Tratamento para Leucemia Linfoblástica Aguda

A leucemia aguda é uma doença que se desenvolve rapidamente e de forma bastante agressiva. Desta forma, o tratamento geralmente é iniciado alguns dias após o diagnóstico ter sido concluído.

Devido à natureza muitas vezes complexa da leucemia aguda, a doença é normalmente tratada por uma equipa de especialistas de diferentes áreas que trabalharão em conjunto: hemato-oncologista, hemato-patologista, pediatra, farmacêutico, psicólogo, etc.

Etapas do Tratamento

O tratamento para a leucemia linfoblástica (linfoide) aguda é realizado em etapas:

  • Indução – o objetivo da fase inicial do tratamento é matar as células de leucemia existentes na medula óssea, restaurar a saúde do sangue para um bom funcionamento e, resolver quaisquer sintomas que o paciente possa ter.
  • Consolidação – este estágio tem como objetivo matar todas as células de leucemia restantes que possam estar presentes no sistema nervoso central.
  • Manutenção – a fase final envolve tomar medicação regular para quimioterapia, de forma a evitar que a leucemia retorne. Esta manutenção apenas parece ser eficaz no tratamento da leucemia linfoide aguda, e não é normalmente usada no tratamento da leucemia mielóide aguda.

Indução

A fase de indução do tratamento é realizada em hospital ou centro especializado. Isso porque normalmente o paciente necessita realizar transfusões de sangue regulares, pois é provável o sangue do paciente não conter células sanguíneas saudáveis suficientes.

Nesta altura o paciente também vai estar mais vulnerável a infecções, por isso é importante estar em ambiente estéril, onde a sua saúde possa ser cuidadosamente monitorizada e qualquer infecção tratada imediatamente. Nesta fase inicial também podem ser prescritos antibióticos para ajudar a prevenir novas infecções.

Quimioterapia

Será administrada uma combinação de medicamentos para quimioterapia para matar as células de leucemia localizadas na medula óssea. À medida que o paciente vai necessitando de mais medicação como parte do tratamento, será inserido um tubo numa veia de grosso calibre perto do coração. Este método é conhecido como Cateter venoso central, e significa que o paciente não vai necessitar de realizar muitas injeções dolorosas.

Alguns medicamentos para quimioterapia também podem ser administrados diretamente no líquido cefalorraquidiano (LCR) ou Fluido cerebrospinal, de forma a matar todas as células de leucemia que possam ter se espalhado para o sistema nervoso. Esta é administrada com o recurso a uma agulha que é colocada na coluna (espinha), de forma semelhante a uma punção lombar.

É comum ocorrerem alguns efeitos secundários após a quimioterapia. Estes podem incluir:

  • náuseas
  • vômitos
  • diarreia
  • perda de apetite
  • úlceras na boca
  • cansaço
  • erupções cutâneas
  • infertilidade
  • perda de cabelo

Estes efeitos colaterais deixam de existir automaticamente com o fim do tratamento. O cabelo normalmente demora entre três a seis meses para voltar a crescer.

Imatinib

Quando o paciente tem um tipo de leucemia, conhecido como Leucemia linfoblástica aguda cromossoma Philadelphia positivo (Ph+), será prescrito um medicamento chamado imatinib. O Imatinib funciona bloqueando os sinal que faz as células cancerosas crescerem e reproduzir-se. Isto mata as células cancerosas. O Imatinib é administrado por via oral (como qualquer comprimido). Os efeitos colaterais do imatinib são geralmente leves e melhoram com o tempo. Estes incluem:

  • náuseas
  • vômitos
  • inchaço no rosto e pernas
  • câimbras musculares
  • erupção
  • diarréia

Dependendo da forma como o paciente responder ao tratamento, a fase de indução pode durar de duas semanas a vários meses. Em alguns casos, o paciente poderá deixar o hospital e receber tratamento em regime de ambulatório se os sintomas melhorem.

Consolidação

A leucemia pode voltar apenas com a permanência de uma célula cancerosa no corpo. O objectivo do tratamento de consolidação é esse mesmo, assegurar que todas as células de leucemia sejam mortas. O tratamento envolve o paciente receber injeções regulares de medicamentos de quimioterapia, que geralmente são aplicadas em ambulatório (significa que o paciente não tem que ficar internado). No entanto, podem ser necessárias algumas “curtas” estadias no hospital se os sintomas se agravarem ou se de repente houver o desenvolvimento de alguma infecção. A fase de consolidação do tratamento dura vários meses.

Manutenção

A fase de manutenção é concebida para funcionar como uma segurança, contra a possibilidade de a leucemia voltar. Trata-se do paciente ter de tomar doses regulares de comprimidos de quimioterapia e submeter-se a check-ups regulares de forma a monitorar a eficácia do tratamento. A fase de manutenção, muitas vezes pode durar dois anos.

Outros Tratamentos

Assim como a quimioterapia e o imatinib, existem outros tratamentos usados ​​em algumas situações. Estes encontram-se descritos abaixo:

Dasatinib

O dasatinib ou Dasatinibe de nome comercial Sprycel, é um novo tipo de medicamento usado para tratar a Leucemia linfoblástica aguda cromossoma Philadelphia positivo (Ph+), quando todos os outros tratamentos não obtêm sucesso. O Dasatinib é um inibidor da tirosina quinase. Isto significa que os blocos da proteína “tirosina quinase” ajudam a estimular o crescimento das células cancerosas.

O Dasatinib não consegue curar a leucemia aguda, mas pode retardar o seu crescimento, ajudando a aliviar os sintomas e a prolongar o tempo de vida do paciente.

Radioterapia

A radioterapia envolve o uso de altas doses de radiação controlada para matar as células cancerosas. Existem duas razões principais pelas quais a radioterapia é geralmente usada para tratar a leucemia aguda:

  • em casos avançados de leucemia linfoblástica aguda que se estenderam para o sistema nervoso ou cérebro
  • para preparar o organismo para um transplante de medula óssea (veja abaixo)

Os efeitos colaterais da radioterapia incluem:

  • perda de cabelo
  • náuseas
  • fadiga

Os efeitos colaterais geralmente passam quando o tratamento de radioterapia é concluído. No entanto, a pele pode ficar muito sensível aos efeitos da luz durante vários meses após o tratamento ter terminado. Se for este o caso, o paciente deve evitar tomar de sol ou expor-se a fontes de luz artificiais, como por exemplo solários, durante alguns meses.

Algumas crianças jovens submetidas á radioterapia poderão ter o seu crescimento físico limitado durante a puberdade (período em que ocorrem mudanças biológicas e fisiológicas).

Existe um pequeno número de pessoas que desenvolvem catarata alguns anos após a radioterapia. As cataratas são manchas nubladas na lente (estrutura transparente da frente do olho) que pode tornar a visão turva ou enevoada. A catarata geralmente pode ser tratada com sucesso através de cirurgia.

Leia mais sobre a catarata e cirurgia de catarata (brevemente).

Transplante de Medula Óssea e de Células-Tronco

Quando o paciente não responde à quimioterapia, uma possível alternativa de tratamento é a realização de transplante de medula óssea ou transplante de células estaminais.

Antes de ser realizado o transplante, o paciente necessita de receber doses agressivas (elevadas) de quimioterapia e radioterapia de forma a serem destruídas quaisquer células cancerígenas existentes no corpo. Esta situação coloca um enorme esforço sobre o corpo, podendo até causar efeitos colaterais significativos, bem como potenciais complicações.

O transplante têm melhores resultados se o doador tiver o mesmo tipo de tecido que a pessoa que vai receber a doação. O melhor candidato para realizar uma doação é geralmente um irmão ou irmã com o mesmo tipo de tecido.

Devido a todas estas questões, os transplantes geralmente só têm sucesso quando realizados em crianças jovens, em pessoas idosas que estão de boa saúde, ou quando o doador é o mais adequado, tal como um irmão ou irmã.

Leia sobre o transplante de medula óssea para mais informações (brevemente).

Radioterapia para leucemia