

O tratamento de um pneumotórax depende essencialmente da sua evolução e do estado do mesmo no momento do diagnóstico. Assim, se este tiver uma dimensão relativamente pequena, cerca de 2/3 centímetros, o tratamento nem é necessário, a menos que o paciente não esteja clinicamente estável, pois o próprio poderá regredir sozinho sem necessidade de tratamento.

Por outro lado, em pneumotórax mais evoluídos, é necessária a colocação de um tubo através do tórax, sendo que esse momento servirá essencialmente para fazer simultaneamente a aspiração do ar e a expansão do pulmão. Este tratamento poderá demorar algum tempo, pois o tubo apenas poderá ser retirado ao fim de alguns dias, quando a pleura cicatrizar de vez, evitando assim que o problema de saúde volte novamente.

No caso do pneumotórax hipertensivo, que é essencialmente aquele que mais frequentemente representa uma grave ameaça para a vida (nomeadamente em adultos com outras doenças pulmonares ou recém-nascidos), o tratamento deverá ser feito o mais rapidamente possível, evitando assim que haja complicações mais graves.

Nestes casos, o tubo deve ser colocado o mais rapidamente possível, no entanto se não for possível, será necessário perfurar o tórax com uma agulha, com características especiais, para que o ar consiga sair através da mesma. O tratamento não termina aqui, pois tudo o que este procedimento faz é deixar de ser um pneumotórax hipertensivo e passar a ser apenas o pneumotórax, mais simples de resolver e sem tantas complicações.

Como prevenir

Tal como acontece com qualquer outra doença que afecta essencialmente o sistema respiratório, é aconselhável por todos os especialistas evitar ao máximo a inalação constante de fumos, seja directa ou indirectamente. Assim, o tabagismo é uma das primeiras situações que os especialistas referem como a melhor forma de prevenir o aparecimento de um pneumotórax, principalmente aqueles que estão relacionados com o cancro do pulmão (muito frequente também em fumadores, activos ou passivos) e ainda o aparecimento de bolhas de ar.

Por outro lado, apesar de ser mais difícil de controlar, todo o tipo de traumas, com ou sem perfuração, na zona do tórax, devem ser evitados ao máximo. Assim, acidentes de automóvel são também algo a evitar, não só para este problema de saúde como também para muitos outros e até para uma diminuição de riscos de vida. Contudo sabendo que é difícil controlar este caso, aconselhamos apenas a que tente ao máximo evitar confusões (brigas e discussões que possam levar a uma evolução mais drástica) e ainda adoptando uma condução cuidada, evitar ao máximo os acidentes.

Por último, mas não menos importante, os pacientes que já tiveram um caso de pneumotórax espontâneo, apresentam uma grande probabilidade de desenvolver um novo episódio, sendo que desta vez poderá ter efeitos mais graves, por isso é aconselhável que após o tratamento finalizado, deverá acompanhar o progresso do problema mais frequentemente, através do seu médico de família.

Pneumotórax em recém-nascidos

Infelizmente, o pneumotórax é muito comum no período neonatal, sendo que a nível percentual, existem 10,8% de casos conhecidos ao todo, principalmente no caso de bebés com um peso abaixo do normal, necessitando por isso de uma ventilação mecânica, que como já foi referido antes, poderá levar ao surgimento da doença.

Em alguns casos, quando a idade gestacional é realmente pequena e o volume de ar acumulado é realmente grande, trata-se de um pneumotórax do tipo hipertensivo e pode mesmo levar à morte, contudo a grande maioria dos casos acontece devido à necessidade da criança ser assistida por respiração artificial, não afectando por isso a respiração e não necessitando posteriormente de um tratamento extra.

O pneumotoráx em recém-nascidos acontecem em 1-2%, sendo que se torna muito mais comum em crianças que têm o síndrome de angústia respiratória (RDS).

Assim, em jeito de conclusão, tendo em consideração que geralmente não existem traumas no período gestacional, pelo menos tão frequentes como acontece em idade adulta, a maioria dos recém-nascidos que têm pneumotórax acontece apenas depois do seu nascimento e apenas quando é necessário recorrer a ventilação.

Foto

Foto de Raio-X do peito de um Pneumotórax