Transplante de Órgãos e Tecidos – Como Funciona

O transplante é um procedimento que consiste em transferir células, tecidos ou órgãos, de um local para outro, de forma a garantir a manutenção de uma determinada função vital no organismo. Essa transferência pode dar-se entre dois locais dentro de um mesmo organismo, ou então, entre dois organismos diferentes. Dessa forma, podemos dividir os transplantes em dois grupos principais: os transplantes autólogos e os transplantes alogénicos.

transplante de orgãos

Transplantes autólogos

Este tipo de transplante consiste em transferir tecidos com capacidade regenerativa dentro de um mesmo organismo, quando existe essa necessidade. Há vários exemplos, mas o mais comum é o transplante de enxertos de pele, que são utilizados sobretudo em casos de feridas graves, queimaduras, ou até, como forma cobrir uma determinada área intervencionada numa cirurgia.

Transplantes alogénicos

Neste tipo de transplante, existe a transferência de tecidos ou órgãos de um indivíduo para outro, da mesma espécie. O que fornece o tecido ou órgão é chamado de doador, e aquele que recebe, é denominado de recetor. Estes são os transplantes mais habituais, e que servem principalmente para ajudar a manter uma função vital num organismo em caso de falência do órgão responsável por essa função.

Neste artigo iremos abordar os transplantes de órgãos, os seus tipos, as doenças que normalmente requerem um transplante, e ainda, algumas considerações sobre os doadores e recetores.

Transplante de órgãos

Na maioria das situações, os transplantes de órgão realizam-se com um doador sem vida. Há casos que são utilizados doadores vivos, mas devido a vários fatores, entre os quais o facto de apenas alguns órgãos poderem ser doados sem colocar em causa a sobrevivência do doador, e também, pelo facto de a maioria das pessoas não aceitar fazer tal doação, este tipo de transplante é menos comum.

Assim, normalmente quando se fala de transplante de órgãos, referem-se principalmente à transferência de órgãos de uma pessoa muito recentemente falecida para um paciente que necessite desse órgão para sobreviver. O tempo que permeia a morte do doador e a transferência do órgão é bastante limitado, e como tal, existe um sistema em cada país que responde muito rapidamente a essas ocorrências, para que sejam aproveitados ao máximo as oportunidades de doação.

No transplante de órgãos, existe uma questão essencial, que passa pela aceitação ou rejeição do organismo recetor ao órgão doado. O sistema imunológico de um indivíduo está programado para atacar e combater as ameaças externas, e se não reconhecer as novas células como integrantes do próprio organismo, irá trata-las como qualquer vírus, bactéria ou célula cancerosa, e ataca-las. Quando isso acontece, diz-se que o corpo está a rejeitar o órgão, e que levará à sua destruição. Em muitas situações, essa reação poderá levar à falência total do organismo e consequentemente à sua morte.

Sendo esta uma questão fundamental num processo de transplante de órgãos, a taxa potencial de rejeição é verificada através de testes de compatibilidade de sangue e das moléculas que têm a capacidade de ter uma resposta imunitária. Assim, quanto maior a compatibilidade entre estes elementos de ambos os indivíduos, maiores serão as possibilidades de sucesso. Se a compatibilidade for baixa, o transplante não é realizado. Assim, reduz-se a quantidade de casos de rejeição, o que leva a um uso mais eficaz dos órgãos disponíveis.

No entanto, e mesmo apesar da utilidade destes testes, na realidade podem ainda ocorrer rejeições em transplantes entre indivíduos de grande compatibilidade. Por esta razão, qualquer transplante irá implicar a toma permanente de medicamentos imunossupressores, de forma a reduzir o risco.

Tipos de transplante

Cada vez mais a evolução na medicina permite o transplante de um número maior de órgãos, e com uma taxa de sucesso cada vez mais elevada. No entanto, existem órgãos mais facilmente e comummente transplantáveis que outros. Assim, entre os transplantes mais realizados encontram-se os do fígado, coração, pâncreas, pulmões, rins e medula óssea.

Transplante de rim

Para um paciente que sofra de insuficiência renal, há duas hipóteses: a diálise, que tem que ser feita permanentemente, para que o sangue seja limpo por uma máquina, já que o rim não consegue, hemodiálise, ou então, através de um transplante de rim. Nestes casos há a vantagem de não ser necessário um doador falecido, já que a função renal pode ser suportada apenas por um rim, quando o organismo humano tem dois. Também pode ser necessário o transplante deste órgão em casos de algum tipo de Hepatite, como a hepatite B.

Transplante de fígado

No caso de pacientes com acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática), falência hepática, fibrose e cirrose hepática, a única solução pode ser o transplante de fígado (transplante hepático). Na maioria das situações é necessário o transplante total do órgão, fornecido por um doador falecido.

No entanto, há alguns casos, geralmente quando o recetor é uma criança ou um bebé, em que basta transplantar entre 20 a 60% do fígado, permitindo por isso o uso de doador vivo. Sendo este um órgão de rápida regeneração, mesmo utilizando parte do órgão, este depressa crescerá para o tamanho aproximado do normal.

Transplante de coração

O transplante de coração é apenas utilizado quando há uma doença cardíaca de grande gravidade, como por exemplo a insuficiência cardíaca, sem outro tratamento possível. Há ainda situações que em que a lesão do coração tem uma origem noutra doença, como no caso de doenças pulmonares, e ambas podem ser resolvidas com um transplante combinado, recebendo o paciente parte de um pulmão e um coração. No primeiro caso, pode haver um doador vivo, mas no segundo, já não. Como uma das complicações possíveis está relacionado com a diabetes, há casos onde se combina ainda um transplante do pâncreas.

Transplante de medula óssea

Sendo a medula óssea um dos locais onde se desenvolvem alguns cancros, entre os quais a Leucemia, o seu transplante pode ter efeitos muito benéficos combinado com outros métodos, como a quimioterapia e a radioterapia. Neste transplante é retirado normalmente de um doador vivo e compatível, e colocado no recetor. Em casos de Anemia Falciforme também poderá ser necessário realizar este transplante.

Doenças que necessitam de transplante

– Transplante de fígado: alcoolismo, cirrose, esteatose hepática (fígado gordo), fibrose cística, hepatite C.
– Transplante de coração: cardiopatias, insuficiência cardíaca, doença arterial coronária, doença cardíaca coronária, doença de Chagas.
– Transplante de rim: complicações por diabetes, insuficiência renal, hepatite.
– Transplante de pulmão: doenças pulmonares, doença pulmonar obstrutiva crónica.
– Transplante de pâncreas: complicações por diabetes, diabetes.
– Transplante de medula óssea: leucemia, linfoma Hodgkin, linfoma não-Hodgkin, anemia falciforme.

Doadores de órgãos e tecidos

Qualquer pessoa pode ser doadora desde que não tenha tido qualquer doença que possa prejudicar o órgão doado ou contaminar de alguma forma o paciente recetor. Se for vivo, apenas poderá ser doador se essa doação não implicar com a sua sobrevivência. Os órgãos que são possíveis de ser doados em vida são: fígado (quando é apenas uma parte), rim, pulmão (quando é apenas uma parte), medula óssea e o pâncreas.

No caso de um doador falecido, como referimos em cima, deve ser respeitado um período de tempo, a partir do qual a transferência do órgão deixa de ser viável. Para que seja possível a doação depois de falecido, é necessária uma autorização por parte do familiar mais próximo. Em todos os casos há avaliações para verificar a compatibilidade imunológica entre o doador e recetor, prevendo dessa maneira possíveis riscos. A não ser em casos de doação em vida, não existe a possibilidade de escolher qual o recetor que irá receber o órgão doado. Existe um sistema que gere os transplantes a nível nacional, e em ligação com outros a nível internacional, que envia o órgão para a necessidade mais premente.

Órgãos e tecidos mais usados para transplante

Coração, Pulmões, Rins, Pâncreas, Fígado, Intestino, Estômago, Pele, Córnea, cabelo, Ossos, Sangue, Válvulas Cardíacas, Células do pâncreas (ilhéus de Langerhans), Células Progenitoras Hematopoéticas (CPH), incluindo a Medula Óssea e por fim as células-tronco (células-mães ou células estaminais).