Púrpura Trombocitopénica Idiopática (PTI) – Tratamento, Sintomas e Diagnóstico

A púrpura trombocitopénica idiopática (PTI), também chamada de púrpura trombocitopénica autoimune, é uma doença normalmente benigna, e que se caracteriza por ter níveis baixos de plaquetas sanguíneas (trombocitopenia). A púrpura trombocitopénica idiopática é originada pela ação de anticorpos auto reativos, que se vão fixar aos recetores das plaquetas sanguíneas, reduzindo assim o seu tempo de vida.

Contudo, e apesar de se saber como ocorre este processo, nada se sabe ainda sobre o que o origina. A trombocitopenia pode ocorrer por diversas razões, sendo a PTI uma das causas mais comuns para este problema em crianças, tendo uma incidência anual entre os 3 e 8 casos por 100.000 crianças, com alguma predominância nos meninos.

A incidência em adultos é menor, havendo predominância nas mulheres. A púrpura trombocitopénica idiopática pode ser classificada de duas formas. Em primeiro lugar, consoante a idade, podendo a PTI ser infantil ou adulta. Em segundo lugar, quanto ao período de evolução e de permanência da doença, podendo ser aguda (quando dura um período de tempo curto), ou crónica (quando se prolonga no tempo).

Sintomas

As plaquetas são células sanguíneas especializadas na coagulação do sangue, em caso de hemorragia. São a primeira resposta a qualquer sangramento, antes da ação dos fatores de coagulação. Assim, em caso de contagem baixa dessas células, qualquer hemorragia será mais dificilmente estancada.

Sendo assim, um doente com PTI estará mais sujeito e vulnerável a essas situações, que em casos extremos, podem até levar à morte. Facilmente se percebe que os sintomas da púrpura trombocitopénica idiopática estão relacionados com essa deficiência na coagulação.

De seguida, listamos os vários sintomas que podem ocorrer em um paciente com PTI:

– Hemorragias cutâneas (Sangramento na pele que causa uma erupção cutânea característica que se parece com pequenas manchas vermelhas (exantema petequial) equimoses e púrpuras);
– Hemorragias gengivais;
Sangue na urina (hematúria);
– Sangramento menstrual excessivo (menorragia);
– Epistaxes;
– Hemorragias de mucosas;
– Hemorragia no trato gastrointestinal (pouco frequente);
– Hemorragia nos órgãos genitais (pouco frequente);
Sangue oculto nas fezes (raro);
– Hemorragia intracraniana (muito rara).

Diagnóstico

Como referimos atrás, o PTI é uma das causas da trombocitopenia. Sendo assim, a contagem baixa de plaquetas não é prova de que o paciente tenha PTI.

O diagnóstico desta doença faz-se nas seguintes situações: quando existe trombocitopenia inferior a 100.000/mm3, sem qualquer outra alteração no hemograma, e também, quando não existem outras doenças causadoras da diminuição da contagem de plaquetas sanguíneas, como em casos de doenças autoimunes, infeções, neoplasias, ou efeitos colaterais de fármacos.

O diagnóstico desta doença consiste num processo de exclusão de partes, e os exames que são utilizados no seu diagnóstico são os seguintes: – Análise do historial clínico do paciente; – Exame físico; – Esfregaço de sangue periférico; – Hemograma completa.

Tratamento

O tratamento para a PTI irá variar de acordo com a contagem de plaquetas. Assim, existe uma terapêutica para pacientes com uma contagem de plaquetas inferior a 30.000/mm3, e outra para doentes com uma contagem de plaquetas superior a esse valor.

Terapêutica para pacientes com contagem de plaquetas inferior a 30.000/mm3

O tratamento para estes casos começa com a toma de corticóides (corticosteróides, antinflamatórios hormonais), geralmente  (Predinsona)

Este tratamento é adequado quando a contagem está entre 10.000 a 30.000/mm3, sem a ocorrência de hemorragias graves. Em casos mais sérios, com uma contagem inferior a 10.000/mm3, com a ocorrência de sangramentos graves, então a dose de corticosteroides deve ser mais elevada. Geralmente, ao fim de 2 a 7 dias, a contagem aumenta, sendo a toma dos corticosteroides diminuída gradualmente para uma dose mínima, suficiente para manter a contagem acima dos 30.000/mm3.

A toma deste medicamento dura normalmente até 3 meses, período no qual ocorre a remissão nos pacientes esporádicos. Quando ao fim de 3 meses, para manter os níveis de plaquetas numa contagem adequada, for ainda necessária a toma de doses altas de corticosteroides, é provável que o médico sugira a remoção do baço através de uma esplenectomia. Este órgão é o responsável pela maior parte da destruição das plaquetas.

Terapêutica para pacientes com contagem de plaquetas superior a 30.000/mm3

Nos pacientes com uma contagem superior a 30.000/mm3, a manifestação de sintomas é mínima, ou mesmo quase nula, mantendo-se estáveis durante muito tempo. Assim, o uso prolongado de medicamentos, ou a remoção do baço, não são necessários.

Quando algum sintoma se apresente mais intenso, ou quando o paciente vai estar numa situação onde o risco de hemorragia for grande (cirurgia, extração de dentes, etc.), pode ser feita uma terapêutica curta, com a toma temporária de corticosteroides, antes da realização dessa atividade clínica.

Essa toma irá aumentar os níveis de plaquetas no sangue, e assim, prevenindo possíveis sangramentos. Se a doença não melhorar com prednisona, outros tratamentos podem incluir:

• Um medicamento chamado danazol (Danocrine) por via oral.
• Injeções com doses altas de Anticorpos (Ac), imunoglobulina (Ig) ou gamaglobulina (um fator imunitário).
• Fármacos que inibem o sistema imunitário.
• Filtração de anticorpos da corrente sanguínea.
• Terapia anti-RhD: Algumas pessoas de grupos sanguíneos específicos podem realizar a terapia anti-RhD, que consiste numa injeção ou uma série de injeções que servem também para reduzir os anticorpos presentes no sangue.

As pessoas com esta patologia não devem tomar ácido acetilsalicílico, um anti-inflamatório, antipirético e analgésico (como por exemplo a aspirina), Ibuprofeno e Varfarina, uma vez que estes fármacos interferem na função das plaquetas e na coagulação do sangue, e podem causar sangramento.

Conheça todas opções disponíveis para o Tratamento da Púrpura Trombocitopénica Idiopática (PTI).

Complicações

Dentro das complicações letais desta doença (geralmente com a contagem de plaquetas abaixo de 5000/mm3) destaca-se a Hemorragia Subaracnóidea ou hemorragia intracerebral, hemorragia gastrointestinal e outras hemorragias viscerais. Por esta mesma razão, qualquer traumatismo a nível abdominal pode mesmo ser fatal. Porém, nenhuma destas complicações ocorrem geralmente em doentes com contagens de plaquetas de cerca de 20.000/mm3.

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16. setembro 2013 by admin

One Comment

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  1. Algum médico especialista em Púrpura Trombocitopénica Idiopática (PTI) no Rio de Janeiro ??? Grato !! Sergio

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