Rins Policísticos – Causas, Sintomas, Tratamento e Diagnóstico

Os rins policísticos podem ser apresentados sob vários nomes, sendo que a principal é mesmo a doença renal policística (DRP) ou então como síndrome renal policística, existindo assim várias denominações para o mesmo problema.

Esta é uma doença que tem vindo a ser cada vez mais falada, principalmente na comunicação social, dado o seu carácter progressivo, afetando os rins, uns dos órgãos mais importantes do nosso organismo e que o mantém em pleno funcionamento.

Esta é uma doença que afeta não só humanos como também alguns animais, por isso a nível de diagnóstico e tratamento está também muito bem representada.

O seu nome deriva das características da doença, isto é, policístico significa a presença de vários cistos, não sendo no entanto exclusiva dos rins, podendo surgir no fígado, pâncreas e muito mais raramente no cérebro e coração, dois órgãos fundamentais do organismo.

O que é ?

A doença renal policística é um problema de saúde genético, com características progressivas e geralmente afeta ambos os rins, com o aparecimento de múltiplos cistos em cada um deles, afetando as suas características e o seu funcionamento, traduzindo-se assim em outros problemas que vão surgindo.

Esta é uma doença hereditária, o que demonstra bem a importância que a genética apresenta para o futuro de qualquer organismo. Apesar de existirem outras causas, esta é a mais provável, não sendo por isso muito fácil a sua prevenção e controlo do seu aparecimento.

O aparecimento de cistos é mais comum do que se possa imaginar, podendo no entanto não obter qualquer tipo de consequência para o organismo, desde que não haja evolução do seu crescimento ou que apareçam em pequeno número, contudo nesta doença os rins acabam por aumentar de volume e com isso não exercer a sua função da forma normal, trazendo outro tipo de complicações.

Tipos

Existem duas principais formas de doença renal policística, sendo que estas são distinguidas pelos padrões de herança genética que apresentam, sejam eles dominante ou recessiva.

Doença Renal Policística Autossômica Dominante

Muitas vezes denominada apenas de DRPAD para facilitar a comunicação, é caracterizada por surgir mais tarde, com o aparecimento progressivo de cistos renais, levando assim a um alargamento bilateral dos rins. Nos sintomas mais comuns destaca-se as alterações a nível renal, a hipertensão, o aparecimento de uma dor lombar e ainda a insuficiência renal.

Na grande maioria dos pacientes, perto de 50% dos mesmos, a doença irá evoluir apresentando insuficiência renal crônica, geralmente depois dos 60 anos. Esta doença poderá ainda aparecer em outros órgãos, nomeadamente no fígado (podendo assim levar à cirrose, outra doença que requer bastantes cuidados), vesículas seminais, pâncreas e aracnoide.

Poderá ainda ser acompanhada de outras anomalias, como os aneurismas intracraniados e da aorta, o prolapso da valva mitral ou então as hérnias da parede abdominal.

Doença Renal Policística Autossômica Recessiva

Já a doença renal policística autossômica recessiva, muitas vezes denominada de de DRPAR, é extremamente mais rara do que a anterior, sendo que é mais comum no momento da gravidez do que em vida adulta. Assim, esta é uma das doenças responsáveis pela morte do feto, durante o seu primeiro mês de vida.

No caso da doença não surgir com evolução elevada, o bebé poderá nascer normalmente, contudo irá apresentar sinais e sintomas da doença durante o nascimento e até nos primeiros anos de vida.

Causas

Como já referido, este é um problema de saúde que tem origem genética, ou seja, em termos práticos significa que o paciente terá 50% de hipóteses de vir a ter a doença no caso de um dos seus pais a ter tido em algum momento da sua vida.

Porém esta não é a causa exclusiva, isto é, não basta os pacientes terem um historial familiar da doença para que os cistos comecem a surgir de forma descontrolada.

As doenças surgem e manifestam-se de forma distinta dependendo dos pacientes, por isso os rins policísticos apresentam também várias formas de se manifestarem no organismo de cada paciente, dando assim a entender que hábitos, rotinas, escolhas e até factores ambientais não reconhecidos podem estar por trás da progressão da doença e da sua evolução.

Mais de três quartos dos pacientes, nomeadamente 85%, têm uma mutação no gene PKD1, sendo que os restantes 15% apresentam uma mutação no gene PKD2.

A mutação do gene PKD1 geralmente causa uma maior agressão por parte da doença, fazendo com que a sua evolução seja muito maior e mais rápida, por outro lado a mutação do gene PDK2 é mais lenta e a sua progressão é também menos eficiente, podendo até viver toda a vida sem saberem da existência deste problema nos seus rins.

Sintomas

Infelizmente esta é uma doença silenciosa, como as mais perigosas, isto é, os pacientes podem viver durante décadas com a doença no seu organismo sem que esta se mostre através de sinais ou sintomas.

A doença policística renal poderá evoluir de forma silenciosa dentro do organismo, provocando sinais e sintomas apenas quando a sua evolução for realmente grande.

Em termos práticos, a presença de cistos nos rins não causa qualquer sintoma ao paciente, a menos que tenham dimensões fora do vulgar, porém os sintomas mais comuns acontecem quando estes atingem dimensões maiores, podendo assim causar irritação nas paredes do rim e até rompendo.

Porém, esta situação acontece apenas no caso dos cistos nos rins, já que os cistos em outros órgãos, como o fígado ou pâncreas, apresentam sinais e sintomas bem mais visíveis.

A grande maioria dos pacientes descobre a doença através de um exame de rotina, como a ecografia abdominal, sem apresentarem qualquer tipo de dor ou sinal anteriormente, contudo existem alguns casos em que a dor lombar e o sangramento na urina se torna comum e aí é aconselhado a consulta médica urgente.

Além disso, alguns pacientes começam também a urinar com muito mais frequência, principalmente durante a noite, quando o seu corpo se encontra na horizontal e em descanso, para além de se sentirem mais sonolentos, com dores articulares e pequenas alterações nas suas unhas.

Os rins policísticos podem ainda provocar hipertensão arterial, cálculo renal, perda de proteínas através da urina, insuficiência renal crónica, infecção urinária e aneurisma cerebral, todavia acontece com pouca frequência e sempre associada a um mau estilo de vida, sem qualquer tipo de prevenção e ainda a um tratamento inexistente.

Relação entre rins policísticos e câncer

Quando um paciente é confrontado com um problema de saúde o seu maior medo é que este evolua para um câncer, sendo este ainda o problema mais temido por todos pela falta de tratamentos 100% eficazes. Os rins policísticos não são diferentes, havendo até muitas pessoas que desconhecem os pormenores da doença e acreditam que se trata de cancro nos rins.

Ao contrário do que se possa pensar, a presença de cistos nos rins não acarreta riscos de desenvolvimento de câncer, porém o grande problema é que quando existe realmente um câncer nos rins, este poderá surgir durante o mesmo momento em que existem cistos, tornando-se bastante difícil de distingir as massas no seu interior e quando a doença policística renal está também bastante evoluída é necessário muito cuidado para conseguir distinguir os mesmos.

Os cistos não se tornam câncer, mesmo que muitas pessoas tenham essa ideia, o problema está que estes podem ter o mesmo aspecto que os cistos e apenas os profissionais conseguem distinguir, muitas vezes recorrendo a tomografias computadorizadas ou ressonâncias magnéticas para conseguirem retirar todas as possíveis dúvidas que existam.

Diferenças entre rins policísticos e cisto nos rins

Muitos pacientes denominam de rins policísticos quando possuem alguns cistos nos rins, porém o aparecimento de cistos nos rins, após os 50 anos de idade, não significa exactamente que tenham um problema de saúde ou que possam vir a ter complicações futuras.

Por outro lado, a doença propriamente dita poderá levar a uma lesão grave nos rins ou até mesmo insuficiência renal crónica. É extremamente comum o aparecimento de 1 ou 2 cistos, em pessoas com alguma idade, sem que isso tenha repercussões mais graves.

A grande diferença entre a doença de rins policísticos e o possível aparecimento de alguns cistos nos rins é a idade em que estes aparecem, isto é, enquanto que é normal o aparecimento de alguns cistos em pessoas com idade acima dos 50 anos, a doença policística renal manifesta-se muito cedo, com o aparecimento de cistos de pequena dimensão, muitas vezes nem são visíveis em alguns exames, crescendo ao longo do tempo e multiplicando-se de forma a trazerem problemas para o paciente.

Para que os pacientes fiquem descansados, os especialistas definiram alguns parâmetros e critérios, nomeadamente a nível de cistos nos rins relacionando-os com a idade do paciente em si.

Assim, para os pacientes com idade até 30 anos, é comum terem 1 cisto em cada rim, enquanto que para pacientes com idade entre os 30 e 60 anos, dois cistos em cada rim não trazem problemas, todavia para os pacientes com mais de 60 anos, normal é terem 4 cistos em cada rim, sem complicações.

Diagnóstico

Tendo em consideração que os sinais e sintomas são realmente raros, a grande maioria dos diagnósticos são feitos por acaso, isto é, durante um outro tipo de exame de rotina, para prevenção ou diagnóstico de um outro problema de saúde, o especialistas de saúde acaba por notar alterações nos rins e possíveis diferenças que suscitem algum tipo de disfunção renal, levando assim a um exame mais detalhado.

É também possível que o paciente tenha alguns sintomas, mesmo que raros, mostrando assim que os seus rins não estão a funcionar da forma correcta, recorrendo rapidamente a exames específicos.

Para um diagnóstico o mais eficaz e correcto possível, a maioria dos especialistas recorre a exames de imagem, como é o caso do ultra-som, da ressonância magnética e ainda da tomografia computadorizada da zona abdominal.

Poderá ainda ser importante fazer um exame de sangue, já que alterações nos valores de ureia e creatinina podem ser úteis para confirmar o diagnóstico e até acompanhar a evolução da insuficiência renal crónica, no caso desta existir.

Expectativas

Os pacientes têm sempre as melhores expectativas possíveis para os seus problemas de saúde, esperando sempre que o diagnóstico seja feito a tempo e da forma mais eficaz possível, o especialista avalie a sua condição de forma a apresentar os melhores tratamentos para o caso e, na melhor das hipóteses, o problema desapareça mais tarde ou mais cedo.

Contudo, nos rins policísticos as coisas são diferentes, já que a doença acaba por piorar de forma lenta e progressiva, causando no fim a insuficiência renal crónica, podendo até estar associada a doenças hepáticas que mais tarde apresentam complicações definidas.

Assim, as maiores expectativas que os pacientes têm é terem acesso a um tratamento adequado que alivie ao máximo os sintomas por muitos anos, de forma a que o paciente não sofra com a evolução da doença.

Por outro lado, quando a mesma evolui de forma muito repentina e o paciente não tem outras doenças, diagnosticadas no momento, são bons candidatos para um transplante de rim, contudo essa é uma condição que requer também bastantes cuidados para que não haja complicações futuras.

Tratamento

Para infelicidade dos pacientes, ainda não existe um tratamento eficaz contra a doença, eliminando-a por completo, sendo que o tratamento mais adequado é feito tendo em consideração o objetivo de atrasar ao máximo o crescimento dos cistos nos rins e a evolução do problema para insuficiência renal terminal.

Assim, a primeira coisa a ter em atenção é o controlo da pressão arterial, pois quanto mais alta esta se encontrar, mais rápido a doença se desenvolve, assim o ideal é manter a mesma abaixo dos 130 x 80 mmHg, para que não haja complicações.

Portanto os pacientes devem receber um tratamento adequado para tratar a hipertensão como doença principal, levando depois a que isso traga resultados positivos para os rins policísticos.

No caso da doença evoluir de uma forma repentina e sem que o paciente se aperceba, o mais natural é que este fique com insuficiência renal crónica, o que em termos práticos significa que irá necessitar de um transplante renal ou então de fazer hemodiálise para o resto da sua vida, um tratamento extremamente doloroso e que acarreta uma série de condições associadas.

Recomendações

Tendo em conta que ainda não existe um tratamento eficaz para os rins policísticos, o melhor que os pacientes têm a fazer é a prevenção, isto é, garantirem que fazem tudo aquilo que é recomendado pelo médico para que a doença não apareça ou então não evolua de forma descontrolada.

Assim, no caso dos pacientes já terem a doença no seu organismo, devem ter alguns cuidados específicos, nomeadamente no seu estilo de vida, fazendo alterações e novas escolhas que vão assim garantir que não existem fortes probabilidades deste evoluir para algo mais problemático.

Por isso, os médicos recomendam:

– manter os níveis de pressão arterial controlados
– avaliar as suas condições renais com frequência, principalmente se existir historial de doenças na sua família directa
– evitar ao máximo a ingestão de grandes quantidades diárias de cafeína, pois os rins terão que trabalhar em excesso
– beber bastante água, para clarificar a urina
– evitar ao máximo o tabaco e o álcool, não afectando apenas a função renal

Possíveis Complicações

Tal como acontece com outras doenças, não apenas as que estão ligadas à função renal, a sua evolução poderá trazer outro tipo de complicações para o restante organismo, como já havíamos mencionado em cima.

Entre as possíveis complicações dos rins policísticos, destaca-se:

– possibilidade de aparecimento de condições de anemia
– caso não haja qualquer tipo de sintomas, o paciente poderá sofrer com o sangramento na urina ou a ruptura dos cistos
– na evolução radical da doença, poderá levar a doença crónica dos rins e até doença renal terminal
– a hipertensão arterial é uma das possíveis complicações dos rins policísticos
– infecções dos cistos hepáticos assim como as várias infecções do trato urinário como a cistite por exemplo
– aparecimento de cálculos renais.

 

loading...

25. Junho 2014 by admin

Comentários no Forum (12)

  1. Eu tenho 38 anos e tenho fígado e rins policísticos. Descobri em 2014 e ano passado, os cistos do fígado cresceram muito em um ano, me levando a ficar internada por 10 dias para controle e medicação intravenosa para dor. Não há tratamento, infelizmente, Sei o que me aguarda no final. Como o médico me orienta, eu tenho que ficar de olho, controlando tudo para que ela evolua o mais devagar possível.

  2. Minha filha tem 18 anos, faz 4 q descobrimos q ela tem essa doença, a nefro dela nos da esperança q logo o medicamento vai chegar ao Brasil…

  3. O nome do remédio é: Jinarc (tolvaptan)
    Já foi aprovado na Europa e no Canadá. Mas parece que ele só é usado em estágios iniciais da doença e pode ter efeito colateral no fígado.

  4. Meu esposo descobriu a doença à poucos meses , porem sua mãe já falecida por complicações dessa doença. essa semana o médico deu uma esperança, disse que no ano de 2016 vai chegar ao Brasil ,vindo EUA para venda um remédio para portadores de rins policísticos .ele deu o nome do remédio logo coloco para pesquisar

  5. Sou da mesma opinião da Maristela. Acredito que aqui no Brasil não exista interesse em distribuir o medicamento, já que os fabricantes das máquinas e donos de clínicas estão mais preocupados em aumentar seus lucros.

  6. Tudo no Brasil e muito ,lento tenho um irmão que e portador de rins policísticos exclusive já faz hemodialise ,há 3 e meio e nada de medicamento na familiar existir mais 5 irmão que também tem policístico e nada de existir medicamento para retarda a falecia dos rins, mais uma coisa e certa enquanto de lucro para os médicos e donos de centro de de diálise eles não se preocupa para encontra um tratamento para as pessoas que sofre dessa maldição ,isso e um acordo entre médicos e donos de centro .Paga-se 250 reais para se consulta com nefrologista para escuta no momento está tudo bem ,mais infelizmente não existir tratamento ,volte daqui a seis meses para ver com está …ou seja se vai para maquina ou não com poucas palavras ..

  7. Sr. Valmir Cavalcante qual é o nome do remédio que o sr diz?

  8. Tenho 51 anos e sou portador de rins policísticos, graça a Deus ainda funcionam normalmente, já aconteceu por 02 vezes um cistos estourarem e ocorrem sangramento na urina, procuro ter cuidado com eles. Tomei conhecimento que nos estados unidos e na europa já existe um remédio que faz com que os rins diminua o crescimento, tentei comprar através de um parente que que viajou para lá, mas a venda é proibida, eu teria que ir até lá para ser consultado por um médico e dai receber a receita e comprar em qualquer farmácia que as mesmas já vendem desde 1989. Gostaria que o governo do nosso país, agiliza-se para que esse medicamento fosse vendido aqui também. O valor do medicamento lá, custa $160,00 Você até pode conseguir esse medicamento através de um empresa que importa, só que vai te custar R$ 12.000,00. Fica aqui o meu apelo.

    Valmir Cavalcante Lins

    • Oi Valmir, gostaria de saber se você já descobriu alguma coisa eficaz para o rim policístico pois meu sogro também sofre da doença e inclusive faz hemodiálise.

      • No meu caso, eu controlo a pressão arterial, tomando remédio para ela. Meu médico falou que os meus rins estacionaram ou seja deixaram de crescer, foi constatado através dos exames, que faço a cada três meses. Tomo também Litocit , em capsulas, evita eu ter pedras nos rins.

    • VALMIR POSSO SABER O NOME DO REMEDIO!

Participe no Forum. Deixe a Sua Dúvida ou Comentário

Required fields are marked *