Síndrome de Guillain-Barré

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB), também muitas vezes denominada de Polirradiculoneurite Aguda ou Polineuropatia desmielinizante, ganhou um sinónimo mais popular devido às suas características, havendo muitas pessoas a chamarem esta de doença de Síndrome do Engano.

Em termos práticos, esta doença é uma desordem neurológica, de origem auto-imune, sendo que é capaz de provocar uma fraques muscular em praticamente todo o corpo, podendo vir a avançar e a causar outros problemas mais graves, como a paralisia muscular respiratória, que impede o paciente de respirar e levando assim a casos fatais.

Como foi referido em cima, existem muitas pessoas que denominam esta doença como o síndrome do engano, pois esta acontece quando o sistema imunológico, responsável por todas as defesas do nosso corpo, ataca uma parte do sistema nervoso, causando diversos sintomas e consequências, por engano.

Esse ataque, completamente descontrolado e sem motivos aparentes, leva à inflamação dos nervos e consequente fraqueza muscular que caracteriza a doença.

Apesar de ter um nome mais complexo do que a maioria das doenças mais populares, esta acontece em todo o mundo, com principal incidência na América do Norte.

Mesmo que a incidência anual seja menor que outras doenças semelhantes, apenas 2 a 4 casos a cada 100 mil habitantes, é imprescindível que os pacientes tenham bastante atenção aos sintomas e às causas da mesma, pois as consequências e os tratamentos são demasiado intensos e podem mesmo levar a casos extremos.

O que é ?

Em termos resumidos, o Síndrome de Guillain-Barré é uma doença de origem auto-imune, que acontece quando o nosso organismo produz uma quantidade inapropriada de anticorpos contra a bainha de mielina, sendo que é esta a substância que tem como função principal o cobrimento e proteção dos nervos periféricos.

Estes nervos, os periféricos, são responsáveis pela captação de estímulos sensoriais, como a dor, temperatura, pressão, entre outros, levando directamente os mesmos para o cérebro para que sejam adequadamente interpretados. Se estes nervos não estão a funcionar em pleno, o nosso corpo não é capaz de reconhecer o calor em excesso, a dor, entre outras coisas, fazendo com que o nosso dia-a-dia se torne bastante mais complexo.

Os nervos periféricos são também responsáveis pelos estímulos motores, isto é, para que o paciente ande, mexa a mão ou tenha um movimento, é necessário que o cérebro identifique a ordem, dando a mesma aos nervos periféricos para que estes façam a sua função de comandar os movimentos.

Por isso, quando há uma lesão, por mais pequena que esta seja, nesses nervos, os sinais elétricos que deviam viajar por todo o nosso corpo, vão sofrer uma interrupção e é nestes casos que o paciente deixa de ter a sensibilidade normal e os movimentos começam a ser cada vez menos.

Os pacientes com o síndrome de guillain-barré têm exactamente esse problema, o cérebro dá a ordem de movimento para os grupos musculares, contudo essa ordem não chega até eles, fazendo com o que paciente seja incapaz de se mexer.

Inicialmente o paciente sentirá apenas alguma dificuldade e uma fraqueza generalizada, sendo que com o avanço da doença o problema irá generalizar-se e os problemas vão começar a ser cada vez maiores.

Sintomas

Como já foi referido, o principal e mais comum sintoma desta doença é a fraqueza muscular. Na maioria das vezes a evolução é mais demorada, porém existem casos que a fraqueza é iniciada nas pernas, com uma progressão assustadora, sendo que em algumas horas ou alguns dias a doença começa a evoluir e a expandir-se por outros grupos musculares, como os braços, o tronco e a face.

Assim, a maioria dos pacientes com esta doença começam por sentir uma dormência nas pernas, seguindo-se depois uma fraqueza, sendo que em alguns casos pode não passar de um simples cansaço derivado de tarefas extra normais realizadas nas últimas horas, contudo tendo em consideração a evolução rápida e as conseqüências que esta doença pode ter, é estritamente necessário que os pacientes tenham em atenção e verifiquem sempre se não se trata da doença propriamente dita, através dos exames específicos e de acompanhamento médico.

Por outro lado, alguns pacientes têm também sintomas sensitivos, isto é, uma dor neurogénica, uma sensação de ardor e até um formigueiro distal.

A alteração na deglutição e a paralisia facial são outros dos sintomas desta doença, contudo nestes casos é mais complicado o diagnóstico, pois estes sintomas estão associados a outras doenças e é necessário realizar vários tipos de exames até o diagnóstico final ser fixo.

Existem ainda outros pacientes que apresentam sinais de disfunção do sistema nervoso, nomeadamente variação da pressão arterial, aumento da frequência cardíaca, transpiração excessiva e até em alguns casos, alterações do controlo vesical e intestinal, algo bastante desconfortável.

A alteração dos movimentos dos olhos e até a perda dos reflexos pode também ser um sinal evidente do aparecimento desta doença.

Os pacientes devem ainda ter atenção aos chamados sinais de emergência, isto é, nestes casos específicos devem procurar assistência médica imediatamente: a respiração é interrompida, mesmo que seja apenas temporariamente, o paciente sente dificuldades em respirar profundamente, o paciente tem uma grande dificuldade em engolir, sem motivo aparente, há uma sensação de vertigens ao levantar-se, mesmo que seja uma tarefa normal e ainda o paciente começa a babar-se e os desmaios surgem, sem qualquer tipo de aviso.

Causas

Este é um caso, como acontece com outras doenças, onde as causas exactas do aparecimento da doença são completamente desconhecidas. Apesar de ser muito mais comum em pessoas, de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 30 e 50 anos, é possível que ocorra em qualquer idade.

A maioria das vezes em que o síndrome de Guillain-Barré surge no organismo do paciente, está relacionado com uma pequena infecção, como a infecção pulmonar ou gastrointestinal, contudo a infecção acaba por desaparecer, através do tratamento adequado, antes que surjam os sintomas evidentes do síndrome.

A síndrome de Guillain-Barré pode acontecer em conjunto com infecções virais, também extremamente graves e que requerem atenção redobrada para o paciente, como é o caso de mononucleose, herpes simples e até SIDA. Podem também ocorrer ao mesmo tempo de outras doenças, como a doença de Hodgkin e ainda lúpus eritematoso sistémico.

Todavia, é importante salientar que em boa parte dos casos, é impossível descobrir quais foram os eventos que desencadearam o aparecimento desta doença, podendo até surgir, sem motivos aparentes, devido a uma cirurgia de rotina, algo que a maior parte dos pacientes faz para satisfazer as necessidades de outros problemas de saúde, que em nada estão ligados ao sistema imunológico.

Vacinas e Síndrome de Guillain-Barré

Algo que ainda não tinha sido mencionado antes, é que existe um conceito muito falado em todo o mundo que o aparecimento do síndrome de Guillain-Barré está associado a algumas vacinas, essenciais para o bom funcionamento do organismo.

Contudo, apesar deste conceito ser aceite na maioria das sociedades, esta relação está superestimada, pois o risco de desenvolvimento da doença devido à vacinação é muito baixo.

Segundo um estudo realizado entre 1992 e 2000, reunindo as declarações de perto de 2 milhões de pessoas, no Reino Unido, identifica que apenas 7 dos casos diagnosticados do síndrome estavam dentro de um intervalo de 45 dias após a realização de uma vacina.

É ainda importante ressalvar a informação que não houve um aumento da incidência da doença, após a introdução da vacina contra a gripe, dada anualmente.

Assim, não é comum que haja especialistas médicos que afirmem que haja um maior risco de desenvolvimento da doença em relação às vacinas, por isso o benefício destas é bastante superior aos possíveis riscos a que os pacientes estão sujeitos.

Contudo, por outro lado é importante salientar que estes mesmos especialistas aconselham os pacientes, a quem foi diagnosticada a doença, esperem pelo menos 1 anos antes de administrar uma vacina, independentemente de qual for esta.

Exames de Diagnóstico

Como já foi mencionado acima, é muito comum que haja alguma confusão por parte dos pacientes e até especialistas, dado que os sintomas e sinais são em muito semelhantes a outras doenças, por isso é essencial que haja algum cuidado e o recurso a exames de diagnóstico específico.

Em primeiro lugar, desde que o paciente apresente um quadro progressivo de fraqueza motora, independentemente do comprometimento da sensibilidade do mesmo, é aconselhável que haja uma suspeita imediata da doença, o que significa que é também necessário recorrer a ajuda médica para que sejam feitos os exames médicos necessários.

O primeiro exame médico é um check-up geral, realizado pelo especialista, que deverá identificar a fraqueza muscular existente, assim como alguns problemas nas funções autónomas do corpo, como é o caso da pressão arterial e da frequência cardíaca.

O especialista deverá iniciar o seu exame pelos reflexos do joelho e aquileu, verificando se estes estão diminuídos ou ausentes, denotando assim um problema de saúde que deve ser analisado ao pormenor.

Os especialistas podem ainda necessitar de avançar para outros exames médicos, nomeadamente:

– Punção Lombar, também conhecida como amostra do líquido cefalorraquidiano
– EcoCardiograma
– Eletromiografia, que visa o teste da actividade elétrica existente nos músculos
– Exame da velocidade de condução nervosa
– Exames de função pulmonar

Tratamento

Infelizmente, ainda não existe uma cura completamente fiável para o síndrome de Guillain-Barré, contudo existem alguns tratamentos que têm como principal objectivo aumentar a velocidade de recuperação dos pacientes e atenuar ao máximo os sinais e sintomas existentes, de forma a que estes não tenham tantas dores e momentos desconfortáveis.

Actualmente, o tratamento do síndrome de Guillain-Barré tem duas fases: a fase aguda que se caracteriza pelos sintomas e sinais evidentes do paciente e a fase de recuperação, que serve essencialmente para restabelecer a estatura muscular e a saúde do organismo.

Fase Aguda

Nesta fase, as primeiras quatro semanas de tratamento, ainda no início dos sintomas e sinais, o tratamento indicado é a plasmaferese ou então a administração intravenosa de imunoglobinas.

No caso de existir insuficiência respiratória, que acontece em apenas 10-30% dos casos, o paciente deverá manter-se na sob vigilância médica, na Unidade de Terapia Intensiva.

Já quando o paciente se encontra com dificuldades na deglutição, será necessário que a alimentação seja feita através de uma sonda, para que o paciente não sofra qualquer tipo de problemas adversos, dada a má nutrição sobre um longo período de tempo.

Por último, é estritamente necessário que o paciente tenha um acompanhamento directo de um fisioterapeuta, para ajudar de forma directa o movimento das articulações, evitando ao máximo que as mesmas fiquem bloqueadas e ajudando à sua recuperação funcional.

Fase de Recuperação

Já no que diz respeito à fase de recuperação, os pacientes devem ser acompanhados de forma directa para que o seu corpo recupere os movimentos em pleno.

Assim, é iniciado um reforço de toda a musculatura com funções específicas, nomeadamente as funções motoras, através de fisioterapia diária, na maior parte das vezes. De seguida, alguns pacientes podem necessitar de teses leves, com o objectivo de favorecer a fraqueza sentida pelo corpo.

Possíveis Complicações

Como referido antes, é possível que os pacientes recuperem completamente as funções do seu organismo, contudo em alguns casos existem complicações que os pacientes podem sentir, principalmente se o diagnóstico for feito tarde e os tratamentos não tiverem o sucesso pretendido.

É muito provável que o futuro do paciente recupere completamente, se os sintomas desaparecerem por completo ao fim de 3 semanas do início dos primeiros sinais.

Contudo, como em tudo, é possível que o paciente tenha algumas complicações se algo correr mal, nomeadamente:

– insuficiência respiratória, sentindo bastantes dificuldades em respirar normalmente, algo que o organismo é capaz de fazer involuntariamente

– contraturas nas articulações ou mesmo outro tipo de deformidades

– possíveis coágulos de sangue se acumulam, por culpa da inatividade do corpo quando o paciente se encontra confinado a uma capa durante um longo período de tempo

– maior risco de infecções

– pressão arterial instável ou baixa, causando outros sinais e sintomas para o funcionamento do organismo

– paralisia permanente

– pneumonia

– lesões na pele

– possibilidade de aspiração de alimentos ou líquidos para dentro do pulmão