Tratamento para aneurisma da aorta abdominal

Existem dois tipos principais de tratamento para um aneurisma da aorta abdominal: O Tratamento preventivo, em que o aneurisma é tratado de forma a prevenir a sua rutura; e o tratamento de emergência, em que o aneurisma é reparado cirurgicamente após rebentar.

O principal tratamento preventivo é a cirurgia. Mas tal como qualquer tipo de cirurgia, ela acarreta o risco de complicações, algumas das quais bastante sérias. Dessa forma, uma cirurgia preventiva é normalmente apenas recomendada quando o risco de rutura é suficientemente grande para justificar os riscos inerentes à cirurgia.

Tratamento preventivo para o aneurisma da aorta abdominal

Se lhe for diagnosticado um aneurisma na aorta abdominal, será feita uma análise aos potenciais fatores de riscos, de forma a determinar a probabilidade de rutura do aneurisma. Essa análise é geralmente baseada em:

– A sua idade;
– O tamanho do aneurisma;
– A velocidade de crescimento do aneurisma;
– Se algum pai, irmão, irmã, tia ou tio tiverem alguma vez rutura de um aneurisma;
– Se você tem níveis elevados de um químico chamado MMP-9 no seu sangue (níveis elevados de MMP-9 podem causar enfraquecimento extensivo na parede da aorta).

Explicando melhor: os proteases da metaloproteinase de matriz (MMP) desempenham um papel na inflamação associada com os aneurismas da aorta. Para reverter esta situação, muitas vezes é utilizada a Doxiciclina, uma substância medicamentosa que ajuda a suprimir o crescimento destes aneurismas através da inibição da metaloproteinase de matriz 9 (MMP-9).

Normalmente, as opções recomendadas de tratamento são:

– Observação ativa (se o aneurisma tiver menos de 5cm – ver mais detalhes em baixo);
Cirurgia vascular preventiva se o aneurisma tiver entre 5 a 5.5 cm (2 a 2.2 polegadas) e se você tiver pelo menos um dos fatores de risco mencionados em cima;
– Cirurgia se o aneurisma for maior que 5.5 cm, independentemente de você ter ou não algum dos fatores de risco.

Observação ativa

Observação ativa significa que o paciente não necessita de cirurgia imediata, mas terá de fazer check-ups e ser observado regularmente, de forma a monitorizar cuidadosamente o seu aneurisma. Isto envolve normalmente a realização de um ultrassom em cada 3 ou 6 meses.

Também serão recomendadas algumas mudanças nalguns hábitos de vida para diminuir o risco de rutura. Se você fumar, a alteração mais importante que você pode e deve fazer é deixar de fumar. As pessoas que fumam têm geralmente tendência para desenvolver aneurismas de crescimento mais rápido do que as não fumadoras. Quanto maior for o aneurisma, maior é o risco de rutura. As terapias de substituição de nicotina podem ajudar a tornar este processo mais fácil.

Outras mudanças que pode fazer incluem:

– Alimentação saudável e equilibrada e redução da quantidade de gordura ingerida na dieta diária;
– Perda de peso, se tiver peso em excesso;
– Fazer exercício físico regular.

Quando o paciente tem outro problema de saúde que se pense estar relacionado com o aneurisma, como por exemplo, hipertensão arterial, pode ser-lhe prescrito medicação para tratar essa doença. Por exemplo:

– Os Inibidores da enzima conversora de angiotensina são um tipo de medicamentos usados no tratamento da hipertensão arterial;
– As Estatinas são um tipo de medicamentos para tratar o colesterol alto.

Cirurgia

O tratamento cirúrgico normalmente mais utlizado para a reparação de um aneurisma da aorta abdominal são os enxertos. Este procedimento envolve remover a área afetada da aorta e substituir por um tubo sintético conhecido como enxerto (prótese feita de vários materiais, incluindo o Dacron) suportada por uma estrutura metálica (stent). Há duas formas para se realizar o enxerto: Através do abdómen (envolve um corte no abdómen), ou por dentro da veia (endovascular).

Cirurgia aberta

É realizada uma incisão (corte) no abdómen, de forma a expor a artéria aorta e realiza-se o enxerto.

Cirurgia endovascular

Esta cirurgia envolve inserir um tubo fino, chamado cateter, através de uma das artérias das pernas, e depois guiá-la até a artéria aorta. Os enxertos (próteses) são depois movidos através do cateter, e usados para reforçar a parede da aorta.

Cirurgia aberta ou endovascular?

Na maioria dos casos, a equipa cirúrgica recomenda que o paciente faça uma cirurgia endovascular. Esta apresenta melhores resultados do que a cirurgia aberta na prevenção de morte através da rutura de um aneurisma (entre outras complicações).

Por exemplo, vários relatórios anuais indicam que aproximadamente uma em cada 20 pessoas morre 30 dias após a realização de uma cirurgia aberta, em comparação com uma em cada 50 pessoas que realizaram a cirurgia endovascular. Os resultados a longo prazo normalmente também são melhores.

Os mesmos relatórios mostram que nos 12 meses após a cirurgia, uma em 15 pessoas que fizeram uma cirurgia aberta morrem devido a complicações relacionadas com o aneurisma. Já dos que fizeram a cirurgia endovascular, apenas morrem 1 em 25 devido a complicações.

Outra vantagem é o facto da cirurgia endovascular não envolver um corte no abdómen, e por isso, o tempo de recuperação é muito inferior ao da cirurgia aberta. No entanto, a cirurgia endovascular tem também as suas desvantagens.

O mesmo relatório mostra vários riscos, como a separação dos enxertos (descolamento da prótese), e um risco mais elevado de vir a desenvolver uma infeção, do que na cirurgia aberta. Pouco menos de metade das pessoas que realizaram uma cirurgia endovascular tiveram complicações, em comparação com apenas 1 em 10 que fizeram uma cirurgia aberta. Nestes casos, quando o paciente desenvolve algumas complicações, pode ser necessário a realização de mais cirurgias (cirurgias reparadoras).

Os seja, a equipa cirúrgica pode fazer algumas recomendações ao paciente, mas a decisão final é a do próprio paciente. Podem haver circunstâncias em que o paciente não é um candidato viável para uma cirurgia endovascular, e como tal, terá de ser feita uma cirurgia aberta. Por exemplo, se o paciente tiver os vasos sanguíneos (artérias) mais estreitos, ou o aneurisma estiver localizado numa posição que torna a cirurgia endovascular demasiado difícil.

Tratamento de emergência

O tratamento de emergência em caso de rutura do aneurisma na aorta abdominal é baseado no mesmo princípio que o tratamento preventivo. Os enxertos são usados para reparar o aneurisma quando este rebenta. Devido à natureza urgente de um aneurisma quando este rebenta, a decisão de realizar cirurgia aberta ou endovascular pode ser determinada pelos conhecimentos e experiência dos cirurgiões disponíveis no momento.

Existem alguns fármacos e tratamentos adicionais que podem ser usados para prevenir a perda excessiva de sangue e os danos em alguns órgãos, como por exemplo a nimodipina. A nimodipina é um bloqueador dos canais de cálcio do tipo dihidropiridina, originalmente desenvolvido para o tratamento da hipertensão. Esta medicação pode ser usada para prevenir a evolução da rutura dos vasos sanguíneos causada pelos espasmos arteriais, o que provocaria mais perda de sangue.

cirurgia aberta e endovascular

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