O que é a proteinúria e o que pode significar ter urina espumosa. Conheça as causas, origens, diagnóstico, tipos e tratamento deste sintoma.

Urina espumosa proteinuria

Os rins têm como função no organismo eliminar e excretar diversas substâncias presentes no sangue. Assim, excesso de água e de minerais, mas também substâncias tóxicas provenientes da respiração celular são desta forma retiradas do corpo, de maneira a não acumularem, não perturbando o correto funcionamento do organismo.

Assim, quando os rins não funcionam em pleno, há algumas consequências menos positivas. Um dos problemas que pode ocorrer é os rins eliminarem não só as substâncias que têm de eliminar, e nas quantidades adequadas (no caso da água e dos minerais, nutrientes essenciais), mas também excretarem substâncias que não deveriam ser excretadas.

Na urina normal, além de água, minerais e substâncias tóxicas, é também natural existirem pequenas quantidades de outras substâncias, entre as quais algumas proteínas. Sendo estes elementos que não interessam ao organismo eliminar, quando essa quantidade atinge um determinado nível, isso significa que os rins não estão a funcionar corretamente.

Assim, a proteinúria é uma condição clínica caracterizada pela perda de proteínas (essencialmente a albumina) pela urina. Este é um importante indicador de doenças renais, sendo uma das suas manifestações. A albumina tem uma importante função no sangue, pois ajuda a impedir que a água presente não atravesse as paredes dos vasos sanguíneos, que provocariam edemas.

Uma das manifestações do problema é o aparecimento de edemas no corpo. Outras manifestações comuns é a urina espumosa. Sendo natural existir alguma espuma na urina, quando ela é em grande quantidade, poderá indicar algum problema.

Causas e origens

– As estruturas do rim responsáveis pela filtração do sangue são os glomérulos. Assim, quando há alteração nestas estruturas, poderão deixar passar as proteínas, conduzindo-as para a urina.

– A patologia pode ter uma origem nos túbulos renais. Assim, podem ser secretadas proteínas (essencialmente microglobulinas e lisosimas) no túbulo renal proximal, que depois serão expulsas pela urina.

– Pode também ter origem em proteínas secretadas nas paredes dos tubos urinários, especialmente na pelve renal, nos ureteres, na bexiga e na uretra.

– Por fim, a proteinúria pode também ter origem na produção em grande quantidade de proteínas com um peso molecular baixo, que por isso passam pelo filtro facilmente. Apesar de ocorrer a reabsorção nos túbulos renais, como estão em grande quantidade, não serão reabsorvidos na totalidade, indo uma parte considerável para a urina.

Existem também várias doenças que poderão dar origem à proteinúria: Diabetes, lúpus eritematoso sistêmico, reação a anti-inflamatórios (Ler: Anti-Inflamatórios – Como Funcionam, Ação e Efeitos Colaterais), Eclâmpsia, Hepatite, SIDA (AIDS), Sífilis, Cancro, obesidade, Hipertensão arterial (Leia: Hipertensão Arterial – Causas, Sintomas, Tratamento e Alimentos a evitar) e Mieloma múltiplo.

Diagnóstico

Sendo natural a presença de pequenas quantidades de proteínas na urina, apenas é considerado haver falha nos rins quando essa quantidade se apresenta mais elevada que 0,150g por dia.

Assim, se houver alguma indicação de algo não estar bem, como o aparecimento de vários edemas (Leia: Inchaços e Edemas – Causas, Tipos e Tratamento) ou de urina espumosa, é importante consultar um médico de maneira a ser pedido um exame de urina, ou uma biópsia renal, que rapidamente esclarecerá a situação.

Tipos de proteinúria

Podemos classificar a proteinúria em dois tipos:

– Proteinúria intermitente e transitória

Este tipo aparece ocasionalmente, normalmente relacionado com situações de febre alta, exposição a temperaturas extremas, tanto quentes como frias, exercício físico muito intenso, situações de grande stress, e ainda convulsões. Normalmente implica valores que não passam de 1g por dia, e rapidamente desaparecem. Não está relacionado com nenhum problema renal.

– Proteinúria persistente e permanente

Nestas situações a perda de proteínas pela urina é constante e regular, tendo assim um problema nos rins por detrás. É necessário a consulta a um médico, e um tratamento adequado.

Tratamento da proteinúria

Para tratar esta condição clínica, a primeira coisa que é feita é a recuperação da taxa plasmática normal da albumina. Também é habitual ser feito um controlo bastante escrupuloso na pressão arterial, e a prescrição de medicamentos que diminuam a perda de proteínas, diuréticos (Leia: Diuréticos –  Tipos, Efeitos Secundários, Para Que Servem e Como Funcionam), etc.

Depois, cada tratamento irá ao encontro das causas específicas relacionadas com o problema causador da perda de proteínas.

O que é a síndrome nefrótica

Este problema caracteriza-se por uma perda massiva de proteínas pela urina, sendo acompanhada por outros problemas, tais como edemas, lipidúria, hipoproteínemia, e hiperlipidemia com quantidades muito elevadas de colesterol e outros lípidos. A proteinúria é assim o principal sintoma da síndrome nefrótica.

A perda de albumina pelo sangue irá também resultar na perda de pressão osmótica, levando à passagem de água para os tecidos envolventes aos vasos sanguíneos, provocando edemas por todo o corpo.

Este problema tem origem no glomérulo, que se tornam muito mais permeáveis, deixando facilmente passar as proteínas. É uma doença de evolução lenta, mas que tem várias consequências negativas para o organismo.