Transmissão do HIV – Como se pega AIDS

Um dos maiores flagelos nas últimas décadas a nível mundial é a SIDA (AIDS). Esta doença, provocada pelo vírus HIV, já provocou desde 1981, altura em que se começaram a contabilizar, 25 milhões de mortes em todo o planeta. Neste artigo iremos explicar o que é o vírus da SIDA, como se transmite, quais os comportamentos de risco, e ainda, como prevenir o seu contágio.

HIV AIDS

O que é o HIV

O HIV é um vírus, denominado Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), que depois de entrar no organismo, irá atacar e infetar as células imunitárias, enfraquecendo dessa forma o sistema imunitário. Devido a esse facto, o organismo ficará mais debilitado, estando por isso mais vulnerável a outras doenças, que normalmente seriam controladas pelo sistema imunitário. Mas como este está enfraquecido pela infecção do HIV, qualquer doença poderá ser fatal.

Assim, o HIV inicialmente não irá apresentar sintomas, mas à medida que a infeção se propaga, o sistema imunitário ficará cada vez mais fraco, e dessa forma, serão cada vez mais, e graves, o aparecimento de outras infeções ou doenças. A esta fase de agravamento do quadro clínico, chamamos de SIDA (Síndrome de Imunodeficiência Adquirida). As várias doenças que se podem desenvolver nesta fase vão desde infeções até tumores. De seguida apresentamos uma lista das principais doenças:

Tuberculose

A tuberculose é uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada Mycobacterium tuberculosis. A Tuberculose afecta principalmente os pulmões, mas pode também afectar os órgãos do sistema nervoso central, sistema linfático e sistema circulatório.

Infecção por Candidíase

Resulta através de um crescimento excessivo de levedura (um tipo de fungo) em qualquer parte do corpo. A candidíase é de longe o tipo mais comum de infecção por fungos.

Pneumonia (causada pelo Pneumocystis carinii)

Pneumocystis jiroveci é uma infecção fúngica que se desenvolve nos pulmões. A doença no passado costumava ser chamada de Pneumocystis carinii. Este tipo de pneumonia é causada pelo fungo Pneumocystis jiroveci e não causa doenças em pessoas saudáveis.

No entanto, pode causar infecções pulmonares em pessoas com um sistema imunitário enfraquecido devido a: câncer; uso crônico de corticóides ou outros medicamentos que debilitam o sistema imunológico; HIV / AIDS e transplante de medula óssea. A Pneumocystis jiroveci era uma infecção relativamente rara antes da epidemia da SIDA.

A Pneumonia (causada pelo Pneumocystis carinii) em pessoas com AIDS geralmente desenvolve-se lentamente ao longo de dias, semanas ou mesmo meses, e é menos grave. No caso de Pessoas com esta infecção mas que não sofram da AIDS, geralmente ficam doentes mais rapidamente e a gravidade da doença é maior..

Toxoplasmose

Esta infecção é causada por um parasita microscópico (Toxoplasma gondii) que pode viver no interior das células dos seres humanos e animais, especialmente gatos e animais de quinta. Embora a infecção normalmente não seja transmitida de pessoa para pessoa, exceto por meio de gravidez, em casos raros, a toxoplasmose pode contaminar transfusões e órgãos doados para transplante de sangue.

Infecção por citomegalovirus

O citomegalovírus é um género viral de herpes conhecido como Herpesviridae (herpesvírus). É normalmente abreviado como CMV. A espécie que infecta os humanos é normalmente conhecida como CMV humano (HCMV) ou herpesvirus-5 (HHV-5), e é o mais estudado de todos os citomegalovírus. Dentro da familia Herpesviridae, o CMV pertence à subfamília Betaherpesvirinae, que também inclui os géneros Muromegalovirus e Roseolovirus (HHV-6 e HHV-7).

Todos os herpesvírus partilham uma capacidade característica de permanecerem latentes dentro do corpo durante grandes períodos. Embora possam ser encontrados em todo o corpo, as infecções por CMV estão frequentemente associadas com as glândulas salivares em humanos e outros mamíferos.

Criptosporidiose

A criptosporidiose, criptosporidíase, ou também conhecida como criptografia, é uma doença parasitária causada pelos patrasitas coccidios Cryptosporidium parvum e C.hominis, um protozoário parasita do filo Apicomplexa. Esta doença afecta o intestino e é tipicamente uma infecção aguda de curta duração.  A criptosporidiose é transmitida através de via fecal-oral, geralmente através de água contaminada. O principal sintoma é diarréia em pessoas com sistemas imunológicos intactos.

Em indivíduos imunocomprometidos, como as pessoas que sofrem da SIDA, os sintomas são particularmente graves e muitas vezes fatais. O tratamento é sintomático, com reidratação, correção de líquidos e eletrólitos e tratamento de qualquer dor. O parasita é transmitido através de cistos microbianos (oocistos) que, uma vez ingeridos, e existentes no intestino delgado, resultam em uma infecção intestinal.

Sarcoma de kaposiSarcoma de Kaposi

O Sarcoma de Kaposi é um tumor causado pelo vírus do herpes humano 8 (HHV8), também conhecido como sarcoma de Kaposi associado à herpesvírus (SKHV). Foi originalmente descrito pelo dermatologista Húngaro, Moritz Kaposi, na Universidade de Viena em 1872. Tornou-se conhecido como uma das doenças mais definidoras da SIDA em 1980. A causa viral para esse tipo de câncer foi descoberta apenas em 1994.

Geralmente, o HIV desde a infeção até este quadro clínico, demora entre 10 a 15 anos. No entanto, com retrovirais (medicamentos de controlo da propagação dos vírus), este período de tempo é cada vez maior, atrasando a evolução da SIDA.

O efeito combinado com outra DST (doença sexualmente transmissivel), como por exemplo a gonorréia, sífilis, herpes, aumenta drasticamente o risco de transmissão e ser contagiado pelo HIV.

(Leia: Herpes Labial e Genital – Causas, Sintomas, Tratamento e Risco de HIV).

Como se transmite o vírus do AIDS

O HIV pode entrar no organismo de três maneiras: através do contacto íntimo, normalmente através de relações sexuais, da mãe para o filho, ou na gravidez, ou durante a amamentação, através do contacto sanguíneo com um sangue infetado, transfusões de sangue, transplantes de orgãos, etc.

Para haver contágio do vírus da SIDA, é necessário o contacto entre fluidos, nomeadamente sangue, fluidos vaginais, sémen e leite materno. Há ainda indícios que os fluidos pré-ejaculatórios possam também ser um veículo de transmissão. Como vê, para haver contágio é necessário uma porta de entrada, onde haja contacto entre fluidos.

A forma de contágio mais suscetível de ocorrer é quando há contacto do sangue com algum fluido infetado, já que o vírus entra diretamente na circulação sanguínea. Isto pode ocorrer principalmente com a partilha indevida de seringas utilizadas por seropositivos. Mas pode também acontecer através do contacto com uma ferida.

A transmissão do vírus através das relações sexuais é talvez a forma mais comum, sendo que qualquer troca de fluidos com uma pessoa infetada com o vírus da SIDA é perigosa e suscetível de contágio. No entanto, é mais comum haver contágio de homem para mulher, do que no contrário, já que o sémen é bastante mais virulento que os fluidos vaginais.

No entanto, ambas são formas muito prováveis de contágio. É preciso também desmistificar algumas ideias. Ao contrário do que às vezes é dito, qualquer forma de relação sexual não protegida é perigosa, seja ele anal, vaginal ou oral. Mesmo que não haja penetração, é muito fácil haver contacto dos fluidos com pequenas feridas existentes no pénis, na vagina, no ânus e na boca.

Outra ideia bastante difundida, mas não correta, é de que o suor, as lágrimas, e sobretudo, a saliva, são meios de transmissão. Não é verdade. Apesar de serem fluidos corporais, as quantidades do vírus aí existentes são tão baixas que é impossível funcionarem como forma de transmissão. Outros fluidos corporais que também não transmitem o HIV são os vómitos, as fezes, ou as secreções nasais.

Comportamentos de risco

Existem três principais grupos de risco em serrem infetados com o HIV, devido sobretudo às suas atividades profissionais ou a comportamentos diários.

- Profissionais de saúde: devido à sua atividade profissional, estão em contacto quase diário com pessoas infetadas com o vírus da SIDA, estando sujeitos a pequenos acidentes com fluidos ou materiais cortantes habituais num hospital, que poderão ser veículos de contaminação.

- Indivíduos com relações sexuais não protegidas: normalmente, pessoas com mais que um parceiro sexual, e que não use qualquer proteção, principalmente o preservativo, estão mais sujeitas a serem infetados com o HIV. Leia: Camisinha (Preservativo) – Como Colocar, Eficácia e Instruções de Uso.

- Toxicodependentes: muitas vezes são partilhadas agulhas ou outros materiais, que se estiverem infetados, irão entrar diretamente na circulação sanguínea, infetando qualquer pessoa que os use.

Como prevenir o contágio do HIV

Tendo em conta os comportamentos de risco e as formas de transmissão, existem algumas formas de prevenir o contágio do HIV. Assim, deve ser usado o preservativo durante as relações sexuais. Além disso, deve perceber que qualquer objeto utilizado durante a relação sexual pode entrar em contacto com os vários fluidos, podendo ele próprio ser um veículo de transmissão. Qualquer material de corte, sejam agulhas para a injeção de drogas, seja em outros materiais usados em atividades como a manicure, pedicure, colocação de brincos ou piercings, ou a realização de tattoos (Tatuagens), nunca devem ser partilhadas (Leia: Body Piercing – Perigos, Complicações e Fotos de Infecção).

Comportamentos que não transmitem o HIV

Principais sintomas da AIDSDe maneira a desmistificar alguns mitos acerca da transmissão do HIV, de seguida apresentamos alguns comportamentos que não irão transmitir o vírus da SIDA.

- Uso de talheres ou pratos usados por seropositivos.
- Contacto físico, tipo aperto de mão ou abraço.
- Utilização de locais públicos, como piscinas, praias, ou banheiros.
- Picadas de inseto;
- Doar sangue.
- Masturbação (a única forma de haver contágio é se for feita por um parceiro que use uma mão com feridas na zona de contacto com o pénis).
- Beijos (a única forma de poder haver contágio através do beijo, é se as duas pessoas tiverem feridas a sangrar na boca. Qualquer outro tipo de beijo não contagia o HIV).

Outro mito vulgar quando se fala do HIV é o uso de agulhas em locais públicos, como nas cadeiras de cinema ou em telefones públicos, ou de sangue contaminado em Ketchup. Na realidade, o vírus tem um tempo de duração muito curto fora do seu ambiente normal, sendo impossível que qualquer uma das situações descritas tenha realmente infetado alguém.

24. Abril 2013 by admin
Categories: Andrologia, Doenças e infecções sexualmente transmissíveis, Doenças virais, Ginecologia e Obstetrícia, Infectologia, Urologia | 2 comments

Comentários no Forum (2)

  1. Minha duvida: eu tenho uma tesousa de unha e emprestei meu cunhado, mas no outro dia eu usei e me cortei tem risco?

  2. Olá doutor, gostaria de saber se na seguinte hipótese corre-se o risco de se contaminar com alguma DST e ou a AIDS: Um casal heterossexual, que desconhecem suas sorologias, em seu momento intimo ocorre do homem encostar o pênis sem preservativo na genitália feminina, ou seja, no momento de caricias o homem deita sobre a mulher para beija-la na boca e sem perceber o pênis sem preservativo encosta na genitália feminina, o tempo de alguns minutos, porém não ocorre a penetração, mas há possibilidade, ou de fato, o pênis dele tem contato com a secreção feminina e na genitália da mulher ocorre de ter contato com a secreção masculina (sem ejaculação), Ou seja ambos trocam fluidos, conforme mencionado. Depois disto o homem coloca o preservativo e ocorre a penetração e o coito de fato, não ocorre nenhum acidente e a penetração e coito com preservativo. Depois da penetração e coito, como o uso de preservativo. Existe algum risco nesta situação para se contrair alguma DST ou AIDS? Haja vista que nas cartilhas sobre a Profilaxia Pós Exposição para esta situação não há recomendações. Gostaria de saber se existe um risco real de fato. Agradeço desde já pela devida atenção.

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