Tabagismo e Doença de Alzheimer

Enquanto que a idade, historial familiar e a genética são geralmente aceites como os maiores fatores de risco para a doença de Alzheimer, o consumo de cigarros não tem sido considerado como um grande contribuidor para o risco de Alzheimer. De facto, alguns estudos mais antigos e algumas notícias ajudam até a perpetuar a noção de que fumar pode proteger contra o risco de Alzheimer.

Mas provas recentes mais convincentes parecem ajudar a retificar esta noção: o cigarro está claramente associado a um risco mais elevado de desenvolver a doença de Alzheimer, e o tabagismo na meia-idade dobra o risco de demência alguns anos mais tarde.

Numa meta análise de 43 estudos individuais que examinaram a relação entre o tabagismo e a doença de Alzheimer, os autores concluíram que fumar é de facto um fator de risco significativo para a doença de Alzheimer. Curiosamente, uma das variáveis que foi tida em conta na elaboração desta conclusão era se os autores dos estudos originais tinham alguma afiliação com a indústria tabaqueira.

Onze dos 43 estudos tiveram autores com afiliação com a indústria tabaqueira, e estes estudos (não surpreendentemente) mostravam que fumar afinal diminuía o risco de Alzheimer.

Noutro estudo mais recente, o tabagismo pesado na meia-idade quase que dobra o risco da ocorrência da doença de Alzheimer e demência vascular em anos posteriores. O estudo, publicado pelos Arquivos de Medicina Interna em outubro de 2010, foi o primeiro a olhar para os riscos a longo prazo do tabagismo na meia-idade e demência no fim da vida. Envolveu equipas dos Estados Unidos, Suécia e Finlândia, e avaliou mais de 5,300 pessoas que desenvolveram demência acima dos 23 anos. Existiram 1,136 casos de doença de Alzheimer e 416 casos de demência vascular.

Comparando com não fumadores, pessoas que fumam dois ou mais pacotes de cigarros por dia têm duas vezes mais probabilidades de desenvolver demência, enquanto que pessoas que fumam um ou dois pacotes por dia, têm um aumento de 44% de risco de demência. Mesmo pessoas que fumam apenas meio pacote por dia, têm um aumento de 37% no risco de demência. Os autores chamaram a atenção para o facto de o estudo não conseguir provar que é o tabagismo pesado na meia-idade que causa a demência, em oposição a outros fatores que os fumadores pesados podem ter, como a propensão para traumatismo cranianos.

Já que outros fatores de risco vascular na meia-idade, como a hipertensão ou diabetes, foram associados a maiores taxas de demência, não foi surpreendente para os autores verem a ligação ao tabagismo

Para as pessoas que ainda fumam, existe algumas notícias de esperança neste estudo. Em primeiro, pessoas que deixam de fumar com 50 anos, não têm um maior risco de doença de Alzheimer, logo não desista de deixar de fumar. Educação, persistência e apoio são as chaves para deixar, e usar um kit para deixar de fumar pode ajudá-lo a terminar com o seu vício de nicotina.

Adicionalmente, as pessoas que fumam menos de metade de um maço de tabaco por dia, não têm um risco mais elevado de desenvolvimento de demência. Logo, não pense que cortar no número de cigarros que fuma por dia não tem benefícios para a sua saúde. Afortunadamente, existem atualmente muitas formas de ajuda para deixar de fumar, que estão imediatamente disponíveis.

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